• Exposição: Até 30 de novembro de 2017
  • Local: Blé Galeria e Arte
  • Endereço: Rua dezenove de fevereiro 184, Botafogo
  • Visitação: de 2ª a 4ª, das 12h às 22h | 5ª e 6ª, das 12h à 1h | sábado, das 15h à 1h.
  • Informações: 3820-9017
  • Entrada: Gratuito

Para Daniel Gnattali, o nome da exposição refere-se à consciência e à valorização da experiência de estarmos vivos, cientes de nossa finitude e imperfeição. “No entanto, é da consciência da imperfeição que nasce a busca pelo perfeito. Não a perfeição puramente estética – esta seria apenas um sintoma –, mas uma perfeição horizontal e vasta, um engrandecimento da vida por meio de uma compreensão cada vez maior do todo e menos individual”, completa.

Informações Técnicas

Origem e Trajetória

Vem da infância a relação de Daniel Gnattali com o desenho. Quando criança, ele gostava de copiar os personagens das revistas de história em quadrinhos. Depois, Daniel passou pela fase dos super-heróis e das animações japonesas, até decidir cursar a faculdade de desenho industrial.

Autor da ilustração “Mantra”, que viralizou em 2012 e até hoje é sucesso de vendas nas lojas Touts, atualmente Daniel Gnattali se divide entre os projetos artísticos pessoais e profissionais. Publicadas em seu site, Facebook e Instagram, os cartuns e tirinhas são carregados de humor e poesia. “Descobri nas tiras uma mídia interessante para que eu pudesse falar de temas atuais, engraçados, misturando poesia com desenho”.

Entre as suas influências estão as ilustrações oníricas do australiano Shaun Tan, as tirinhas do argentino Liniers e do carioca Arnaldo Branco, além dos trabalhos do ilustrador paulista Orlando Pedroso e do artista plástico e ilustrador carioca Renato Alarcão. “Em 2009, fiz um curso com o Alarcão que me abriu muito a cabeça. Descobri que a ilustração poderia ir muito além do desenho”.

Inspirado nas matas que permeiam o Rio de Janeiro, Gnattali retrata o verde da cidade, seus moradores e os hábitos dos cariocas em suas tirinhas e na coluna Passarinho, publicada no site RIOEtc – A Alma Encantadora da Ruas. Outro projeto que envolve a natureza é a série As Árvores Somos Nós, na qual ele se fotografa mimetizando os movimentos de árvores no Rio e em suas viagens mundo afora. Já são mais de 100 árvores colecionadas desde 2011.

Atualmente, Gnattali participa do Programa de Residência Despina, no espaço cultural Largo das Artes, no Largo do São Francisco, no Centro do Rio, voltado para artistas brasileiros e estrangeiros, selecionados a partir da análise de portfólio. A premissa é encorajar a troca de ideias e investigar a experimentação de práticas e conceitos, permitindo ao artista visitante uma produção em resposta ao novo ambiente. 

Por trás dos rótulos

Batizada com o nome de uma canção da banda de rock progressivo Focus, a cervejaria artesanal carioca Hocus Pocus convidou Gnattali para criar os rótulos de nove cervejas: Magic Trap, Hush, Coffee Hush, Pandora, Overdrive, Event Horizon, Supersymmetry, Red Potion e High on Milk. O rock psicodélico dos anos 1960 e 1970 e as músicas de Jorge Ben Jor serviram de inspiração para o desenvolvimento das artes – compostas por cores vibrantes, elementos sacros e simbólicos.

Depois da cerveja, surgiu o convite para desenhar a nova linha de embalagens para os produtos artesanais e veganos da carioca Quetzal Chocolate de Origem (imagem ao lado). Gnattali criou seis embalagens: Bah!, Bahia, Himalaia, Theobroma, Dharma e Xingu.

Música e Ilustração 

A música também exerce grande influência em suas criações. Filho do arranjador e compositor Roberto Gnattali, sobrinho-neto do maestro Radamés Gnattali e irmão da cantora Nina Becker, Daniel também é músico. Ele toca violão e canta na banda Simpáticos – que só interpreta Jorge Ben Jor. Fã do artista, Gnattali conta que começou a ouvir mais as canções do artista a partir de 2008 e se apaixonou. Em 2012, ele foi convidado pelo pesquisador e crítico musical Paulo da Costa e Silva para ilustrar o áudio-documentário “Imbatível ao Extremo: Assim É Jorge Ben Jor!”, da Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles. Com cores vibrantes e muitos detalhes, esse projeto foi um divisor na carreira do artista. “Essa ilustração marca a transição de um traço mais solto para um mais preciso”.

E quando chega o carnaval, Gnattali vira John Lennon. Há alguns anos, numa viagem a Inglaterra, ele comprou uma roupa igual àquela que o beatle usou na capa do disco “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Na época, achou que poderia usar a fantasia no carnaval carioca, mas ele nem imaginava que seria convidado a integrar o bloco do Sargento Pimenta no papel do próprio Lennon. Neste ano, ele desfilou pela quinta vez no Aterro do Flamengo, mas levou tela e cavalete para dentro do bloco e fez uma pintura da série de São Jorge ao vivo, cercado pela multidão de foliões.