Crítica: Um Crime Americano

um-crime-americanoPara quem gosta de um bom drama e tem estômago forte, “Um Crime Americano” é daqueles filmes que faz você refletir e muito, até onde o ser humano é capaz de chegar. Não raro, nos deparamos com  alguma notícia de violência, algum crime que envolve fatos mirabolantes que ficamos nos perguntando como é possível ser real, alguns, de tão surreais acabam caindo nas garras de Hollywood, foi o que aconteceu com o caso de Sylvia Likens. Baseado em uma história real, o filme se passa em 1965 e narra a trágica hospedagem de Sylvia e Jennie Likens, duas jovens irmãs, na casa de Gertrude Baniszweski.

No estado de Indiana, nos EUA, em 1965, um casal de artistas circenses, constantemente em viagem pelo país, decide deixar suas duas filhas aos cuidados de uma senhora aparentemente tranquila e respeitada por todos, na idéia de dar às meninas um lar estável, até que voltem da temporada de viagens com o circo, mal sabiam que seus planos não sairiam como esperado.

O filme mostra a relação de Gertrude com seus diversos filhos, sua difícil condição financeira e um emocional que se revela com a chegada das meninas em sua casa, as quais oferece para tomar conta em troca de 20 dólares semanais. Com pouca mas melancólica trilha sonora, o drama fica ainda mais expressivo. Seu figurino se torna simples, não chamando muita atenção, deixando a narrativa toda focada na história propriamente dita.

No papel principal, Ellen Page (de Juno), que vive Sylvia, consegue com maestria interpretar a sofrida temporada que a jovem viveu na casa de Gertrude, vivida por Catherine Keener, que também presenteia o público com uma exibição de destaque, na pele da mãe solteira de sete crianças, que tenta ou não manter sua sanidade mental.

O diretor Tommy O’Haver, (de “Volta por Cima” e “Uma Garota Encantada”) surpreende com uma narrativa enxuta, utilizando-se de um roteiro quase 100% em cima de transcrições oficiais retiradas dos autos do julgamento, o que confere uma veracidade ainda maior.

O filme apesar de forte não se torna apelativo, foi retratado com menos brutalidade que o real, muitos fatos foram “minimizados” ou nem retratados, mas o impacto e a surpresa de quem o assiste é inevitável, conhecendo ou não a história ocorrida em 1965. E acaba levemente fazendo uma crítica às relações humanas, a capacidade do “outro” em fechar os olhos para um problema aparente.

“Um Crime Americano” teve sua exibição nos cinemas brasileiros  em 2008, mas ainda assim, vale muito a pena assstir.

Por Bruna Tinoco

Crítica: Um Crime Americano
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