Os fãs de “Gossip Girl”, em especial do ator Ed Westwick, poderão matar a saudade de vê-lo em cena através de White Gold. A série estreou dia 16 de agosto na Netflix, em seis episódios com cerca de trinta minutos cada e ainda conta com James Buckley e Joe Thomas ao lado de Westwick nos papéis principais. Contudo, a trama da BBC beira o non-sense, sendo um manual de canalhice e nada além disso.

O ano é 1983 e estamos em Essex, na Inglaterra, onde Vincent Swan (Westwick) trabalha vendendo janelas, junto de Brian Fitzpatrick (Buckley) e Martin Lavender (Thomas). O trio, que se difere muito entre si, tem Swan como o líder de vendas, ainda que esse título seja conquistado desonestamente, uma vez que o mesmo engana os clientes – e tem orgulho em reconhecer-se como um canalha. Afinal, assim que se apresenta, ele deixa claro que o trio passará as pernas nos outros e ponto final. Os episódios são um manual completo de como fazer isso em benefício próprio.

Personagens como Vincent Swan não estão distantes da vida real. Vincent é manipulador, insensível, egocêntrico… é como fazer um ser humano composto somente por características negativas. Mal comparando, é como Don Draper, personagem de Mad Men, alguém que parece ser incapaz de separar valores entre bons e ruins. Mas, White Gold é repleta de pontos positivos que não podem ser descartados.

A série é praticamente toda feita com o recurso da quebra da quarta parede. Sim, Swan passa os seis episódios falando com você. Essa jogada é essencial para conectar o personagem do público e funciona. Aliado ao carisma de Westwick, cria-se também uma versão “sombria” de Chuck Bass, seu personagem em “Gossip Girl”, porém sem o sobrenome que escandalizava as elites de Manhattan. Aqui, Vincent Swan se recusa a pagar impostos e tem uma dívida com a Receita Federal.

A dupla Buckley e Thomas, que já trabalharam juntos em “The Inbetweeners”, voltam em papéis distintos: Fitzpatrick é machista, do tipo que não perde uma oportunidade de se dar bem. Lavender é um pouco oposto, é mais racional e parece ser deixado à margem algumas vezes, precisando se adequar para fazer parte do trio.

A série também acerta com a trilha sonora, com clássicos dos anos oitenta conhecidos pelo público, como “Another One Bites The Dust”, da banda britânica Queen, “Waiting For A Girl Like You”, do Foreigner e “September” do Earth, Wind & Fire. Ao todo são 101 faixas, divididas em listas por episódios e disponibilizadas no site da BBC e em streamings como Spotify e Deezer.

Ainda temos a produção de “White Gold”, que nos transporta para a época através de um figurino clássico, com cores que chamam a atenção facilmente. Outro ponto importante e muito citado no roteiro é sobre os carros. É notório a diferença de uma BMW de 1983 e de uma atual, e é bem interessante de se ver. Bem como a chegada de um computador na loja e a dificuldade em usá-lo, além de todos confundirem com uma televisão.

“White Gold” não é aquela série imperdível, mas ainda não é tão fácil saber se será aclamada pelas viúvas/viúvos de Chuck Bass, ou se realmente ganhará seu espaço dentro das sitcoms. Vale a segunda parte que foi encomendada já pela BBC, mas poderia ter sido apenas os primeiros seis episódios. A primeira parte está disponível na Netflix.

Crítica: White Gold
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