Em “Transformers: O Último Cavaleiro” Michael Bay esmaga dois planetas juntos, uma catástrofe com a qual indagamos: “dezenas de milhões morreram!”. São cenas que cidades inteiras são arrancadas da superfície da Terra com a indiferença de uma unha que atravessa uma barra de sabão. Por definição, esta é a maior peça de ação que Bay já concebeu – a menos que em seu próximo filme ele faça com que dois planetas maiores colidam, ou jogue uma lua sobre os dois . Mas, a sequência absurda da destruição da terra é uma experiência cinematográfica que nenhum outro cineasta poderia ter possivelmente inventado. Há aviões de combate ao fundo, os planos estremecem, os robôs gigantes combatem com espadas e foguetes enquanto a superfície se inclina freneticamente, tudo em  3D e  IMAX, o que ajudam a deixar os olhos quase o tempo todo hipnotizados.

“Transformers: O Último Cavaleiro” possui duas horas e vinte oito minutos de duração, mas é tão truncado e repetitivo que parece ter o dobro dessa duração. Assim como o resto da série, esse mostra os Autobots (bons) lutando contra os Decepticons (maus) por que, simplesmente, é isso eles fazem. Há a mistura da história dos Transformers com as lendas humanas, quase ao ponto de fazer parecer que a Terra pertence mais a esses grandes robôs antigos do que a nós. Desta vez é Rei Arthur, onde vemos que Merlin (Stanley Tucci) recebe a chave para salvar o planeta Cybertron. Se isso soa familiar, é porque se trata da mesma ideia usada em quase todos os filmes de Transformers até o momento, como no primeiro, onde um par de óculos empoeirados era o item necessário para salvar o planeta.

Mark Wahlberg está de volta como Cade Yeager e gasta todo o seu tempo no filme parecendo confuso por todas as situações que presencia. Ele é ajudado pela professora da Universidade de Oxford Vivian Wembley (Laura Haddock), que não acrescenta nada mais em relação às outras protagonistas femininas da franquia que não seja seus atributos físicos. Um dos maiores destaques é Anthony Hopkins balbuciando sobre robôs como historiador e astrônomo Sir Edmund Burton. Ouvir um ator ganhador do Oscar e um verdadeiro cavaleiro britânico falando detalhadamente de Autobots foi genuinamente engraçado, seja intencional ou não. Isso é ajudado por seu mordomo robô Cogman, trazido à vida por Jim Carter, que faz aqui uma cópia exata de seu personagem mordomo de Downton Abbey. Vale a pena pagar para ver esses dois em seu próprio filme, resolvendo mistérios espaciais no Reino Unido. Mas, infelizmente, o potencial é aqui desperdiçado.

Wahlberg e seus amigos acabam envolvidos no enredo para encontrar a chave de Merlin e ajudar os Autobots a restaurar Cybertron a sua antiga glória. Desta vez, eles não estão apenas contra os Decepticons, já que Bay adicionou outro grupo de antagonistas à mistura, a tropa governamental chamada de Transformers Reaction Force. Esses mercenários são encarregados de libertar o mundo de todos os Transformers, mas servem apenas como ligeiros solavancos na estrada de Wahlberg e companhia. Um dos principais problemas com os personagens de “Transformers: O Último Cavaleiro” é que, assim como personagens de novelas, dizem em voz alta o que estão sentindo, deixando óbvio o que era para ser algo subjetivo, mesmo em um filme comercial de verão. É como se Bay não confiasse em sua audiência o suficiente para deixá-los trabalhar até mesmo nas situações mais evidentes – irônico, dada a duração obscena do filme.

Há a inserção de novos personagens de metal na trama, alguns têm vozes de celebridades – Steve Buscemi, Omar Sy e John Goodman dão seus gritos metálicos – mas a ação se move a um ritmo tão intenso que é difícil distinguir um do outro. Isto é particularmente verdadeiro para o recém-chegado Canopy, que parece uma cópia de Bumblebee, exceto por uma pilha suja de tijolos presos nas costas. Adicione as semelhanças entre os Transformers a um enredo já complicado, e a coisa toda acaba saltando como uma enorme e brilhante (no sentido de lustroso) bagunça.

Contudo, algumas cenas envolvendo os humanos sobressaem a essa bagunça visual da batalha dos robôs. Uma em particular, é a sequência de ação excitante envolvendo Wahlberg correndo por uma estação espacial caída e que está sendo atacada não só por Decepticons mas também por maremotos gigantes. Tudo isso parte do fato de que Michael Bay vem produzindo filmes de Transformers por mais de dez anos, e de lá para cá a série quase não mudou. “O Último Cavaleiro” é o capitulo mais bem produzido e explosivo, mas, com um argumento reciclado, contado através de um roteiro excessivamente fora de linha, interpretado por um desfile de personagens confusos e com cenas de ação ilegíveis. Problemas que não ajudam em nada para aqueles que tentam justificar a sua existência.

Crítica: Transformers - O Último Cavaleiro
6Valor Total
Votação do Leitor 0 Votos
0.0