Nas relações amorosas atuais, cada vez mais, nos deparamos com uma certa incoerência. Ama-se muito, recebe-se pouco, julga-se muito, vive-se pouco. Em “Eu, Tu e Ela”, série original Netflix, questões sobre relacionamentos, orientação sexual e fragilidade de sentimentos são apontadas para o telespectador de maneira sutil e com um toque de comédia. A criação de John Scott Shepard, é uma crítica a banalização social dos relacionamento atuais.

Fato é que a palavra “rotina”, pode ser explicada das mais diferentes formas nesse contexto. Hoje, com um avanço da tecnologia, os relacionamentos costumam se desgastar mais rápido. Talvez esse venha a ser o grande malefício da internet, tornar momentos duradouros em efemeridades com apenas um toque, fazendo que a rotina se concentre em uma pequena tela brilhante que nos conecta a quem e na hora em que quisermos.

Além disso, outro ponto importante é a crítica acerca da intromissão alheia. Durante toda a trama, os personagens sofrem pressões de vizinhos e amigos, como se fossem incapazes de tomar suas próprias decisões. Essa questão é atual, e se relaciona diretamente com a maneira qual os relacionamentos de hoje são conduzidos, vivendo mais para manter uma aparência do que para se permitir verdadeiramente.

Mas, a tecnologia não é uma questão em “Eu, Tu e Ela”. Na verdade, o que acaba por se desgastar na trama é a relação sexual que não existe dentro do relacionamento dos protagonistas. Inicialmente, Emma (Rachel Blanchard) e Jack (Greg Poehler), desejam construir uma família com tanto empenho que o sexo acaba por virar uma obrigação com início, meio e fim, e não mais um ato ocasional de prazer e intimidade. Assim, com o relacionamento se tornando trivial, eles procuram uma terapia de casal como solução.

Durante a terapia é que o casal de protagonistas percebe como seu convívio está monótono, precisando mentir sobre quantas vezes costumam fazer sexo. Com isso, Jack pergunta a seu irmão sobre como poderia salvar seu relacionamento, e o mesmo o diz para contratar uma acompanhante, mas não para relações sexuais e sim, por ser uma moça desconhecida que poderia conversar com ele. Jack contrata Izzy (Priscilla Faia), uma estudante universitária de psicologia e os dois se envolvem mais do que deviam.

Ao chegar em casa, Jack conta tudo para Emma de uma forma que fica óbvio o interesse em Izzy. Ela decide, então, conhecer a moça que encantou seu marido e acaba por se apaixonar por ela também. Até então, Emma escondia de seu marido a sua bissexualidade. Com os três sentindo a mesma coisa, eles decidem começar um relacionamento.

Apesar do clichê em relações poligâmicas, a série procura explorar o lado de Izzy como uma personagem que tem sentimentos, e não como a “acompanhante” clássica que satisfaz casais em troca de dinheiro. Izzy, que se apaixona perdidamente pelo casal, também fica em dúvida se deveria se manter por perto ou não. Aconselhada por sua amiga Nina (Melanie Papalia), a jovem lida com seu breve relacionamento com Andy (Jarod Joseph) que, ao mesmo tempo, parece estar caminhando para algo mais sério, também é construído com medo e insegurança.

O sexo, que costumava ser o grande problema do casal, é deixado de lado. A introdução de uma terceira pessoa no relacionamento deixa de ser um fetiche e passa a ser encarado como uma relação séria, contribuindo também para o ritmo sexual do casal principal, os dois permitem-se amar um ao outro com a mesma intensidade de sempre. Aos poucos, Jack e Emma aprendem a amar Izzy na mesma sintonia que ela os ama, equilibrando toda a relação existente na trama.

Sendo uma série de comédia não existe um antagonista específico, mas o conflito da trama é apresentado através dos vizinhos, que começam a questionar quem é a jovem. Sendo assim, a grande questão talvez seja a possibilidade de ser feliz rompendo com padrões tradicionais de amor e relacionamentos, que já estão enraizados na sociedade. Afinal, quem relacionou amor com monogamia?

Quebrando paradigmas, a série aborda com sutileza os temas citados anteriormente e aproveita o tom cômico para transmitir mensagens atuais sobre amor e sexualidade. Com diálogos simples e uma boa química dos protagonistas, ”Eu, Tu e Ela” é um clichê atual sobre felicidade e relacionamentos.

A primeira temporada está disponível em 10 episódios na netflix e a segunda já estreou, porém, ainda não chegou ao serviço de streaming brasileiro. Segundo fontes, chegará no fim do mês.

  • Simplesmente adorei a resenha, no meu ponto de vista, parece uma série um pouco adulta, mas aborta assuntos, que digamos, que ainda é tabu na nossa sociedade… Irei recomendar para a minha prima, ela sempre esta tentando achar séries/filmes/livros que aborda a orientação sexual😊

    • Júlia Cruz

      É uma série mais adulta sim, tem um conteúdo que com certeza deve ter classificação +18, mas o grande lance é essa crítica social acerca de relacionamentos com mais de duas pessoas, que ainda é um grande tabu.

  • Nossa vou correndo assistir, tenho a assinatura e quase nunca uso, mas essa série parece muito boa!

    • Júlia Cruz

      Cida, corre sim! Tem coisa boa demais na Netflix!

  • Marília

    Achei interessante essa serie parece ser uma historia muito boa ,deu vontade assistir pena que não tenho Netflix
    Gosto muito de series ,acompanha essa por aqui foi muito bom
    nunca tinha visto falar dessa serie mais vou tentar assistir ela .

    • Júlia Cruz

      Acho que deve existir uma maneira de assistir online ou até mesmo baixar. A série não é muito conhecida, mas tem que começar a aparecer em algum lugar, não é mesmo?

  • Que série! Ao ler o inicio do post, imaginei outro enredo e ao chegar pela metade, entrou uma terceira pessoa rsrs! Eu concordo que as relações amorosas atuais estão cada vez mais rasas e de aparências, acredito também que seja por causa do avanço tecnológico e pelo brilho das telinhas dos aparelhos, como você bem colocou. Vou dar uma espiada no Netflix.

    • Júlia Cruz

      Oi Ariadne! Pois é, às vezes a gente assiste aos programas e quando menos vê tudo muda!

  • Resenha super completa! Me deixou com muita curiosidade pra assistir.
    Adorei a história, sério. Vou correndo procurar pra assistir. Parabéns pelo matéria mega detalhada.

    • Júlia Cruz

      Obrigada pelos elogios, Renata.

  • Nicolly

    Gente essa série deve ser um estouro né, to louco pra assistir, parabéns pelo ponto de vista.

    • Júlia Cruz

      Obrigada pelas palavras, Nicolly!

  • Ao começar a ler a matéria, eu tive uma ideia totalmente precipitada da série. Eu achei super diferente (nunca vi nenhuma que abordasse o amor dessa forma) e fiquei super curiosa para assistir e conhecer mais sobre os personagens e o motivo pelo qual tenham chegado ao ponto de gostar da mesma pessoa. Muito interessante a sua matéria.

    • Júlia Cruz

      Oi Vitória, tudo bom? Obrigada pelo seu comentário. Assiste sim, vale a pena!

  • Com essa matéria eu percebi que preciso pagar meu netflix rápido! Acabei de conhecer a série e achei incrível o assunto que ela está abordando. Pois hoje em dia namoro não pode mais demostrar afeto! É algo tão estranho que acho que não podemos chamar de namoro, né?

    • Júlia Cruz

      Oi Blue! Acho que as definições de namoro são superestimadas. É mais a necessidade do título do que da relação, de querer o outro em si.

  • Ainda não tinha ouvido falar dessa série! Sendo da Netflix eu já tenho certeza que é boa hehe E mais com a sua matéria me despertou o interesse! Mas acho que desde sempre as pessoas se metem na vida das outras rs com internet ou sem, estão lá os vizinhos, amigos , família dando opinião em tudo… com a tecnologia piorou né. Agora todo mundo sabe o que todo mundo ta fazendo e dando pitaco na vida dos outros. Mas quem definiu o que era certou ou errado?

    • Júlia Cruz

      Que bom que gostou da matéria, Gabriela. Eu concordo com o que você dia, hoje é muito difícil fazer qualquer coisa que não tenha olhos curiosos em cima pra opinar sem serem solicitados. Eu sempre falo muito sobre esse ponto também, a definição do certo ou errado, uma mera construção social como todas as outras que infelizmente foi deturpada com o avanço da sociedade.

  • Joice Celina

    Não sou muito de ver série, mas adorei demais essa matéria. Veria sem problema algum e pelo ponto de vista é uma bela série.

    • Júlia Cruz

      Obrigada pelo seu comentário, Joice.

  • Não sei se é meu tipo de série favorita, porque não curto muito comédia, mas gostei mesmo do diferencial do assunto, essa quebra de paradigmas é bem atraente. Vou dar uma olhadinha nos primeiros eps, quem sabe eu não curto.

    • Júlia Cruz

      Marcela, eu também não sou muito chegada em comédia não, mas essa eu achei até bem engraçada. Acho que vale a pena assistir sim.

  • Carolina Gomes

    Que massa, miga! Não conhecia essa série nova.. Mas como rata de netflix, já coloquei na minha lista!

    • Júlia Cruz

      Assiste, amiga! Vale super a pena.

  • Os relacionamentos estão relamente superficiais mas não acho que seja uma terceira pessoa que irá ajudar nisso, mas achei bem interessante a série da Netflix.

    • Júlia Cruz

      Existem inúmeras maneiras de se salvar um relacionamento e não necessariamente incluem uma terceira pessoa. Porém, nunca se tornou regra que relacionamentos são necessariamente monogâmicos. A monogamia é uma construção social, não é uma verdade absoluta. Essa é a grande crítica da série, principalmente com o antagonismo dos vizinhos que não enxergam a poligamia como um ato normal.

  • O loko como eu ainda não conhecia essa série?

    Agora vou ter que adicionar a minha lista de prediletos pra assistir, eu apenas li resenhas sobre mas achava que era um filme kkk

    Amei sua matéria e por isso vou procurar assisir.

    • Júlia Cruz

      É série, Juh! Às vezes passa despercebida pelo catálogo com tantas séries grandes e de sucessos já consagradas no streaming.

  • Adorei a matéria, mas não sou de assistir series rsrs

    • Júlia Cruz

      Que isso, Gabriel! As séries estão ganhando um espaço no audiovisual muito grande e não é de hoje. Existem produções sensacionais por aí que merecem ser vistas.

  • É muito bom quando aparece algo que nos tira da nossa caixinha e faz com que a gente veja assuntos comuns de uma maneira completamente diferente, né? Esse título já tá na minha lista do Netflix e agora com certeza assistirei!

    • Júlia Cruz

      Vitória, essa é a grande sacada das produções audiovisuais atuais. Tem que tirar da caixa, quebrar padrões, fazer refletir, pensar e instigar. Isso é necessário nos dias de hoje, junto com a questão da representatividade. É uma matemática fácil para o sucesso. Assiste sim, é boa! Tenho certeza que você irá gostar.

  • Que matéria incrível, não conhecia a série mas depois desse post me deixou bastante curiosa, necessito assistir, já! Com certeza que estará na minha listinha de preferidos para conferir.

    • Júlia Cruz

      Yui, assiste sim, você irá gostar.

  • Nicolly

    Adorei a matéria sobre a série confesso que não sou muito de assistir mais já tenho algumas na minha agenda a sua vai entrar com tudo.

    • Júlia Cruz

      Obrigada, Nicolly! Dá uma olhadinha sim, é uma boa série.

  • Liliane Araujo

    eu nao costumo muito ver séries, mas essa me despertou o interesse, bem intrigante, amei sua matéria

    • Júlia Cruz

      Obrigada, Liliane! Dá uma chance pra essa série, vale a pena. São só 10 episódios então passa bem rapidinho.

  • Kemmy Oliveira

    AI MEU DEUS QUE SITE LINDO.

    Não conhecia essa série, mas adorei os temas que ela trata. De fato, a maior parte das pessoas só se interessa pelas aparências e acaba vivendo ou não as coisas que realmente quer.

    Isso da tecnologia também é muito real. Eu e meu ex combinamos de não nos falar por celular durante o dia e quando nos encontrávamos à noite era MUITO melhor.

    • Júlia Cruz

      Kemmy, muito obrigada pelos elogios. Fico feliz que você tenha gostado do site, saiba que tentamos fazer tudo da melhor maneira possível. Concordo com você, hoje se vive exaustivamente sobre aparências e ostentações que nem sempre condizem com a realidade. Essa ideia que você teve com seu ex foi muito boa, talvez os relacionamentos seriam mais valorizados se a gente aprendesse a sentir falta e dar valor à aqueles que amamos né? Profundo essa discussão, porém muito atual e pertinente.

  • Juliana Wulpi

    Antes de mais nada, tenho que parabenizar pelo profissionalismo do site. É incrível, você entra e já sente que vocês não estão para brincadeira. Layout, categorias, texto, tudo em harmonia.

    Quanto a série do post, confesso que é polêmica para mim, eu e meus princípios antiquados talvez não nos permitiríamos assistir, não pelo fato de orientação sexual, as pessoas são livres, mas pelo âmbito do romantismo. Sou muito romântica, e acredito que uma pessoa deve ser só de uma. Essas coisas, sabe? Um triângulo amoroso não me agrada muito kkkk

    • Júlia Cruz

      Obrigada, Juliana, pelas palavras. Fico feliz que você tenha gostado do site!

      Sobre a série, eu conheço pessoas com a mesma visão que a sua, que é a mais tradicional mesmo e nada tem de antiquado. Você tem o direito de pensar como quiser e isso não é errado, de forma alguma. O bom da série e de outros produtos da mesma temática é justamente essa abrangência de opiniões.

  • Amanda Bitencourt

    Já vi algumas vezes essa série no cartaz da netflix, mas nunca tive muito interesse (e confesso que ainda não tenho haha). Então, eu, Amanda, não tenho como me ver em uma relação aberta, não acho isso legal. Sou bastante ciumenta e não me sentira confortável imaginar que meu namorado estaria se “divertindo” com outra pessoa ou que eu esteja me divertindo com alguém diferente que ele. Sei lá, é questão de costume e também dos meus sentimentos, então, é bem puxado haha. A vez que eu cheguei mais perto de ter um relacionamento aberto era quando eu ainda era solteira e adolescente, ficava com várias pessoas e tava tudo certo se o outro ficasse também, desde que eu não visse. Mas, é diferente, não rolava interesse afetivo haha.

    • Júlia Cruz

      Amanda, é totalmente compreensível a sua posição. Os relacionamentos monogâmicos são como uma verdade absoluta, pelo menos pra grande maioria da sociedade. E a sua opinião e sua visão devem ser respeitadas sempre.

  • Sou sua fã e você sabe. Adorei a resenha e até me arrisquei no primeiro episódio. Espero que outras pessoas façam o mesmo (:

    • Júlia Cruz

      Mentira que você começou a ver? Ai amo!!!

  • Nathália Lourenço

    CARACAS, que série, heim! HAHA! Confesso que tive que ler mais de uma vez para entender a sinopse; rsrs, nunca vi no netflix, não é do tipo de série que eu curto, mas como eu e o meu namorado sempre procuramos novas séries para assistir, quem sabe, né.

    • Júlia Cruz

      Obrigada pelo seu comentário, Nathália. Eu também não curtia muito esse tipo de série não, mas foi uma surpresa!

  • é uma ótima serie, e você esta de parabéns pela materia serio mesmo, me fez relembrar alguns momentos da series que deu vontade de ver novamente, e já vou fazer isso!

    • Júlia Cruz

      Ah que bom que você assiste, Mikael! Fico feliz quando encontro outras pessoas que já assistiram.

  • Guilherme Marques

    Eu sou do tipo que lança uma serie do Netflix sempre vou tentar me informar, essa eu vi mais não fui mais afundo porem gostei bastante desse post que esclareceu algumas dúvidas que eu tinha sobre o contexto da história e gostei que ela aborda esses temas que fogem da zona de conforto que a maioria esta acostumado além de quebrar tabus. Já vou colocar ela na minha vasta lista de série e conferir para ver se realmente gosto.

    • Júlia Cruz

      Eu também sou assim hahahahahaha, viciada mesmo. Gosto de séries que fogem do padrão.

  • Luisa Miranda

    Sua matéria deu a força que eu precisava pra assistir a essa série! Acredito piamente em poliamor mas o fato de ser uma série de comédia tinha me desanimado.. hahah Porém, pela sua matéria, ela parece ter uma vibe meio Love, né? (outra série original Netflix), e se for assim, eu vejo, pq Love é realmente um amor!

    • Júlia Cruz

      Nossa, que bom, Luisa! Fico feliz que você tenha gostado. Love eu não vi ainda, saíram críticas terríveis sobre a segunda temporada e me causou um certo desânimo… Mas vou tentar dar uma chance.

  • Patricia Sachs

    Já falei que amo esse site, né? Tudo muito bem organizado.
    Quanto a série, confesso que estava com certo preconceito com ela, toda vez que via o trailer me dava uma tristeza. Mas com essa matéria percebi que não era bem o que eu imaginava. Com certeza vou assistir!

    • Júlia Cruz

      Fico feliz de ler isso, Patricia. Que bom que mudei um pouco sua visão.