FILME FOI EXIBIDO NO FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 2017, QUE CONTOU COM A PRESENÇA DO RAPPER SADEK, UM DOS PROTAGONISTAS DESSE ROAD MOVIE PELAS MAIS LINDAS PAISAGENS FRANCESAS

Choque entre gerações e culturas diferentes, diálogo, respeito. São estes os principais temas tratados na comédia dramática “Tour de France”. Depois de integrar a programação do Festival Varilux de Cinema Francês 2017, realizado em junho, percorrerá um ‘Tour do Brasil’. Estará em 12 cidades brasileiras, começando pelo Rio de Janeiro e São Paulo no dia 13 de julho. Esta data de lançamento, véspera da festa de comemoração da queda da Bastilha na França, acontece também durante o próprio Tour de France, uma das maiores competições de ciclismo.

Com distribuição da Bonfilm, o filme traz o rapper Sadek em seu primeiro papel nos cinemas. Sadek interpreta Far’Hook, um jovem francês de origem árabe, também rapper. Na trama, para fugir de uma ameaça de morte, ele aceita a sugestão de fazer um tour pela França. Em companhia, o pai de seu produtor, o amargurado e preconceituoso Serge (Gérard Depardieu). Com personalidades e ideologias totalmente divergentes, os dois percorrem juntos um ‘Tour de France’ por onde passou Vernet, pintor francês do século 18 encarregado por Luís XV de pintar os portos da França. O que nenhum deles esperava é que criariam laços afetivos e descobririam afinidades. Além de Gérard Depardieu e Sadek, o elenco conta com nomes como Louise Grinberg, Yasiin Bey e Nicolas Marétheu.

De acordo com o diretor Rachid Djaïdani, além dos personagens, o filme é uma mistura de materiais, entre a pintura que é essa arte ancestral de traçar com a mão e o rap que é a poesia da oralidade do presente. No filme, ouve-se rap, a Marselhesa, hino da França, e ainda os cantores franceses Serge Reggiani e Serge Lama. Ele conta que “foi criada uma verdadeira linguagem musical. (…) Cada palavra ecoa com força em nossos ouvidos, como uma diatribe de Molière zombando de um rei.”

Depois de lançar o seu primeiro longa-metragem “Rengaine”, que filmou sozinho durante nove anos, o diretor rodou “Tour de France” com um orçamento maior e com a atuação de Gérard Depardieu, nome consagrado do cinema francês. Segundo Rachid Djaïdani, o que une os dois personagens principais é uma falta de amor.

“A radicalidade deles permite mascarar essa evidência que os une. Eles só têm essa vontade de gritar na floresta: ‘Me amem’. Por trás dessa radicalidade, sempre há uma untuosidade que é feita de amor. Há uma viagem para o espectador nesse filme, mas gostaria que ele fosse além, fora da experiência da sala escura. Permitir abrir, para que se olhe em volta de outra maneira”, comenta o diretor.

A relação que Djaïdani criou com Depardieu, com atuação em mais de 200 filmes e séries, é de respeito: “Agora, com ele, não tenho mais medo da escuridão do cinema”, reflete o diretor. Premiado com o Globo de Ouro e o César por duas vezes como melhor ator, Depardieu explica como foi a sua preparação para interpretar um homem forte e etnocêntrico como Serge.“É fácil ser amargo. Sobretudo ao ter diante de nós alguém que não conhecemos. E nem conhecemos sua cultura, suas músicas. Acho que os ignorantes – como eu também sou – podem se sentir contrariados”, declara o ator.

Em seu primeiro filme, Sadek explicou como fez para encarnar o personagem: “Far’Hook é um rapper consciente, com um olhar para o mundo que ele quer mudar. Enquanto eu, Sadek, sou diferente. Simplesmente. O personagem me permitiu ter um olhar mais desgastado, mas com uma esperança para a humanidade.”

No mês de junho, o filme “Tour de France” foi exibido em mais de 55 cidades do Brasil durante o Festival Varilux Francês de 2017 e ainda contou com a vinda de Sadek.