Amanhã é o dia da Consciência Negra e em alguns lugares do país é feriado. Sendo um dia de folga ou não, muitas pessoas esquecem o que deve ser lembrado ou até mesmo porque essa data foi escolhida. Em 20 de novembro de 1695 o escravizado Zumbi dos Palmares foi morto, ele era líder do maior quilombo do Brasil e lutava pelo fim da escravidão e contra a corte portuguesa. Deve-se lembrar amanhã da luta pelo seu povo, e o quão difícil era e ainda é a vida do negro no nosso país, e também ao redor do mundo. Existem três pessoas que sempre lembramos o nome quando o tema é a luta dos negros por direitos iguais dentro da sociedade e hoje a Woo! dá dicas de pontos turísticos por onde elas passaram e que você deve conhecer por fazer parte dessa história e cultura.

União dos Palmares – Alagoas

No estado de Alagoas está localizado o lugar onde existiu o Quilombo dos Palmares. Lá habitavam negros escravizados que haviam fugido dos seus “senhores” e buscavam uma vida de liberdade num período que estava longe da abolição da escravatura, eram cerca de 30 mil pessoas. O lugar foi invadido e muitos negros lutaram e morreram pela liberdade de seu povo. Para não deixar morrer essa importante parte da história, a região possui atualmente o Parque Memorial Quilombo dos Palmares como principal atração turística. O local recria como realmente o quilombo era na época em que ele existia, como uma verdadeira maquete viva. Seus pontos mais importantes são retratados, como Onjó de farinha (Casa de farinha), Onjó Cruzambê (Casa do Campo Santo), Oxile das ervas (Terreiro das ervas), Ocas indígenas e Muxima de Palmares (Coração de Palmares), que foram construídas com o mesmo material utilizado na época, paredes de pau-a-pique, cobertura vegetal e inscrições em banto e yorubá. Além disso, ao longo de todo o memorial existem áudios, musicas e textos em quatro idiomas diferentes, para que turistas de diversas nacionalidades possam entender o significado de todo esse local. É o primeiro parque no país que reconstitui o cenário de uma das mais importantes histórias de resistência à escravidão ocorridas no mundo.

Selma – EUA

Aided by Father James Robinson, Mrs. Coretta Scott King, widow of Dr. Martin Luther King, Jr., center, and John Lewis of the Voter Education Project, a crowd estimated by police at 5,000, march across the Edmund Pettus Bridge from Selma, Alabama Saturday, March 8, 1975. The march commemorated the decade since the violent struggle for voting rights began in 1965 with “Bloody Sunday” at the bridge as police tried to stop a march to Montgomery. (AP Photo)

Na década de 60 o povo norte americano estava vivendo o auge da segregação “racial” e desde muito antes os negros lutavam por seus direitos, discursavam, seguiam seus líderes, iam às ruas protestar, entre outros. Mas houve um homem que fez história nesse quesito e é mundialmente conhecido. O pastor Matin Luther King tinha apenas um desejo: que todos tivessem o direito ao voto no Alabama e em estados vizinhos. Mas ele era contra a luta armada, queria apenas ser ouvido, ter a atenção das autoridades e para isso convocou toda a população estadunidense para se juntar a ele numa passeata pacífica entra as cidades de Selma e Montgomery . Em prol desta luta muitos morreram, foram gravemente feridos, injustamente presos, mas no fim conseguiram o direito ao voto.

Isso infelizmente custou a vida de King, e a população não deixa cair no esquecimento tudo o que ele fez e os lugares por onde passou. A cidade de Birmingham é a primeira parada, pois lá existe o museu do Movimento dos Direitos Civis Americanos, que retrata toda a história da época e suas conquistas. Depois visite a cidade de Selma, onde existem outros museus importantes, que mostram a história do direito ao voto e artefatos que estiveram presentes durante as passeatas. Caminhe pela Ponte Edmund Pettus e vá em direção a Montgomery, o mesmo caminho trilhado pelos manifestantes na década de 60. Na cidade você ainda encontra a casa que Martin Luther King e sua família moraram, conhece a igreja onde ele pregou, e conhece em um museu um pouco mais da história dos manifestantes e o que eles sofriam naquela época por serem negros.

Robben Island – África do Sul 

Durante quase 50 anos a África do Sul viveu um regime de Apartheid que segregava a população do país entre brancos e negros. Existiam leis que determinavam o território da população negra, proibiam o casamento e relações sexuais inter-raciais, determinavam cadastramento racial, entre outros absurdos.  O principal líder contra esse movimento segregador foi Nelson Mandela.

O líder rebelde lutou durante anos contra essa política racista que privava muitos direitos aos negros. Muitas pessoas foram mortas e presas por estarem ao lado de Mandela e em 1964 o mesmo também por preso, sentenciado a prisão perpétua por sabotagem e conspiração contra o governo. Ele ficou preso por quase 30 anos na ilha de Robben Island.  Após ser solto, ganhou o Prêmio Nobel da Paz e toda a população sul africana teve direito ao voto, o que fez com que Mandela se tornasse o primeiro presidente negro do país.

Ele fez história ao acabar com o privilégio das minorias e abolir de vez o regime do Apartheid. Hoje em dia a prisão em que passou boa parte de sua vida é atração turística e recebe cerca de 700 visitantes por dia. Para chegar a Robben Island é preciso pegar um barco, pois o lugar fica a 20 minutos da Cidade do Cabo, capital do país. Alguns anos após Mandela e outros presos políticos serem libertados, a prisão foi desativada e em 1996 tornou-se museu e atração turística. O tour pelo lugar dura cerca de duas horas e visita pontos essenciais para a história, como a cela em que o líder africano viveu. Boa parte dos guias são ex-prisioneiros e ninguém melhor do que eles para contar o quão difícil foi estar naquele lugar por causa da luta pelos seus direitos.

O mundo é cercado de histórias comoventes de pessoas que lutaram contra o racismo e até os dias de hoje, em pleno século XXI, vira e mexe surgem novos personagens reais que mostram que a luta continua. Devemos valorizar a história daqueles que não desistiram de um mundo melhor. Então se você quer sentir de perto como foi cada momento, planeje uma viagem que te faça lembrar que certos lugares têm histórias tristes, mas que elas aconteceram para que pudéssemos ver um mundo mais justo, ainda não perfeito e ideal, mas menos ruim do que era antes. Lembremo-nos de Zumbi, King e Mandela e todos os outros!


*Tradução: Amparada pelo padre James Robinson, a senhora Coretta Scott King, viúva do Dr. Martin Luther King Jr., ao centro, e John Lewis da Voter Education Project, uma multidão estimada pela polícia em 5,000, marcham pela ponte Edmund Pettus Bridge em Selma, Alabama Sábado, 8 de março de 1975. A marcha comemorava uma década do início da luta pelo direito de votar que começou em 1965 com o “Domingo Sangrento” (Bloody Sunday) ocorrido na ponte quando a polícia tentou bloquear a marcha até Montgomery. (AP Photo)