012845A década de 60/70 explode na tela no filme Roland Emmerich. Na frente dos seus olhos você vê refrigerantes antigos, roupas que atualmente a moda anda revisitando e leis que definitivamente não protegem e nem iguala a todos.

Stonewall se passa em um dia fatídico e extremamente importante para os norte-americanos: o dia 28 de junho de 1969. No filme acompanhamos o jovem Danny, que foi expulso de sua casa no interior do país pelo pai machista e envergonhado de seu filho. Ao chegar na cidade grande se depara com centenas de jovens vivendo suas vidas e paixões.

Danny logo faz amizade com Ray, um jovem que se prostitui para viver, e toda turma dos “deslocados sociais” da época, que misturava grande parte da comunidade gay. O filme passeia entre o ativismo pacífico e o intenso. Danny também acaba se misturando entre os dois. Na boate Stonewall Inn, qual era também um lugar onde a máfia prostituia jovens gays, ele acaba por conhecer todo tipo de pessoas. Em meio a esse clima de festa dos anos 70 é possível perceber a tensão entre a comunidade que vivia perto da casa noturna, em sua maioria LGBT, e a polícia da época.

O filme foi baseado em fatos importantes para a história dos Estados Unidos. A partir da revolta que aconteceu em 28 de junho de 1969 surgiram muitos grupos de defesa ao movimentos LGBT, leis contra eles foram sendo extintas e a primeira marcha do orgulho LGBT sairia do papel e tomaria as ruas de Nova York.Mas é justamente ao falar sobre isso que Stonewall peca: é uma história real, baseada em uma revolta real, que teria um roteiro e tanto para ser trabalhado, com vários personagens super importantes e figuras que marcaram história, mas o protagonista é vivido por um garoto branco que não tem fibra e passa mais da metade do tempo perdido no que esta acontecendo.

Os personagens principais da revolta de Stonewall Inn são negros, ou latinos, gays, travestis, pobres, moradores de rua, que vivem da prostituição e aguentam a truculência da polícia há vários anos quando por fim se sentem fortes o bastante para fazer algo. Danny é um personagem fictício que chega apenas dois meses antes da revolta acontecer.

Jeremy Irvine faz um papel correto. Seu personagem é melindroso demais, mas não podemos culpar exatamente o ator, afinal Danny era um menino do interior. Jonny Beauchamp brilha com seu personagem Ray, ou Ramona dependendo da hora do dia, o qual vive a parte difícil de ser gay e sozinho: apanha da polícia, dos clientes, vai preso, perde amigos, mas ainda assim não deixa de ser desafiador e provocador quando necessário.

No filme aparece personagens importantes da revolta, como Marsha P. Johnson (interpretado por Ojota Abit), uma drag queen que lutou pelo direito das drags e transgenêros, Bob Kohler (Patrick Garrow), que foi um dos pioneiros pela luta LGBT, entre outros personagens que foram bem interpretados na maioria dos casos, mas apenas aparecem como coadjuvantes.

A trilha sonora remete ao fim da década de 60, com músicas de boate mesmo e, em um certo momento, a música Amor do Carnaval, que aparece em português para embalar uma das cenas. Vemos também muitos topetes, jaquetas de couro, roupas esvoaçantes, maquiagens e outras coisas que começavam a ser tendência e desencadearia na década de 70.

Stonewall é um filme que pode sim trazer um divertimento e ser bacana, só não deveria ter usado um evento tão importante como pano de fundo. A revolta daquele dia já tinham personagens com bem mais apelo que dariam um filme mais imponente e que faria justiça ao que foi realmente. O diretor Roland Emmerich não foi capaz de fazer um bom projeto, apenas um filme levemente entretido.

Stonewall estreia dia 29 de setembro em território nacional.

Crítica: Stonewall
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