Em 2000, Al Gore perdeu de forma praticamente fraudulenta as eleições à presidência dos Estados Unidos para seu adversário George W Bush. Em 2007, quando o obscuro governo Bush ainda estava em vigor, Gore recebeu o prêmio Nobel da Paz pelos seus esforços na construção e disseminação de maior conhecimento sobre as alterações climáticas induzidas pelo homem. Ainda no mesmo ano também viu o documentário em que é o personagem principal “Uma Verdade Inconveniente” ganhar o Oscar. De lá para cá, o ex vice-presidente se tornou o símbolo do combate ao aquecimento global e conseguiu vitórias e também algumas derrotas na carreira.

“Uma Verdade Mais Inconveniente” serve para mostrar essas vitórias e derrotas e fazer um panorama da situação que se encontra as questões ambientais entre 2016 e 2017. Vemos as palestras, as visitas a áreas afetadas por enchentes e rios no ártico, onde antes se encontravam enormes geleiras. O filme mostra o dia a dia de Gore e apresenta dados que provam a verdadeira destruição que o humano está causando. Aquelas imagens clichês (mas necessárias), que mostram os grandes blocos de gelo se descolando são constantes durante a projeção e toda vez que são mostradas dá aquele frio na espinha, talvez pela culpa ou mesmo pelo medo do futuro de nosso planeta.

Tecnicamente não há nada que fuja do normal na produção. Como dito, o limite é mostrar as andanças de seu protagonista, o que de fato não é uma surpresa, já que a mensagem é mais importante do que a forma. O interessante é ver trechos de reuniões com figuras importantes. Um deles é John Kerry, o secretário de Estado dos Estados Unidos entre 2013 e 2017, que trabalha com Gore para que o acordo do clima de Paris em 2016 saia do papel. A câmera passeia pelos corredores de pessoas que possuem o poder de mudar a situação atual, mas nem todas estão dispostas a isso. Como os representantes da Índia, que inicialmente se recusaram a abandonar as usinas de carvão em prol de uma geração de energia mais limpa. Foi preciso um enorme esforço de Gore, que usou todos os seus contatos para fazer com que o país asiático entrasse no acordo.

O clímax do filme é em uma Paris sofrendo com ataques terroristas, o que aumenta a tensão dos participantes da conferência pré assinatura do acordo. A capacidade em fazer política e o carisma de quem defende a causa do clima são cada vez mais importantes devido à grande quantidade de pessoas que tentam provar que o aquecimento global é uma mentira usando a chamada pseudociência. “Uma Verdade Mais Inconveniente” é um eficiente instrumento para fazer com que aqueles que ainda estão indecisos abram os olhos para o problema. A boa ciência está aí para todos que queiram conferir os dados, mas a verdade está lá fora, basta abrir a janela e presenciar os cada vez mais frequentes furacões, enchentes, incêndios em florestas, altas temperaturas, etc.

Uma grande derrota para o mundo foi a eleição de um retrógrado como Donald Trump. O novo presidente decidiu, baseado provavelmente naquela pseudociência, em abandonar o acordo de Paris e voltar a queimar carvão (como a Índia, o dito país de terceiro mundo) para, segundo ele, manter os empregos do povo americano. No documentário vemos um Gore abatido por essa decisão. Seu rosto mostra a decepção com sua própria nação. Há a famosa frase: “A situação tende a piorar antes de começar a melhorar”. Tomara que Gore acredite nela, porque todo o resto daqueles que lutam como ele parecem estar perdendo as esperanças. Esse documentário é quase um pedido de ajuda, cabe a cada um de nós atendê-lo.

Crítica: Uma verdade mais inconveniente
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