Há muito tempo tem se pensado sobre o impacto da moda para o meio ambiente. É muito fácil conscientizar as pessoas, mas fazê-las colocar em prática, é outra história. Por isso, os produtores de moda devem começar a pensar nessa questão dando início com a escolha do material para ajudar nessa causa, pois poucas pessoas se lembram que o que elas usam em sua pele diariamente (roupas), podem carregar o peso da exploração trabalhista e do prejuízo à espécie animal. 

Porta-voz dos direitos dos animais, a estilista Stella McCartney, ao contrário de outras eco-marcas, jamais trocou o couro por outros tecidos, mesmo sendo couro falso. Mas, as peças nunca tinham ganhado etiqueta em suas coleções, por conta da falta de qualidade suficiente desse material. Agora a estilista parece que encontrou a fórmula para aperfeiçoar o couro de forma sustentável.

No pre-fall 2015, Stella já havia conseguido criar uma pele fake, conhecida como “Fur Free Fur”. Mantendo a autenticidade e agindo com consciência, ela cria versões próprias desses materiais. E agora que descobriu uma maneira consistente de fazer esse couro “cruelty-free” sem prejudicar o mundo animal, fará quase toda a sua coleção de inverno 2017 dedicada a sua nova descoberta.

Pele fake Stella McCartney – Coleção de Inverno 2015-2016

Resta saber se um dia a moda fará essa virada. Seria muito mais interessante que as marcas encontrassem a sua própria fórmula para produzir um casaco de pele, por exemplo. Já que alguns clientes estão em busca de total exclusividade, não só o design como os componentes daquele tecido poderiam entrar em questão com a lógica “eco fashion”. Mas, enquanto isso, cada um vai fazendo a sua parte – como a atitude de McCartney –  e combatendo a ambição do homem em se auto-saciar, extraindo sem sentido dos recursos naturais.


Por Graziella Ferreira