Existem inúmeras maneiras de se devotar à algo ou alguém, bem como proferir sua fé. Contudo, alguns discursos religiosos acabam se sobressaindo por serem realizados fanaticamente, principalmente quando acompanhados de algumas hipocrisias. Em “Greenleaf”, série do canal da apresentadora e empresária Oprah Winfrey, a Oprah Winfrey Network (OWN), uma família de pastores evangélicos do Memphis escondem segredos e problemas em suas relações familiares, enquanto sofrem sanções por crimes cometidos que começam a ser descobertos.

A trama se inicia com o retorno da filha Grace Greenleaf (Merle Dandridge) após 20 anos. Grace costumava ser uma pastora, como seu pai, o Bispo James Greenleaf (Keith David), mas se afastou da igreja. Sua volta é vista com receio por sua mãe, Lady Mae (Lynn Whitfield), e por seu tio Mac McCready (Gregory Alan Williams), cujo Grace não demonstra afeição. Mais tarde, então, é revelado que Grace decide ficar em Memphis para fazer justiça.

Os Greenleafs são proprietários do Calvário (Calvary Fellowship), um templo evangélico onde se realizam pregações, bem como batizados, casamentos e outros eventos. É uma congregação bem famosa, com muitos membros, e que também comanda a escola local. Além de Grace existem mais dois irmãos, Jacob (Lamman Rucker) e Charity (Deborah Joy Winans), que são casados com Kerissa (Kim Hawthorne) e Kevin (Tye White), respectivamente.

Greenleaf

Apesar de parecerem um modelo de família padrão, são os segredos que aparecem para causar ação e drama na série. Enquanto estabelecem um discurso que prega um estilo de vida livre de atitudes “incorretas”, os erros estão concentrados no núcleo principal. O grande questionamento vem através de uma das pregações de Faith, uma das irmãs, que está em um cd encontrado por Sofia (Desire Ross), filha de Grace. Faith questiona sobre a cobrança da perfeição no outro e em suas atitudes, quando nem mesmo somos perfeitos. O clichê “todos cometemos erros” é o que carrega a narrativa ao longo da primeira temporada, em treze episódios muito bem feitos e capazes de viciar o espectador.

São discutidos diversos assuntos no decorrer da história, como abuso sexual, roubo de dinheiro (através de dízimos), homossexualidade e adultério. Todos os pontos, de certa forma, são condenados no discurso religioso e esse, por sua vez, acaba tendo um alcance impressionante, formando opiniões embasadas na série. Com a revelação de alguns segredos, o alcance do discurso perpetuado pela família Greenleaf no Calvário, começa a diminuir.

O elenco é todo composto de atores negros, o que pontua bem a questão da representatividade. A própria Oprah Winfrey atua na trama, num papel crucial para o entendimento da mesma. Keith David tem destaque no papel do Bispo, que se revela um grande manipulador, e Merle Dandridge cativa no papel de Grace, que vive o dilema de fazer justiça e lidar com as consequências que cairão sobre sua família. A atriz Deborah Joy Winans também dá um show a parte no papel da filha Charity, que é responsável pelo coral da igreja e canta canções belíssimas na série, como “God Bless The Broken Road”. A trilha sonora está disponível no youtube.

Outro ponto apresentado diz respeito ao discurso religioso envolvendo a mulher e seu papel na sociedade. Dentro da trama é cobrado a obrigação de ter filhos e só se relacionar sexualmente após o casamento, além de evidenciar situações de abusos físicos e sexuais, como estupro e violência doméstica.

Durante os treze primeiros episódios a narrativa se desenrola de maneira eletrizante, gerando a necessidade de consumir mais capítulos e acompanhar o desfecho das intrigas que surgiram. De certa forma, tudo que é apresentado na série tem seu ponto final (alguns não tão felizes quanto outros), mas que na época abriram espaço para uma próxima temporada.

“Greenleaf” atualmente está em sua segunda temporada, já confirmada para uma terceira. A primeira temporada possui treze episódios e está disponível na netflix. Assista ao trailer abaixo.