Você conheceu aquele boyzinho sensa na balada na última sexta. O papo foi ótimo, vocês se curtiram muito e até trocaram contatos. Até sua mãe já havia tomado consciência da situação, quando… eis que surge no Facebook uma nova solicitação de amizade: é ele! Você, claro, não hesita em aceitar o convite e não perde tempo: corre para dar aquela stalkeada.

Rolando a timeline do boy, você tem a primeira decepção: “Aí galera, curti aí minha foto nova!” Pior do que mendigar curtida, é esse baita erro da criatura. A essa altura do campeonato, você já está pensando seriamente se ele merece ser promovido a crush. Quiçá contatinho!

Print! Desesperada e com lágrimas nos olhos, você faz aquele screenshot e envia pro grupo das amigas no WhatsApp: “Gentee, olha aquele boy de ontem! Que decepção, 1 x 0 pra minha intuição!”. Como pimenta nos olhos dos outros é refresco, as suas amigas, muito compreensivas, perdoam o pobre coitado: “Ah, cara, coitado… Ninguém é obrigado a saber escrever corretamente. Você está sendo preconceituosa!”.

Preconceituosa? Não, queridas. Nada disso. Preconceito – e uma tremenda babaquice – seria zoar alguém que não teve acesso à educação e, portanto, não teve oportunidade de aprender as regras básicas do Português. O boy está cursando o sétimo período de Engenharia Civil! Poupe-me! Desprovido de inteligência ele não é!

Mas parece. Ok, sigamos. Você dá mais uma passeada pela página dele e pá: #LáVemTextão! Esse é aquele momento em que você pensa: “será que estou preparada pra ler isso e talvez acabar com o meu interesse nele?” Decide que vai arriscar. Em 15 linhas de desabafos políticos carentes de embasamento, o boy dilacera o Português e, junto com ele, o seu coração. Agente não pode aceitar isso”. Mais você não disse antes”. Oque ele está fazendo é um absurdo”. E por aí vai.

Você lê as 15 linhas e decide não responder aquela mensagem que ele te mandou no Messenger: “E aí gata, vai vim na minha festa amanhã?” Não. Você não vai. Mas vale a pena respondê-lo sim. Manda um “Oi, tudo bem? Infelizmente não vou poder, preciso estudar. Tô em semana de provas”. Depois da mensagem, você copia o link desse post, manda pra ele e diz que foi sem querer. Era pra sua amiga! Se você é o boyzinho que tá lendo até aqui, saiba que você pode enviar suas dúvidas para a Academia Brasileira de Letras via e-mail. Depois de alguns dias, você recebe a resposta com a explicação!

Por Juliana Reche Swerts