Crítica: Viva – A Vida é uma Festa

Viva - a vida é uma festa

“Viva – A Vida é uma Festa” é um longa-metragem da Disney Pixar, sob direção de Lee Unkrich (“O Bom Dinossauro” e “Toy Story 3”) em parceria com o roteirista mexicano Adrian Molina, que inspirou a ideia original do filme. A produção é uma belíssima combinação de drama, aventura, fantasia e uma boa pitada de comédia, envolvendo todos os sentimentos mais profundos que podem ser despertados no espectador.

Narra a história de Miguel, uma criança mexicana de apenas 12 anos que pretende ser um grande músico, apesar de toda a geração de sua família ter aversão a tudo que lembre o mundo da música, isso devido ao misterioso desaparecimento de seu tataravô que havia largado tudo para viver o mesmo sonho – de conquistar os palcos do mundo inteiro.

Nesta sua ânsia, Miguel vive o conflito entre seguir a tradição da família de ser um sapateiro, ou buscar a realização de suas aspirações. O enredo se passa no feriado do Dia dos Mortos, uma cultura de grande importância no México. A trama começa a se desenrolar nesse contexto, onde o garoto se vê em muitas encrencas na companhia de seu cãozinho de rua Dante e seu novo amigo do Mundo dos Mortos, Hector (aparentemente um charlatão, mas que traz grandes surpresas no desenrolar da história), na esperança de encontrar seu ídolo Ernesto de La Cruz, um falecido artista famoso.

Um filme que supera qualquer expectativa, já que, apesar de ser uma animação, traz também grandes reflexões sobre a vida e a morte, mostrando a importância de valorizar e respeitar a família – mesmo que muitas vezes o que planejam e sonham para nós não seja exatamente o que desejamos. A produção revela o quão é necessário ter e manter as raízes e tradições desta instituição, além, é claro, de ser bem detalhado e didático quanto à festa e os costumes mexicanos no Dia dos Mortos. Algo que para muitos de cultura diferente é um tanto quanto incompreensível, já que, para nós, o Dia de Finados é encarado de forma mais sóbria e saudosista – diferente da animação que apresenta novas vertentes, levando o espectador a entender e até mesmo vivenciar com um novo olhar a memória dos entes que já se foram.

E, por falar em importância, o roteiro de Adrian Molina e Matthew Aldrich – bem como a beleza de sua narrativa vêm em um momento propício, depois das infelizes declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump em 2015. Ao contrário do que foi dito, o longa traz a riqueza que há na cultura mexicana, com suas tradições, festas, vestimentas, alimentação e principalmente a música, que também é tema central da animação.

Ao contrário do que muito se espera dos filmes da Disney, com animações em forma de musical, trazendo novas canções a cada “cinco minutos”, a trilha sonora de “Viva” é composta por poucas canções, mas todas envolventes. O trabalho de Michael Giacchino (“Planeta dos Macacos – A Guerra”) faz jus a cultura em questão, abordando seus significados e profundidade, e tem como destaque a canção “Remember-me” – interpretada por Miguel e a cantora Natalia Lafourcade.

Quanto aos gráficos da animação, como toda a produção que a Disney e a Pixar trazem, esses não decepcionam. Pelo contrário, encantam com suas riquezas de detalhes que chegam próximos à perfeição. O que fica ainda mais interessante com a bela fotografia, focada em cores fortes e vibrantes, que fornece uma emoção extra ao longa.

O destaque da vez vai para a presença ilustre e magnífica da artista revolucionária Frida Kahlo, que não só aparece, mas é lembrada por diversas vezes no filme, tornando assim, sua presença uma divertida e inusitada homenagem póstuma. E, já que o assunto aqui é homenagem, não deixem de ver o pós crédito, que tem uma breve, mas singela homenagem aos mortos.

“Viva – A vida é uma festa” já estreou no México e tornou-se o mais novo sucesso de bilheteria do país, confirmando assim que, o filme é fiel à cultura local, sem exageros ou estereótipos – como é arriscado de acontecer. E ainda por cima, o filme está concorrendo a dez prêmios na 45ª edição do Annie Awards 2018. Por aqui no Brasil, a animação só chega mesmo no dia 04 de janeiro. Então, não deixe de assistir nos cinemas e aproveitar essa nova obra de arte da Disney/Pixar.

Crítica: Viva - A Vida é uma Festa
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