No mundo das séries, o sumiço do personagem principal não é algo novo. O que, de fato, pode mudar o rumo e deixar a obra interessante é como é feita a busca e a resolução de como ocorreu o desaparecimento. Com uma mistura de “Pretty Little Liars”, no quesito de deixar pistas e de “Stranger Things”, pelo raptado ser uma criança, a nova série da CTV, “The disappearance”, vai saber prender o telespectador até o final, além de o deixar bastante coerente.

A história começa com Anthony (Michael Riendeau), de 10 anos, mostrando seu trabalho proposto pela escola. A ideia era pesquisar sobre alguma cultura e, depois, descrever os costumes daquelas pessoas. Em vez de Anthony ser uma criança normal, que procuraria uma cultura mais simples, a criatividade do menino fez com que ele se envolvesse em problemas. A criança, mesmo sem saber desse conceito, criou um projeto de antropologia urbana, em que pesquisou e averiguou atividades dos moradores da sua vizinhança. Isto é, além de descrever com os mínimos detalhes em uma pasta larga, o menino gostava de tirar fotos com sua máquina, gravando momentos íntimos e secretos de parentes de seus colegas de classe.

Sendo assim, os pais foram chamados na escola pela professora. A partir dessa cena, logo no início do piloto, é possível perceber que a vida de Anthony não é muito organizada. Com o pai trabalhando em um estúdio de música e a mãe tendo um cargo importante em um laboratório, o menino passa grande parte do tempo com o avô Henry (Peter Coyote). Uma vez que a mãe de Luke (Aden Young), pai de Anthony, faleceu, o avô se mudou para a casa ao lado da deles, fazendo com que, semelhante a vida real, a família tenha problemas.

Conforme já foi mencionado, a vida de Anthony não conseguiria ser normal, visto que os pais acabaram de se divorciar, trabalham bastante e a sua referência é o avô, um ex-juiz que, apesar de ter um relacionamento conturbado com o filho e a filha, Catherine (Joanne Kelly), conseguiu ser diferente em relação ao neto. Além desse núcleo, a trama trata de um casal em que a mulher havia sido estuprada, mas tinha tomado a decisão de continuar com o bebê. Depois de recebermos a ideia de que aquilo era um flashback e estava completamente ligada a história da família Sullivan, o quebra-cabeça é começado.

O desaparecimento do menino ocorreu em uma caça ao tesouro clássica entre ele e o avô, durante seu aniversário de 10 anos. Dessa forma, assim como os dois gostavam de um desafio, o sequestrador irá jogar com as mesmas cartas, testando o raciocínio de Henry.

Em paralelo ao sequestro, há outros dramas vividos, como o envolvimento de Catherine com um de seus pacientes com leucemia e as idas e vindas do casal recém separado, Luke e Helen, pais de Anthony. Em um bom resumo de todos as pequenas histórias compartilhadas, todos estão muito carentes e perdidos após dois anos terem se passado desde que o ruivinho desapareceu.

O desenvolvimento da série, escrita por Normand Daneau e Geneviève Simard, é muito boa. Conseguiu se desvencilhar dos clássicos desaparecimentos, mas, de certa forma, ficou na zona de conforto com o clichê do filho bastardo e rejeitado. O diretor Peter Stebbings encaixou o enredo em seis episódios de, aproximadamente, 45 minutos, fazendo com que não fosse uma série difícil de ser assistida.

Diferentemente de muitas obras do gênero que, a priori, empolgam e, depois, cospem o final, “The disappearance” soube criar um mistério e solucioná-lo, não deixando óbvio até o penúltimo episódio, em que, somente quase chegando ao fim, foi viável criar uma teoria.

Contudo, por mais que tenham concluído de forma aceitável e que a história realmente fizesse sentido, a finalização não foi a melhor. Não que a história de que o “bem sempre vence” seja obrigatória, mas, realmente, o final feliz completo teria sido uma escolha merecida por todos os personagens. Ademais, mesmo com os detalhes encaixados de forma precisa, algumas partes foram confusas, no sentido de que se a série iria pegar um lado mais pesado da temática ou se seria elaborada de forma mais precisa e sem exageros.

Confira o trailer abaixo:

Crítica: The Disappearance
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