O artista carioca Vinicius Teixeira, que recentemente ganhou o prêmio Aplauso Brasil de teatro na categoria ator coadjuvante por ‘Gabriela – Um Musical”, vem trilhando um lindo caminho no mercado teatral do Rio de Janeiro e São Paulo. Se você ainda não conheceu o trabalho dele, poderá conhecê-lo no próximo mês na Sede das Cias onde estreará seu primeiro espetáculo solo.

Em busca de encontrar a sua forma de expressão artística, o ator vem pesquisando arduamente as ferramentas de seu corpo e voz para estabelecer um diálogo com o público, associando ainda à descoberta daquilo que o motiva enquanto discurso político e social, para levar à cena. Um ator super jovem, mas cheio de garra, disposição e o melhor de tudo: consciente! Ele sabe que estudar faz parte fundamental da carreira que ele abraçou e tornou-se incansável nessa busca a fim de melhorar suas técnicas cada vez mais e bebe de muitas fontes como o estudo da voz, filosofia, pesquisa corporal entre outras. Cercado por amigos artistas, ele sente-se ainda mais motivado e inspirado por eles a seguir em frente com seus sonhos e a cada dia ganha força para torná-los realidade a partir de seus próprios esforços e méritos.

“Acredito muito naquele papo de que a energia que nós direcionamos para o que estamos fazendo é muito importante para os resultados que vamos obter. Se a energia é dispersa e relaxada, o universo recebe, as pessoas percebem seu desinteresse, e você acaba sendo engolido por isso. É praticamente palpável. Nessa nossa carreira, enfrentamos tantas dificuldades, que o trabalho tem que ser árduo mesmo.” relata o ator.

Nós, da Woo!Magazine, tivemos o prazer de conhecer um pouco mais esse artista incrível e super generoso. Registramos aqui um pouquinho desse jovem que está buscando a construção de uma carreira bastante consistente e de sucesso no teatro, nas telinhas e nas telonas.

Adriana Dehoul: Quando começou no teatro e o que o despertou para essa arte?

Vinicius Teixeira: No terceiro ano do ensino médio, eu precisava optar por um curso no vestibular, e não tinha ideia do que queria fazer. Acabei escolhendo Educação Física por conta da pesquisa corporal que me interessava. Ainda não tinha tido qualquer contato com as artes. Passei para a UERJ, mas para ingressar no segundo semestre. Como ficaria 6 meses esperando o início das aulas, resolvi entrar em um curso de teatro para ocupar esse tempo livre com algo que poderia ser prazeroso para mim. Foi o maior acerto da minha vida. Desde o primeiro momento naquela sala de aula/ensaio, entendi que o teatro seria a minha vida dali em diante. Foi uma paixão fulminante. Comecei a UERJ já totalmente envolvido com as artes e meus pais começaram a perceber. Não teve jeito. Foquei e estudei muito para mostrar a minha família que aquilo não era um hobbie, mas uma escolha de vida. Lembro que, inclusive, comecei a trabalhar em um pub de madrugada para conseguir pagar as minhas aulas de canto. Foi tudo muito rápido. Fiz um teste alguns meses depois para a versão de “Sonho de uma noite de verão” da Trupe do Experimento e passei. Foi meu primeiro trabalho profissional. Quando percebi, estava trabalhando e ganhando o meu dinheirinho com teatro, foi inevitável prestar vestibular novamente, abandonar a Ed. Física e ingressar no curso de Artes Cênicas da Unirio. Depois disso, pude me dedicar integralmente e as coisas foram acontecendo.

Foto Divulgação/ Sonho de uma noite de verão

AD: Como foi/está sendo sua experiência na TV?

VT: A Televisão surgiu para mim há 2 anos e de uma forma surpreendente. A Vanessa Veiga, produtora de elenco da novela “Babilônia”, me ligou convidando para fazer o cabeleireiro Robson, que era muito parecido com o personagem que eu interpretava em “The Book of Mormon”, espetáculo que ela tinha assistido alguns meses antes no teatro. Foi muito massa. Eu estava bem focado no teatro e essa experiência abriu os meus olhos para novas possibilidades. Também me fez perceber que eu precisava estudar interpretação para TV. No início era bem difícil assistir às minhas cenas, mas passei a entender isso como um estudo. No teatro não temos a chance de observar da plateia o que estamos fazendo em cena e entender o que podemos melhorar para o dia seguinte. A televisão dá essa possibilidade, e eu passei a encarar assim. Fui ganhando confiança ao longo da novela, pedia ajuda aos amigos de elenco com quem contracenava, enfim, foi um grande aprendizado. Depois veio o Girafa em “Rock Story”, também através da Vanessa, e foi mais uma oportunidade de seguir na pesquisa dessa nova linguagem. Esse ano tive o prazer de entrar no elenco e participar das filmagens da nova série da Fox, “Rio Heroes”, e sinto que as experiências anteriores me ajudaram a chegar mais preparado e confiante para esse trabalho.

Foto Divulgação/ Godspell

AD: Quais trabalhos mais marcaram a sua vida até aqui no Teatro e/ou TV?

VT: Tenho muita sorte quanto a isso. Sou muito grato por todas as oportunidades que tive, e encaro cada processo como uma pequena escola. Aprendo muito de verdade. O “Sonho de uma noite de verão” que eu fiz na trupe do experimento, que eu citei lá em cima, tem um sabor especial por ter sido o primeiro trabalho profissional. Além disso, eu era muito imaturo como ator e caí no meio de um elenco muito maduro e com um diretor muito consciente do seu trabalho (Marco dos Anjos). Foi através da linguagem sugerida pelo Marquinho e pela forma como ele conduziu o processo de ensaios que eu comecei a investigar e entender o meu corpo em cena. Naquela época eu não tinha muita consciência, mas hoje em dia percebo que muito daquela pesquisa física permanece até hoje em tudo o que faço. Logo depois veio o Spamalot, na UNIRIO, que foi onde eu passei a me sentir mais seguro cantando. Foi a primeira vez que eu solei em um espetáculo grande e precisei conquistar a confiança para me sentir à vontade com isso durante o processo. O “The Book of Mormon” foi um presente maravilhoso. Foi uma surpresa para todos do elenco e equipe a forma como ele repercutiu. Sou muito grato por todas as felicidades que essa peça me proporcionou tanto durante os ensaios e temporadas, quanto depois na vida profissional. A partir dele veio Babilônia, que foi muito especial por ser o primeiro contato com o trabalho na TV. 2016 foi um ano de renovação artística pra mim. Eu comecei a ler e me envolver muito com filosofia, a política começou a se tornar cada vez mais presente e importante na minha vida, e minhas vontade artísticas foram se reciclando e entrando em sintonia com isso. O universo ouviu e me mandou dois trabalhos pelos quais eu tenho um carinho imenso, que foram “Gabriela – Um musical” e “Coiote”. Gabriela é um musical brasileiro, o que eu acho muito importante, com a direção de João Falcão. O cara é um gênio e era um sonho antigo trabalhar com ele. Foi incrível! Além disso, o texto (baseado no livro de Jorge Amado) era extremamente político, o elenco era formado por atores/cantores incríveis além de pessoas maravilhosas e que se tornaram grandes amigos. “Coiote” foi o primeiro Longa que eu fiz. Ainda não estreou, mas quando sair, espero que todos vejam. É baseado no livro homônimo de Roberto Freire e precisa ser lido por todo mundo. Estou ansioso para ver o resultado. Esse ano estou levantando o meu primeiro solo teatral que se chama “Adubo”. Isso é bem especial pra mim hehehehe.

Foto Divulgação/ The Book Of Mormon

AD: Qual a principal diferença do Vinicius que começou na Unirio há alguns anos e o de agora?

VT: Uma diferença importante: O Vinicius de hoje é vegetariano. Pode parecer louco, mas isso me modificou muito. Foi uma decisão ética que eu tomei pensando nos animais e na forma como a indústria da carne funciona, e quando eu percebi, essa mudança tinha afetado a minha forma de me relacionar com as pessoas também. Me percebi muito mais sensível em relação ao outro. A tão falada empatia, né?! A violência se tornou uma questão pra mim, e passei a entender que ela não é apenas uma questão física, é comportamental. Se conseguimos nos
abster quando vemos o sofrimento de um animal, com certeza isso reverbera nas nossas relações humanas. A partir do momento que nos entendemos tão parte da natureza quanto qualquer bicho, mudamos a nossa visão. Não existe hierarquia. Não somos melhores. Sou tão ser vivo quanto eles. O sofrimento deles importa tanto quanto o nosso. Precisamos abrir os olhos para os outros (pessoas e animais), e atentar para esse treinamento de ódio de violência a que somos submetidos.

Foto Divulgação/ Spamalot

AD: Como foi a experiência de ter que ir para outro estado, viver de teatro como foi em “Gabriela – O Musical“?

VT: Foi uma delícia. Estava indo fazer um espetáculo maravilhoso, com um diretor incrível, um elenco de muitos amigos, ganhando um dinheirinho (hahaha). Olha, foi uma das épocas mais gostosas da minha vida. Foi bom também estar em contato com o cenário cultural paulista, que é muito mais aquecido.

AD: Fale-nos um pouco sobre o novo projeto ‘Adubo’ que estreia no próximo mês. Existe algum apoio ou patrocínio ou Crowdfound?

VT: Adubo é o meu primeiro solo teatral e é muito louco estar no lugar de ator-produtor, ainda mais quando falo de um monólogo. Muito desafiador, um pouco assustador, mas tem sido um ano de pesquisa que me transformou muito como artista. Assisti MUITOS espetáculos, li muitos livros, peças, pesquisei muito o meu corpo, a minha fala. Identifiquei minhas maiores dificuldades na cena e precisei correr atrás de melhorá-las. Enfim, realmente me revirou do avesso, mas está sendo uma delícia me redescobrir. É muito bom sair do lugar cômodo e abrir espaço pra novas possibilidades. Estou muito bem amparado pela direção incrível da Juliana Linhares, que é uma monstra de tão talentosa, e isso acaba me acalmando. É importante também falar sobre o cenário cultural da nossa cidade. Fazer teatro independente é muito difícil, e tem se tornado ainda mais com a série de golpes que a nossa cultura está sofrendo por parte do poder público. O fomento não foi pago inviabilizando a realização de diversos projetos que haviam sido contemplados, houveram cortes nas verbas dos teatros do município, o que gerou uma diminuição nos horários de funcionamento desses teatros. Enfim, a situação é complicada, mas precisamos seguir e remar contra essa maré de retrocessos. Estamos montando “Adubo” na raça, sem patrocínio, com investimento meu, e seguindo nessa luta. O protagonista desse momento triste é o público. É um ato político ir ao teatro, manter as salas cheias, impedir o fechamento delas, enfim, resistir!

Foto Divulgação/ Adubo

AD: Além desse existem outros projetos ainda para 2017 ou já pensando no próximo ano?

VT: Esse ano, após a estreia de “Adubo”, vou filmar um longa e estou muito animado com isso. Ano que vem estou voltando para São Paulo para ensaiar e estrear um novo espetáculo, mas pretendo continuar fazendo o meu solo paralelamente.

AD: Existe algo que não perguntamos, mas que você gostaria de falar?

VT: Queria aproveitar esse momento para declarar meu amor e minha gratidão a Juliana Linhares, diretora de “Adubo”. É uma honra estar sendo dirigido por essa mulher tão foda em todos os sentidos. Admiro muito a artista que ela é e fico feliz por tê-la em minha vida como uma amiga tão especial e presente.

AD: Para aqueles que estão começando a despertar para o teatro agora, qual mensagem você pode deixar pra elas?

VT: Sonhem muito. Estudem muito. Acho que fazendo arte, a nossa sensibilidade precisa andar junto com a nossa garra e nosso esforço. Uma coisa não funciona sem a outra.

Se você ficou curioso para conhecer o trabalho dele, confira nossa agenda com o novo espetáculo dele: “Adubo”.