A obra “The end of longing”, escrita pelo próprio Matthew Perry, chegará em meados de maio nos Estados Unidos, contando com a presença de novos atores e equipe criativa de produção completamente repaginada da versão londrina do ano passado.

A história gira em torno de quatro amigos em seus 40 anos, que estão procurando o significado da vida. Com o set escolhido em um bar bem no coração da cidade de Los Angeles, a peça de humor negro trará personagens com estereótipos distintos: Jack, interpretado por Perry, será um alcoólatra; Stephanie, uma prostituta, vivida por Jennifer Mudge no West End’s Playhouse Theatre, mas, em território americano, por Jennifer Morrison; Stevie, uma mulher completamente neurótica e viciada em antidepressivos, interpretada por Christina Cole na versão inglesa e Joseph, um ignorante. Apesar de muitos jornalistas e críticos indagarem se a peça seria uma espécie de autobiografia de Matthew, o famoso ator de Chandler Bing garante que seu personagem seria, no máximo, “uma versão exagerada de si mesmo”.

A peça estreou em Londres em fevereiro de 2016, tendo começado os ensaios em janeiro do mesmo ano. Sendo assim, esse foi o real motivo para Matthew não ter comparecido pessoalmente na reunião do elenco de “Friends” no tributo ao talentosíssimo diretor James Burrows. Contudo, para não deixar de homenagear o amigo, ele aparece apresentando o resto do elenco da série e os convida a subir no palco.

Quanto à repercussão da peça, o ex-colega de elenco, Matt Le Blanc, chegou a prestigiá-lo com a produção na Inglaterra, elogiando a performance de todos os envolvidos, mesmo com as críticas dos jornais britânicos “ The Guardian” e “Independent” caracterizarem a peça como fraca e lamentável, respectivamente. Pela fama já conquistada, “The Guardian” deixa a dúvida sobre os aplausos do público serem para o personagem ou para o ator tão querido mundialmente. Além desse detalhe destacado, o jornalista Michael Billington enfatiza a tentativa de ser uma versão da série realizada pelo mesmo de tanto sucesso, mudando a localização de um café para um bar, apenas. Acrescentando a ideia da concorrência, “The Telegraph”, outro jornal da área, comenta que a obra não passa de um desperdício, não só de dinheiro, como também de esforço e tempo. Em contrapartida, Quentin Letts, do “Daily Mail” consegue utilizar palavras mais gentis,  apontando a produção de Lindsay Posner como bem encenada e completamente assistível. Todavia, por mais que alguns críticos tenham “pegado mais leve” com suas opiniões, a grande maioria realmente se decepcionou, justo com a obra em que todos estavam ansiosos para aproveitar, além de ter a presença do icônico Chandler a poucos metros.

( Quincy Dunn-Baker, Sue Jean Kim, Matthew Perry e Jennifer Morrison na premiere de “The end of longing”)

Contudo, mesmo com as críticas, em geral negativas, Jennifer Morrison, conhecida por seus papéis em “House” e “Once Upon A Time”, alega que sua escolha de voltar aos palcos foi pelo roteiro e, principalmente, pertencer a Matthew Perry. Além disso, em uma entrevista dada na coletiva sobre a peça Off-Brodway, ela relembra como o teatro foi seu primeiro amor e como consegue, mesmo depois de tantos anos, trazer a sua versão mais feliz. Já Matt, como é conhecido entre os amigos, declara que a sensação de estar de volta é a mesma de ficar nu na frente de todos. Agora, sendo o roteirista, a sensação duplica.

“The end of longing” (tradução: “ O fim do desejo”), será representada no teatro Lucille Lortel, em Nova York, em curta temporada, até 24 de junho. A classificação etária indicada é de 12 anos e, nos bastidores, contamos com nomes como Ben Stanton na iluminação, Sarah Laux com o figurino e Ryan Rumery no som.

A última aparição de Perry nos palcos havia sido em 2003, na peça “Sexual Perversity in Chicago” (tradução: Perversidade sexual em Chicago), de David Mamet.