Um dos mais importantes grupos teatrais do Brasil, o Grupo Galpão, completou 34 anos e segue se apresentando com o espetáculo “Nós”, dirigido por Marcio Abreu. A peça traz sete personagens que preparam uma sopa enquanto partilham angústias e esperanças. Em cena, são levantadas questões como violência, intolerância e a convivência com o diferente.

Sem abrir mão das suas raízes no teatro popular, o grupo busca mais um desafio. “Nós” é um projeto mais contemporâneo na sua linguagem cênica que de costume e aborda questões bem atuais, como a violência policial, a tragédia de Mariana, o terrorismo fanático, o preconceito e a sensação de impotência diante de certos acontecimentos. Outros temas mencionados são a democracia em tempos de intolerância, a violência generalizada e a crise da esquerda.

Foto: Guto Miniz

Fica fácil a associação com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando a personagem de Teuda Bara (mais uma vez surpreendente) é expulsa violentamente de cena. A personagem de Teuda, atriz de 75 anos muito reconhecida pelo seu trabalho no teatro e na TV, fala sobre a rejeição de alguém de sua idade pelo mercado de trabalho e até pela própria família. Os atores mostram um entrosamento incrível em cenas improvisadas e na interação com o público. Já característica do grupo, este espetáculo aproxima o espectador dos atores mas, desta vez, leva essa missão ao extremo. E só assim poderiam atingir a meta deste projeto.

“Nós”, tem aqui o sentido de amarras, entrelaces. Mas também fala de pertencimento a um coletivo, que é talvez a nossa primeira percepção. A ação cênica segue em torno de uma mesa onde a sopa será servida. O Mais interessante é que a ideia do grupo não é correr atrás de conclusões mas sim levantar questões e criar um ambiente de arena onde o questionamento é livre. “Nós” é um ato político e convida o público a discutir e comemorar junto com os atores, quebrando barreiras.

Para outras informações, acesse nossa agenda cultural:

Agenda

Por Thiago Pach