Um show nostálgico e cheio de sucessos

No ultimo sábado (27/01) foi o dia em que o Km de Vantagens RJ recebeu, depois de anos, a apresentação da banda mineira Jota Quest. A turnê “Acústico: Músicas Para Cantar Junto” traz uma seleção de sucessos da carreira e algumas músicas novas. A banda de pop rock formada em 93, em Belo Horizonte-MG, mantém sua formação original, mas aumentou o número de músicos para essa turnê.

Como os brasileiros não conhecem o significado e o cumprimento da pontualidade, o show, que estava previsto para começar às 22h30, só teve início às 23h01. No horário previsto, somente um pouco mais de mil pessoas haviam chegado ao local da apresentação. E essa questão da falta de pontualidade vem se repetindo com muito frequência nos shows apresentados na casa. Com o começo do show, as cortinas se abriram com um som harmônico reproduzido pelo teclado, enquanto os músicos iam entrando, ocupando seus lugares e sendo aplaudidos pelo público presente.

Dando um rápido “Boa noite, Rio de Janeiro”, Rogério Flausino iniciou o setlist com “Dias Melhores”. No palco, todos posicionados, havia um grande telão em “v”, com a ponta para o fundo do palco, e outros 4 telões, estreitos e pequenos, sobre o outro, na horizontal. Durante quase toda a apresentação, vimos as mais diversas imagens coloridas e em movimento para ilustrar cada canção. Não necessariamente elas possuíam ligação direta com a letra, mas sem dúvida alguma as reproduções abrilhantaram o espetáculo de maneira geral.

Na sequência, veio “O Que Também Não Entendo”, “Encontrar Alguém” e “Mais Uma Vez”, que foi acompanhada pelo público com palmas compassadas. Foi, então, que Flausino falou um pouco sobre esse novo projeto e o por quê de ser um acústico. Para completar a narrativa, ele seguiu puxando “Morrer de Amor”, parceria com Alexandre Carlo, do Natiruts. Com uma introdução de sonoridade espanhola, tivemos na sequência “Amor Maior”, com um solo de violões em seu final. Fechando essa parte, veio “Na Moral” e, posteriormente, a apresentação dos backing vocals.

Com imagens dos integrantes reproduzidas no telão, ouvimos “Daqui Só Se Leva o Amor”. Logo depois, “O Sol”, que no CD e DVD conta com a ilustre presença do também mineiro Milton Nascimento. Nessas duas, tivemos novidade: uma introdução de pegada sertaneja, que se repetiu ao final com mais fluidez e sonoramente muito próxima às canções do próprio Milton. Intitulada como o carro chef da produção “Quando Você Lembrar de Mim” veio em seguida, fazendo o público bater palmas ritmadas à vontade. Para finalizar a primeira parte do show e a primeira chuva de papéis picados, “Mandou Bem” foi a música da vez.

Com uma pequena pausa, de aproximadamente 3 minutos, 6 grandes spots de contra luz desceram sobre o palco. Um pequeno tablado foi montado e alguns instrumentos foram ali posicionados com banquinhos. Assim, teve início a parte mais acústica de todo o show. No sentido mais literal da palavra mesmo. Foi com “Fácil” que o show retornou, ganhando um coro fervoroso da platéia, seguida por “Vou Pra Aí”. Então, Flausino brincou que recebeu uma mensagem dizendo que como eles iriam tocar na Barra precisavam tocar aquela música que falava de Jacarepaguá. Mesmo não fazendo parte do set list “Ônibusfobia”, presente no álbum de 96 do Jota Quest, teve um trecho reproduzido.

Depois, foi a vez de “A Vida e Outras Histórias”, uma composição em parceria com Leoni. Já com uma pegada entre o blues e o country, tivemos “Sempre Assim”. Nela, ainda foram incluídos trechos do refrão de “Emoções”, de Roberto Carlos. Chegava ao fim o segundo ato, com os spots e os instrumentos sendo recolhidos. Os demais integrantes da banda retornaram e “O Vento” ecoou pelo lugar, dando destaque ao excelente trio sopro. “Você Precisa de Alguém”, música nova em parceria com o Marcelo Falcão, veio em seguida. E, logo após, com uma pegada ritmada de Ska, tivemos “Um Dia Para Esquecer”.

Já faz uma hora e meia, uma hora e quarenta, que estão sentados. Vamos levantar pra desamassar a bunda“, disse Flausino antes de puxar “Blecaute”. Com o público animado e em pé, “Planeta dos Macacos”, com a intro de “Viva a Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas, o Jota Quest fez seu protesto. No telão, foram reproduzidas imagens de manifestações, políticos corruptos, desempregados e etc. Ao final da canção, o vocalista da banda disse: “Faça o que tu queres que é tudo da lei”, mostrando os dois dedos do meio.

Mais uma pequena pausa, para tomar fôlego e voltamos aos assentos. Entramos na parte final do acústico. “Dentro de Um Abraço” começou a finalização, com o pedido para que o público abraçasse as pessoas próximas. “As Dores do Mundo” veio na sequência antes de uma pequena pausa para Flausino contar uma curiosidade da carreira da banda. Segundo ele, o Jota Quest tocou pela primeira vez no Rio, no Metropolitan (antigo nome da casa), quando abriram um show do Skank. Depois, fizeram mais algumas apresentações por lá, mas antes do acústico, passam 10 anos sem retornar ao local. E esse foi o motivo do show acontecer no Km de Vantagens.

Flausino e Marco Túlio, apenas com violões e gaita apresentaram “Vem Andar Comigo”. Ao final, o vocalista soltou a frase: “Que a gente possa colher muitas flores pelo caminho. Muito obrigado rapaziada”. O restante da banda, que estava fora do palco, voltou para tocar “Só hoje”, com uma introdução longa e bem mais rítmica. Já a saideira, depois do pedido de bis da plateia, veio com introdução de gaita para “Ao Seu Lado”.

Quem acompanha a carreira da banda sabe bem que o rock “animado” dos meninos jamais deixará de existir. Afinal, essa é uma das boas características do Jota Quest. Com mais de 20 anos de carreira, Rogério Flausino, Marco Túlio, PJ, Paulinho Fonseca e Márcio Buzellin, se mostram muito mais maduros tanto no palco quanto nas próprias músicas. Os novos arranjos, dão esse ar de maturidade, sem perder a espontaneidade das canções. Sem dúvida alguma, essa é uma ótima oportunidade para eles se renovarem perante o público e o mercado, relembrando os grandes sucessos. De fato, essa é uma apresentação para se cantar junto, pois se não for assim, nãos faz sentido ir. Acreditamos que os 3.192 presentes, também devem concordar conosco.

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