Você acredita em vida após a morte? E “lugar bom” e “lugar ruim”? Essa é a premissa de The Good Place, exibida na NBC, que acaba de chegar na Netflix. Criada por Michael Schur, a série tem Kristen Bell (de Veronica Mars) e Ted Danson (de CSI) no elenco. A maratona é obrigatória, mas a reflexão não fica de lado. Apresentações feitas, confira a crítica da Woo! Magazine.

The Good Place conta a história de Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), que morre e vai parar no “Lugar Bom”. Esse local foi criado por Michael (Ted Danson) e é o paraíso, para onde só vão pessoas que fizeram boas ações na Terra. Mas, Eleanor é um erro, pois ela não teve boas atitudes enquanto estava viva e, para não ser mandada para o “Lugar Ruim”, deve esconder a verdade dos outros e de Michael.

O “Lugar Bom” possui algumas características que o compõe como tal. Lá, ninguém pode falar palavrões, não existe como ficar bêbado e frozen yogurt é algo muito consumido pelos habitantes. Cada um tem sua alma gêmea, e suas casas são decoradas de acordo com a sua personalidade na Terra. A verdadeira personificação do paraíso só é abalada com a chegada de Eleanor, que acaba causando uns desastres por conta de suas atitudes. Ela pode contar com a ajuda de Chidi (William Jackson Harper), que além de ser sua “falsa alma gêmea”, também a ajuda com aulas de ética e ensinamentos para se tornar uma boa pessoa e merecer estar no “Lugar Bom”.

Michael Shur, que criou The Office e Parks and Recreation, faz um trabalho brilhante em “The Good Place”. A trama vai além do mistério de Eleanor, pois também questiona o que diferencia boas atitudes e más atitudes sob pontos de vistas diferentes. Outro ponto interessante é a não existência de um lugar “mediano”, que contemple quem não faz parte de nenhum extremo. No final da temporada, somos apresentados aos moradores do “Lugar Ruim”, que acaba sendo o oposto do “Lugar Bom”.

A excelente ideia de Shur e um elenco com um entrosamento de dar inveja a muitas outras sitcoms, criam uma série que carrega a comédia junto de um leve suspense. É pra suprir aquele vazio em que precisamos de algo bom passando na televisão pra distrair, rir, e também se sentir hipnotizado pela trama oferecida.

Kristen Bell, que ficou conhecida por dar vida a Veronica Mars, pode também ser lembrada do cômico e apaixonante “Quando Em Roma”. Na série, Kristen faz um ótimo papel como a “Falsa Eleanor”, que é mal educada, grossa, irresponsável e oportunista. É interessante ver a mudança gradual da personagem após as aulas com Chidi. William Jackson Harper também dá um show como o indeciso professor de ética Chidi, que é tão ingênuo a ponto de se espantar com a falta de limites de Eleanor.

Ted Danson é uma verdadeira surpresa com o “bom samaritano” Michael, criador do “Lugar Bom”. Depois de anos à frente da equipe de CSI: Crime Scene Investigation, Danson consegue surpreender em seu papel, apesar de ser esperado, pois Danson é conhecido pela sitcom Cheers, famosa nos anos 80. Também é justo dar destaque a Manny Jacinto que interpreta dois personagens distintos e necessários para dar ênfase na questão do que é ser bom ou ruim, e Jameela Jamil no papel da socialite Tahani Al-Amil. A atriz D’Arcy Carden interpreta o robô Janet, que é uma mão direita para Michael. É interessante ver a composição da atriz, uma vez que um robô é incapaz de ter sentimentos.

O único problema é que a narrativa se prolonga muito para o desfecho. Poderia, de certa forma, ter sido encurtado ou resumido. Não é tão ruim assim e não afeta em nada o curso da história, pois (e aqui vai um comentário para atiçar os seriadores assíduos), o final da temporada é incrível. Não pode nem ser chamado de um final na verdade, pois os episódios estão sendo disponibilizados semanalmente, então é possível emendar uma temporada na outra.

Em “The Good Place” temos um roteiro diversificado, que não é previsível e sabe ser cômico sem exageros, não força as situações que acontecem. O final, como dito, é surpreendente. A continuidade entre temporadas também é um ótimo recurso, que prende o público por mais episódios. Há tempos não havia uma série tão brilhante e atrativa, um acerto para a Netflix investir em transmiti-la.

Crítica: The Good Place
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