Como nós já falamos, um novo conceito está surgindo no mundo da moda. Bem longe da vibe dos Black Fridays, Cyber Mondays, ou do frisson pelas promoções, o Slow fashion propõe uma moda consciente. E quando se diz consciente, fala-se de uma consciência tanto social quanto ambiental, porque marcas que adotam a moda slow tem consciência de toda cadeia produtiva de suas peças. Abominam a mão de obra escrava e um padrão de produção e consumo não-sustentável. Mas agora, colocando em prática, quais são as marcas adeptas deste movimento: Como achá-las e onde comprá-las? Para te ajudar, a gente fez uma lista com algumas marcas de slow fashion que estão em alta no circuito.

Ahlma

A grife do estilista escritor de “Moda com propósito”, André Carvalhal é uma das mais queridinhas dos cariocas hoje. A marca nasceu da Malha, um projeto de moda colaborativa pensado também por Carvalhal que reúne dezenas de designers independentes em um galpão em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Mais que uma loja, a Ahlma é um conceito: todas as peças tem a descrição da origem de seus materiais e o quanto do valor da roupa ou do acessório é imposto, custo operacional, investimento e lucro.

Doisélles

A marca de Raquel Guimarães é toda idealizada em crochê e tricô, mas esqueça os tricôs da vovó, aqui a proposta é bem mais moderna com modelagens amplas. Sua oficina fica em um presídio de segurança máxima em São Paulo onde a designer tem um projeto chamado “Flor de Lotus”, que emprega mão de obra de detentos em troca de salário, redenção da pena e auxílio às famílias.

Coletivo de Dois

Uma das mais famosas marcas de slow fashion, a Coletivo de Dois começou com um projeto dos estilistas Hugo Mor e Daniel Barranco de roupas feitas a partir de retalhos. O resultado foi uma label com uma vibe anos 80 “supercolorida” e com preocupação com a sustentabilidade desde o processo de produção e logística até suas sacolas, que são feitas com restos dos tecidos e de papel kraft. O ateliê dos dois designers que juntos levam a marca sozinhos fica na Avenida São João, 324 cj 802, em São Paulo, mas entregam em todo país.

Gioconda Clothing

A também paulista Gioconda Clothing traz um conceito de roupa confortável, com tecidos leves e naturais. São lingeries e “roupas de ficar em casa” que facilmente poderiam sair de casa fabricadas artesanalmente e todos os seus materiais têm certificado de matéria-prima brasileira. A marca leva o conceito slow tão a sério que todas as roupas são entregues aos correios  pessoalmente pela estilista bicicleta.

Nicole Bustamente

A marca adota a filosofia vegana e mesmo localizada na cidade cinza de São Paulo, seus designs são inspirados na natureza. Todas as suas matérias-primas são 100% vegan friendly e brasileiras. São roupas e acessórios femininos, masculinos e sem gênero, tudo produzido à mão. Tudo está à venda em sua loja física na Bela Vista ou em seu site.

Crua

Saindo do eixo Rio-São Paulo temos a Crua em Floripa. O estúdio tem como conceito a ressignificação de materiais. A partir de restos de madeira, a marca desenvolve delicados acessórios pintados à mão. Além de trabalhar em eventos como a maioria das marcas de slow fashion, os acessórios da Crua são vendidos em três lojas em São Paulo (uma em Campinas e duas em São Paulo) e em duas de Santa Catarina (ambas em Florianópolis), além de, é claro, vender on-line.

Insecta Shoes

A partir de roupas usadas, garrafas plásticas recicladas e restos da indústria calçadista a Insecta Shoes fabrica sandálias, slippes e botas totalmente veganos. Fundado em 2014 em Porto Alegre, a marca tem como missão conscientizar e educar o público sobre sustentabilidade. Além da ecologia, outra causa abraçada pela marca é a liberdade de gênero: todas as suas peças são sem gênero. Insecta Shoes tem duas lojas próprias (uma em SP e outra em Porto Alegre), mas é vendida em outras 10 lojas dentro e fora do Brasil.

Zerezes

Óculos de sol para durar a vida toda: esse é o objetivo da Zerezes. O coletivo carioca formado por Hugo Galindo, Henrique Meyrelles, Luiz Eduardo Rocha e Victor Lanari veio com a ideia de produzir moda com baixo impacto ambiental. Seus óculos de sol estão entre o artesanal e o design e são todos fabricados a partir de resíduos gerados no beneficiamento das madeiras redescobertas. A Zerezes tem duas lojas próprias no Rio de Janeiro, mas vende em outros 11 locais dentro e fora do Brasil, entre eles o Museu de Arte do Rio e a loja Farm.

Karmen

A marca tem como causa principal a preocupação com o desperdício da indústria têxtil. Por isso, ela utiliza tecidos de qualidade que a indústria não quis mais, o que confere possibilidades infinitas de estampas e peças únicas. Além disso, ela tem um visual urbano e a cada desenvolvimento convida artistas diferentes. Karmen está a venda on-line e na loja Heloisa Faria em Vila Madalena, São Paulo.

Cycleland

Cycleland, formada pela designer de moda Naly Cabral e o designer gráfico Rafael Afonso, nasceu como uma reflexão sobre o lifestyle urbano e a mobilidade. Com coleções limitadíssimas, a marca tem um controle bastante próximo de sua cadeia de produção. Além disso, todas as suas peças são pensadas justamente para serem usadas em cima de bikes. A Cycleland é vendida on-line, na Pandorga, em Porto Alegre, e na Mapi 49, em Goiânia.

Se você ainda não achou sua marca de slow fashion, uma boa é ir no site Slow Down Fashion, onde é possível encontrar um catálogo de lojas sustentáveis separadas por categoria e por cidade. O importante é consumir com responsabilidade.