Os destaques do Festival são os favoritos na corrida pelo Oscar

O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) acontece todo ano na cidade canadense e já desbancou Veneza como a grande vitrine do Oscar. Nas edições anteriores, obras-primas como: “La, La, Land – Cantando Estações”“Moonlight – Sob a luz do luar” “12 Anos de Escravidão”(2013) foram grandes apostas. A disputa de 2018 já está certamente rascunhada a julgar pelo perfil dos filmes que se destacaram em 2017 durante os dias 7 e 17 de setembro.

O evento se tornou um importante termômetro do Oscar por alguns pontos importantes como o fato de Toronto se encontrar numa posição geográfica estratégica – mais perto de Hollywood que outras cidades como Veneza e Berlim – tem a vantagem de acontecer em setembro, segundo semestre – época em que os filmes são lançados visando o olhar da Academia – e, além disso, tem como grande trunfo não conter um júri – os longas são votados apenas pelo público – dessa forma, os estúdios hollywoodianos, livres da pressão, se sentem mais a vontade para exibirem os seus filmes.

Confira aqui os destaques que você não pode perder antes da premiação:

“Três anúncios para um crime”, de Martin McDonagh

Grande vencedor do festival, o filme de McDonagh conta a história de Mildred Hayes (vivida pela incrível Frances McDormand), que tem sua filha brutalmente assassinada e o caso é deixado de lado. Ela decide alugar três outdoors na beira da estrada onde mora, na pequena cidade de Ebbing, para pressionar a investigação e expor o desserviço da polícia local. Seu embate principal se dá contra o xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson). As críticas ao filme dão créditos ao roteiro – também assinado pelo diretor – que surpreende a cada desfecho, tratando de um tema profundo e delicado sem perder o caráter de humor afiado. A atuação de Mcdormand tem sido classificada e reiterada como a melhor de sua carreira – é de trazer ansiedade tendo em vista outros trabalhos de muita qualidade da atriz como “Fargo. Previsão de estreia no Brasil no início de 2018.

“Eu, Tônia.”, de Craig Gillespie

Apesar de raro, é possível encontrar cinebiografias que acertam em cheio como promete o longa dirigido por Craig Gillespie “Eu, Tônia.” O filme conta a história da ex-patinadora Tonya Harding que foi campeã do Campeonato de Patinação no gelo do Reino Unido e segunda colocada no Campeonato Mundial. Mesmo que Harding seja a primeira mulher a completar a manobra Axel em uma competição, a carreira da esportista se viu em ruínas após seu ex marido, Jeff Gilloly, armar um ataque que lesionou o joelho de sua principal concorrente, Nancy Kerrigan, durante as Olimpíadas de 1994. A crítica ao redor do filme tem sido só elogios ao roteiro de Steven Rogers e às interpretações de Allison Janney como a mãe opressora de Tônia e de Margot Robbie que incorpora a atleta- se tornando uma das principais cotadas ao prêmio de melhor atriz por sua performance. O filme tem previsão de estreia para Fevereiro de 2018 e ficou em segundo lugar no Festival de Toronto.

“Me Chame Pelo Seu Nome”, de Luca Guadagnio

Neste filme, com previsão de estreia no dia 18 janeiro de 2018, o jovem inglês Elio (Timothée Chalamet), de 17 anos, vê sua vida pacata mudar com a chegada do acadêmico Oliver (Armie Hammer) á sua casa na Itália. Trata-se de uma produção independente feita em parceria com a França, a Itália, os Estados Unidos e Brasil – entre as produtoras do filme está também a RT Features do brasileiro Rodrigo Teixeira. O longa tem dito destaque em  festivais importantes como o Festival do Rio – a Woo! não perdeu! Confira aqui! Baseado no romance de André Aciman, o roteiro de James Ivory está sendo aclamado por não pesar a mão no erotismo fazendo com que a produção ultrapasse estereótipos do cinema LGBTQs. Ficou em terceiro lugar no TIFF e teve seis indicações no Spirit Awards, considerado o “Oscar da produção independente.”

“A Forma da Água”, de Guilherme Del Toro

Entre os clássicos favoritos de Hollywood – dramas históricos, histórias de superação, atores que se transformam – o longa com mais destaque na corrida do Oscar é definitivamente a fantasia “A forma da água” dirigida por Guilherme Del Toro. Só mesmo o diretor de “O labirinto do Fauno” (2006) para retratar um romance entre uma faxineira muda (Sally Hawkins) e uma criatura anfíbia – obviamente, Doug Jones. Com estreia prevista para 11 de janeiro, o filme ambientado em plena Guerra Fria, foi o grande vencedor do Festival de Veneza e já lidera as indicações do Globo de Ouro. Cada setor da produção está sendo extremamente elogiada – roteiro, direção de fotografia, direção de arte, atuação, trilha sonora. É uma daquelas obras-primas realizadas com detalhes cirúrgicos capazes de tornar o espaço temporal fantasioso e submerso de Del Toro bem convincentes e encantadores para quem assiste.

“Suburbicon”, de George Clooney

Em seu sexto trabalho como diretor, George Clooney descreve “Suburbicon” como um filme da Disney cuja virada dramática passa por uma viagem de ácido. No longa, estrelado por Matt Damon, em plenos anos 1950, o pacato Gardner sofre uma intensa invasão doméstica e vê sua vida virar do avesso quando decide peitar o inimigo. Suas ações desencadeiam tanta violência que transformam o que parecia ser um lugar tranquilo num verdadeiro inferno. É uma crítica bem ríspida ao estilo de vida americano nesta época em que tudo é perfeito, invejável e agradável. O roteiro foi escrito em parceria com os irmãos Joel e Ethan Cohen e indicado ao prêmio de melhor roteiro em Veneza. Chega aos cinemas brasileiros no dia 21 de dezembro.

“O Destino de Uma Nação”, de Joe Wright

O longa de Wright fala sobre o momento em que Churchill assumiu a posição de Primeiro Ministro do Reino Unido na era mais sombria para o país – quando Hittler dominava a França durante a Segunda Guerra Mundial. Neste contexto, soldados britânicos ficaram ilhados, precisando ser resgatados por barcos civis – trecho da história narrado no recente e também premiado “Dunkirk” , de Christopher Nolan – A trama gira em torno das decisões do político britânico incorporado pelo veterano Gary Oldman diante os acontecimentos. Segundo as críticas, Oldman está um escândalo e, de longe, é o favorito na corrida pelo Oscar de Melhor Ator. Ele já está indicado a melhor ator no Globo de Ouro e com o que já foi divulgado dá para notar o quão irreconhecível ficou na pele do ministro. Com estreia prevista para janeiro é mais uma obra-prima que narra fatos importantes da história, coisa que a Academia gosta bastante, logo, a chance de encontrarmos “O Destino de Uma Nação” entre os concorrentes é quase certeira.

“Lady Bird – A Hora de Voar”, de Greta Gerwin

“Lady Bird”, a estreia da roteirista, atriz e produtora Greta Gerwig (“Frances Ha” (2013))  na direção, se tornou o filme mais bem avaliado da história do Rotten Tomatoes – site de críticas cinematográficas, contando com 100% de aprovação num total de 170 resenhas. A trama gira em torno da chegada à maturidade da protagonista vivida pela já indicada duas vezes ao Oscar Saoirse Ronan (“Desejo e Reparação” (2008) e “Brooklin” (2015) ). O filme baseado na própria vida de Greta está ganhando pontos não pelo o quê fala e sim como. Apesar de uma premissa vista por muitos como “batida” é dirigido de forma bem original e inédita. Também conta com Laurie Metcalf no papel da mãe, uma enfermeira. As duas vivem em Sacramento, na Califórnia durante o ano de 2012 – em que o país sofria com uma crise econômica. O filme foca nas relações humanas que moldam a formação de um indivíduo. O longa tem data de estreia prevista para 5 de abril.

“O que te faz mais forte”, de David Gordon Green

David Gordon Green comanda a adaptação da história real de Jeff Bauman que perdeu as duas pernas no atentado a maratona de Boston de 2013. Estrelado por Jake Gyllenhaal e Tatiana Maslany o filme é um belo combo que a Academia adora: história real de superação, fato histórico, ator transformado e entregue ao personagem. Gyllenhaal é um dos indicados ao Globo De Ouro de Melhor Ator. A priori parece mais um dramalhão sentimentalista, mas tem sido elogiado por ser uma boa narrativa com doses de leveza e alívio cômico que não se desvia do seu foco principal. Tem data previsa de lançamento no dia 15 de fevereiro de 2018.

“Pequena Grande Vida”, de Alexander Payne

O diretor Alexander Payne que assina sucessos como “Sideways – Entre Umas e Outras” (2004), “Os Descendentes”(2011) e “Nebraska” (2013) resolveu ousar na proposta de “Pequena Grande Vida” estrelado por Matt Damon. Na trama, cientistas descobrem um procedimento que encolhe seres humanos, plantas, animais, objetos, carros, casas e o que mais for necessário para o estilo de vida de quem sofre a transformação. Neste contexto, o custo de vida diminui bastante fazendo com que boa parte da população passe a aderir a invenção. Com essa promessa de crítica a economia econômica e mundial, o filme já recebeu diversas indicações como Melhor Roteiro em Veneza e o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante para Hong Chau. É bastante curioso e pelo currículo do diretor promete ser pelo menos bem feito.

“A Grande Jogada”, de Aaron Sorking

O roteirista Aaron Sorking que assinou sucessos como “Questão de Honra” (1992) ,”A Rede Social” (2010) – que lhe rendeu sua estatueta do Oscar – e “O Homem que Mudou o Jogo” (2011) na sua estreia como diretor, se for levar em conta as críticas ao redor de “A Grande Jogada” acerta em cheio. A história gira em torno de Molly Bloom vivida por Jessica Chastain, uma ex-esquiadora, filha de um exigente psicólogo (Kevin Costner), que após acabar com a sua carreira de esportista depois de um acidente, decide se mudar para Los Angeles e começar uma nova vida. Molly se depara com o tentador submundo da jogatina e se torna “A Princesa do Poker”. Conhecido por uma escrita ácida, de diálogos rápidos, Sorking parece manter o mesmo ritmo na direção. Adaptado do livro escrito pela própria Molly Bloom, o roteiro foi indicado no Globo de Ouro nas categorias de Melhor Roteiro e Melhor Roteiro Adaptado, além disso, Chastain, que sempre dá um show em cena, também está indicada na categoria de Melhor Atriz. O trailer já o vende como um filme de tirar o fôlego. Alguém dúvida que está disputada vai ser acirradíssima?

Outros filmes destaques já estrearam como: “Mãe!”, “A Guerra dos Sexos”,  “Borg vs McEnroe” e “Uma Razão para Viver.” Você pode encontra-los disponíveis nos serviços de streaming. Corre!