Crítica: The Marvelous Mrs. Maisel

“The Marvelous Mrs. Maisel” é, definitivamente, uma obra que se trata de relacionamentos. Não somente amorosos, mas também entre familiares e, principalmente, o que deveria ser o número um na vida de qualquer pessoa: a relação com si mesmo. A nova aposta do casal Palladino mostrou, mais uma vez, um trabalho magnífico de duas mentes brilhantemente criativas e divertidas. Sim, é possível comparar a série com a de grande sucesso do portfólio de Amy e Daniel, mas, por mais que Mrs. Maisel pareça uma parente de Lorelai Gilmore, com toda certeza, soube marcar o lugar em cada um dos corações que foram “gilmorizados”.

A história gira em torno de Miriam Maisel (Rachel Brosnahan), uma bonita e elegante judia, com dois filhos pequenos e um marido aspirante a comediante. Apesar de uma boa parte achar que Joel (Michael Zegen) não leve jeito para essa área, a esposa faz de tudo para agradá-lo e ajuda-lo no ramo. Com subornos por meio de comidas bem-feitas, Midge, apelido da protagonista, tem um pequeno caderno em que anota e analisa metodicamente as risadas e os truques do esposo. Só sabendo dessa parte da trama já é visível que a vida da Sra. Maisel seria voltada para seu companheiro, fazendo com que ela se esqueça de quem ela realmente é.

Quando Joel decide deixá-la após uma noite ruim no “Gaslight Café” – bar onde se apresentava com suas piadas ruins –, a vida de Miriam começa a mudar. Com o término, a mais nova solteira do Upper West Side resolve voltar ao lugar para tentar entender o motivo de ter sido abandonada. Por mais que pareça errado e até um pouco patético da parte dela, a dor de cotovelo fez com que a Lorelai dos anos 50 percebesse o grande talento que ela estava guardando por sempre estar em segundo plano – graças ao pai de seus filhos.

Mesmo que ela já conhecesse Susie Meyerson (Alex Borstein) do local, as duas acabam se aproximando depois do ato improvisado de Midge. Dessa forma, ao longo dos outros sete episódios, Miriam busca uma nova meta para sua vida e para de se preocupar em preparar espaço para o marido. Não mais se programar para acordar antes do despertador a fim de que Joel não a visse em seu estado natural após uma noite longa de sono. Não mais medir sua panturrilha, sua perna, sua cintura só para saber se seus moldes estavam bons o suficiente para agradar o “homem” da casa. Só assim, com Joel saindo de casa, ela conseguiu arrumar o seu próprio lugar, sem tarefas domésticas e deveres de esposa.A obra se passa nos anos 50, mas sua temática é atemporal, assim como “Gilmore Girls” era. Ambas as produções tinham famílias um tanto complicadas e doidas, com pessoas de temperamento forte e suas manias esquisitas que faziam com que os telespectadores rissem. A ficção da Prime Video, mesmo que com uma jarra inteira a mais de comédia que a anterior, fornece as mesmas reflexões, com o acréscimo de muitas outras.

Amy Sherman, uma das cabeças por trás dessa fantástica loucura, sabe bem o que faz. Desde a escolha perfeita de cada ator e atriz, como os timings de cada cena. A piada é sempre a certa, a aflição tem sempre um embasamento e, acima de tudo, a conclusão é sempre a ideal. Ao desenharem a linha de tempo de cada episódio, os roteiristas obtiveram o resultado de uma nova Mrs. Maisel. Houve a manutenção da personalidade forte, mas eles foram além. Uma nova mulher, uma nova filha foi criada e desenvolvida por causa do que chamamos de “vida”.

A experiência de Midge tinha sido somente ser um mero planeta que girava em torno do Sol Joel. Portanto, quando a separação ocorreu, mesmo que contra sua vontade, ela respirou. Conquistou novos territórios, conquistou sua liberdade e se reinventou. Já o marido, teve que aguentar a decisão mais estúpida que havia feito. Contudo, todos nós sabemos que existem muitos “Joels” e muitas “Miriams”.Pela segunda tentativa bem-sucedida, Amy e Daniel refletem a realidade a nossa volta para o mundo do entretenimento. Basicamente como se fossem professores do primário, de forma didática, explicam os altos e baixos entre marido e mulher, mãe e filha e nas amizades. O final da primeira temporada, assim como ocorreu em cada frame a priori, se encaixou e fez com que fosse real cada parte daquela história.

É viável a existência de casamentos que um lado sempre precisou abrir mão mais, do mesmo jeito que o outro pode nunca ter reparado em um pingo de esforço do seu companheiro. Joel reparou na marca apertada do sutiã pela primeira vez em anos, assim como, em uma noite qualquer no Gaslight, percebeu que sua amada tinha uma vida e muitos desejos que não eram relacionados com o que ele queria.

Novamente, ovacionar seria pouco para mais um desenvolvimento impecável de todos os envolvidos. Gilmore será para sempre uma marca histórica de originalidade e terapia, mas Marvelous Mrs. Maisel” traz nostalgia de um tempo não vivido pela maioria de nós, além de revelar o grande poder do povo feminino, seja ele do século XXI ou o passado. Sendo assim, a única coisa que resta é esperar pela a segunda temporada e que possamos mais uma vez sermos ensinados como se faz um programa de tv de sucesso.

Confira o trailer abaixo:

Crítica: The Marvelous Mrs. Maisel
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