stposterFicha Técnica de Stranger Things.

Criador: Matt Duffer, Ross Duffer.

Diretor: Matt Duffer, Ross Duffer e Shawn Levy.

Roteirista: Matt Duffer, Ross Duffer, Jessie, Justin Doble, Paul Dichter, Jessica Mecklenburg e Alison Tatlock.

Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Noah Schnapp, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Cara Buono, Matthew Modine, Joe Keery…

Sinopse: Em uma pequena cidade onde todos se conhecem, um evento peculiar toma conta da comunidade: o desaparecimento de uma criança. Isso desencadeia uma série de eventos paranormais e sobrenaturais na região que fazem com que um grupo de amigos se reúna em busca de seu membro perdido.

Ah, filmes dos anos 80 <3. Recentemente tivemos algumas obras referenciando essa gloriosa década: Super8, Midnight Special, e agora o recente lançamento original Netflix: Stranger Things. A série causou uma comoção mundial, no Facebook só se fala disso. Os atores ficaram reconhecidos, e agora as portas estão abertas para futuros projetos. A história é um prato cheio para quem gosta de E.T, Goonies, Akira, Conta Comigo, It… E uma série de outras obras do gênero.

Stranger Things acertadamente escolhe a própria década de 80 para situar sua história. Mike, Dustin, Lucas e a misteriosa Eleven embarcam em uma jornada para resgatar o amigo, Will. Porém, no meio do caminho eles se deparam com conspirações dos militares, o passado obscuro da Eleven e um drama pessoal do delegado Jim Hopper.

É interessante notar o estilo de direção dos irmãos Duffer, que escolhem referenciar filmes do passado a colocar uma marca própria. Não é algo ruim, pois a direção na primeira metade do seriado é totalmente contida, focando mais nos dramas alheios.  Eleven olhando-se no espelho para mostrar uma busca por identidade, o grupo de amigos jogando RPG, prenunciando o que irá acontecer durante a série, e o delegado com a casa sempre bagunçada refletindo seu interior conturbado por uma perda.

Sendo assim, o roteiro divide-se em três núcleos que hora ou outra se juntam. Núcleo: Infantil, Adolescente e Adulto. O infantil é melhor do que os outros dois, a interação entre as personagens é muito boa. Apesar de poucos episódios, você sente que a relação vem bem de antes, facilitando assim a preocupação do espectador por aquelas personagens, mesmo que o tempo de tela tenha sido curto.

Já o núcleo adulto acaba sendo um pouco inferior ao infantil. Contendo vários estereótipos como os pais burros, o pai ausente e o vilão que não esboça uma emoção sequer. Porém, o aprofundamento no delegado Jim e na mãe do Will (Joyce) acabam por fazer valer a pena acompanhar os adultos. Jim mostra-se alguém que guarda para si os sentimentos de perda e angústia, hora ou outra contrastando com sua total falta de paciência que faz com que só resolva os problemas com socos. Joyce faz um contraponto interessante, interpretando uma mãe extremamente abalada com o desaparecimento do filho, e soltando para fora seus sentimentos. Os dois embarcam em uma jornada para descobrir as conspirações dos militares. Aos poucos, isso vai ficando bem interessante, pois, nada é entregue em apenas um episódio.

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Entretanto, o núcleo adolescente é uma total perda de tempo. Focando em romances e inseguranças adolescentes nada interessantes: como primeira vez, ser fora do padrão, e ser extremamente popular. Se o sentido dessa patota adolescente era emular os filmes do John Hughes, erraram miseravelmente. Steve, Jonathan e Nancy nada mais são do que respectivamente: o estereótipo do valentão, o nerd deslocado e a virgem puritana. Que, curiosamente, todos tem um arco de mudança abrupto sendo resolvido na base de porrada.

A direção na segunda metade mantém a boa qualidade nos dramas e consegue muito bem criar o clima de tensão. A mudança de fotografia de um lugar seguro para outro inseguro é feita de uma boa forma. É estranho o suficiente para causar um desconforto, mas não o bastante para não ficar palpável. Infelizmente escorrega em alguns flashbacks desnecessários, tentando fazer ligação de um diálogo com algo que aconteceu apenas alguns episódios atrás. Também peca em dar muito tempo de tela para desenvolver os péssimos adolescentes.

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Três atuações merecem destaques positivamente: Winona Ryder (Joyce), David Harbour (Jim) e Millie Bobby (Eleven). Winona consegue transmitir perfeitamente a angústia de sua personagem. É notável seu exagero em gritos e choros, mas que serve perfeitamente para sentirmos o amor da mãe pelo seu filho desaparecido – já que o tempo de tela dele não nos permite essa aproximação. David atua pelas expressões faciais, pois podemos perceber que está escondendo uma dor dentro de si. Millie faz a personagem mais difícil da série. Tendo poucas falas e atuando mais com os olhos. Seu desempenho é perfeito, conseguindo transmitir todas as emoções necessárias com o olhar.

As atuações negativas ficam por conta de Natalie Dyer (Nancy), Charlie Heaton (Jonathan) e Joe Keery (Steve). Com personagens que não passam de estereótipos, os atores ainda fazem o desfavor de não se esforçarem. Natalie sempre está com cara de quem bebeu leite estragado. Charlie faz cara de choro mesmo quando recebe uma boa notícia. E Joe Keery não sabe o que está fazendo.

Por fim, Stranger Things é uma bela colcha de retalhos dos grandes filmes de Sci-fi/fantasia, trazendo uma bela sensação de nostalgia e divertimento. E embora tenha tempo e talento necessário para voar, a própria corta suas asas para ficar no chão olhando quem já voou na década de 80.

Por Will Bongiolo

Crítica: Stranger Things (2016)
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