A temática de vampiros definitivamente caiu no gosto popular e com isso vemos surgindo mais e mais histórias nos mais diversos formatos e mídias, como games, cinema, televisão, literatura e quadrinhos. Com isso o universo vampiresco foi ganhando novas variações e vertentes. Algumas linhas ainda seguem o bom e velho clássico instituído por Bram Stoker e Anne Rice enquanto outros procuram modernizar e até humanizar os sugadores de sangue. Em meio a esse vasto universo somos presenteados com um projeto que conquistou investimento pelo Catarse e gerou HQs interessantes acerca do tema.

“Draconian” teve sua primeira publicação em fins da década de 1990 quando teve algumas histórias curtas na revista RPG Dragão Brasil. Com influências claras de RPG, os quadrinhos contam rápidas passagens da vida destas criaturas da noite e sua dificuldade em se adaptar aos tempos modernos e seus desafios para se manterem vivos e ao mesmo tempo escondidos da sociedade. Dessa forma, os vampiros apresentados nas histórias, muito similares ao RPG Vampiro – A Máscara, mostram-se humanizados participando de encontros com amigos em bares e festas, trabalhando em lojas no período noturno, ou até mesmo fechando negócios escusos com traficantes de órgãos. Já em 2012 foi lançada uma coletânea com 9 histórias deste universo em uma edição bem caprichada.

Devido à boa repercussão da primeira edição, posteriormente foi lançado um volume mais enxuto contendo o spin-off de uma única história, porém mais longa. Viva Las Vegas! narra um episódio solo do vampiro Lenny, o qual vive suas desventuras na Cidade do Pecado, numa trama que mistura, nas palavras do autor, Se beber não case, Um drink no inferno e A morte lhe cai bem.

Aqui Lenny acaba de colocar as mãos em uma grande bolada de dinheiro e está justamente no melhor lugar do planeta para torrar todo o montante: Las Vegas. Sua ideia é curtir o máximo possível durante alguns dias e depois seguir em frente com grana suficiente, mas nem tudo sairá como o previsto. Junto com o vampiro estão Perro, um adestrador de cães não muito confiável e Tina, a bela e sedutora irmã dele.

O prenúncio de problemas se inicia quando Perro pede dinheiro emprestado a Lenny para poder participar da mais alta banca de apostas em poker da cidade. O objetivo do vampiro era apenas se divertir um pouco e curtir a noite com a garota, porém o amigo consegue convencê-lo de que é o melhor jogador e que conseguirá triplicar a bolada. Em pouco tempo essa argumentação toda se revela nada mais que um papinho de jogador inveterado e o óbvio acaba acontecendo: além de perder todo o dinheiro, Perro acabou se expondo à máfia que controla os jogos em diversos cassinos e está há tempos em busca do malandro que deve muito dinheiro.

A reviravolta acontece quando o chefão local sequestra Tina e Lenny decide partir em busca de sua amada. Isso vai dar chance a uma negociação ainda maior envolvendo personagens inesperados que realmente controlam Las Vegas, além de revelar um plano sórdido envolvendo grandes celebridades da música e do cinema.

O roteiro de “Draconian: Viva Las Vegas!” escrito por André Farias revela uma trama razoavelmente simples e ao mesmo tempo com pontos de viradas inusitados graças aos elementos da cultura pop enxertados ali. A grande dúvida é se essa teoria da conspiração criada para a história vai agradar aos leitores ou parecer completamente sem pé nem cabeça.

A arte dos quadrinhos é boa, utiliza o alto contraste de forma agradável e que dá uma dinâmica interessante aos quadros. O traço de Paulo Cesar Santos é firme, apesar de algumas falhas de proporção nas figuras humanas. A diagramação dos quadros proporciona um bom ritmo à história, bem como o roteiro exige.

“Draconian” é uma HQ bem executada que tem grandes chances de agradar aos fãs de vampiros modernos, menos preocupados com crises existenciais e mais integrados à sociedade atual. Para comprar esta edição anterior é fácil conseguir na Ugra Press e na Comix.

Ficha Técnica

Formato: 17 x 26 cm
Páginas: 5
Editora: Independente
Autores: André Farias e Paulo Cesar Santos
Idioma: português
País de Origem: Brasil