Elza da Conceição Soares. Mulher. Negra. Da favela. Do fim do mundo. Assim é Elza Soares como é conhecida artisticamente. Hoje com 80 anos, em 2015 a cantora lançou seu primeiro álbum com músicas inéditas titulado de “A mulher no fim do mundo”. E na última terça-feira, 27/06, rolou uma coletiva de imprensa virtual após o lançamento da versão remix do disco.

O álbum mistura gêneros como samba, rap, funk e eletrônica, abordando as diversas temáticas atuais como a negritude, violência doméstica e sofrimento urbano. Ele conta com faixas como “Maria da Vila Maria”, que faz um alerta sobre a violência contra a mulher passando o número do disque denúncia (180) e incentivando as mulheres a não se calarem. Lançou, ainda, o clipe oficial da música “A mulher no fim do mundo” que já passa de 1 milhão de visualizações no YouTube.

Elza Soares é atemporal. A voz continua maravilhosa, com o timbre único dela. Hoje luta para permanecer nos palcos mesmo com problemas de saúde, faz os shows sentada e já confessou que arrumou um jeitinho de “sambar” da cadeira. Para Pedro Bial, ela é como uma fênix que renasce a cada dia, sendo eleita em 2000 a melhor cantora do milênio pela rádio BBC.

Carregando 16 pinos na coluna, Elza é de Vila Vintém, é do Brasil, é do mundo. Muito atenciosa, divertida e atual, a cantora respondeu as perguntas dos que estavam presentes na coletiva e ao ser perguntada como é passar por tantas gerações e continuar fazendo sucesso, ela responde:

Sou a Elza Soares, que passa manhãs e tardes olhando o mar em Copa, ouvindo jazz em casa…Sabe, cara, faço questão de entrar e cumprimentar todos da equipe em dia de show, e na saída, agradeço, e desejo boa noite e bom descanso pra eles… – Elza Soares

Confira a baixo a entrevista que rolou na coletiva de imprensa:

Carolina Gomes: Elza, para você, o que é mais especial nesse disco ?

Elza Soares: Minha voz, hahahahahahahaha.

CG: Por que o título “Fim do mundo”?

ES: É um álbum que comemora o “Mulher do Fim do Mundo”. Eu sou essa mulher. Essas mulheres todas. “Fim do Mundo” vem dessa vontade de cantar até o fim.

CG: Você acha que é mais fácil ser mulher hoje do que quando você se mostrou moderna em uma época conservadora ?

ES: Não é fácil, e nunca foi fácil. Apanhei pra chegar onde eu cheguei, e tenho noção disso. Foi uma trajetória muito difícil, mas busco minha própria força diariamente. Hoje está mais fácil porque a mulher tem batalhado e ganhado seu merecido espaço. A gente vai dominar tudo, my love!

CG: Assim como Ary Barroso, gostaria de saber de qual planeta vem essa mulher do fim do mundo que é puro empoderamento, luta e raça.

ES: Carol, meu bem, é com dor no coração que a gente ainda está no planeta fome. Hoje tem tudo lá na minha casa, mas e amanhã?

CG: O funk hoje é um dos estilos musicais que vem crescendo cada dia mais, e é um espelho social. O que você pensa sobre a votação que surgiu esse mês a respeito da criminalização do funk?

ES: Isso é de um absurdo sem tamanho. Sem tamanho! É uma proposta racista e conservadora, lógico. Recentemente elogiei Anitta, porque “atacaram” ao comparar ela comigo e o Michael Jackson. Veja só: Rainha e rei, não é mesmo? Anitta é um exemplo nesse cenário, e merece toda visibilidade que tem ganhado.

CG: Para finalizar, um Feliz Aniversário, mesmo que atrasado! E quais são as principais mudanças para as mulheres que você notou, de uns 30 anos para cá?

ES: Eu comemoro duas vezes, mês que vem tem outro aniversário, e julho vem cheio de novidades. Mistérios sobre minha data de nascimento. (Risos). A mulher deixou de sofrer calada. Pelo menos um pouco. Eu sou um exemplo disso.

Para ouvir a nova versão do álbum basta acessar ao canal da própria cantora no YouTube. E aguardamos as novidades prometidas por Elza.