Hoje, dia 15 de abril, comemoramos uma data especial, aqui, para a nossa coluna ApArt por um motivo, e para os cristãos, por outro: hoje é o Dia Mundial do Desenhista, que, não por coincidência, mas propositalmente, também lembramos o aniversário de nascimento do grande mestre da pintura, Leonardo Da Vinci. Já se passaram 565 anos que veio ao mundo este gênio, e até hoje desfrutamos de suas pinturas e seus mistérios, sendo um grande professor para os mais diversos tipos de desenhistas por este mundo afora!

Para os cristãos hoje é comemorado também o Sábado de Aleluia, a noite em que passam em vigília ao aguardar a Páscoa da Ressurreição, e, por tradição, em diversas cidades do interior, seguindo a herança deixada pelos espanhóis e portugueses, é o famoso Dia de Malhar o Judas, para lembrar da traição do Apóstolo ao seu mestre e consequentemente sua morte decorrente de um suicídio.

Esboço a carvão para a pintura da Última Ceia, por Leonardo

Esboço a carvão para a pintura da Última Ceia, por Leonardo

Mas, que relação tem um a comemoração com a outra? Leonardo Da Vinci retratou por diversas vezes figuras e cenas religiosas, muitas destas tornando-se clássicas para a história da arte, e uma delas é justamente um dos quadros mais comentado e analisados que existe: “A Última Ceia”. Trata-se de um afresco encomendado pelo Duque de Milão Ludovico Sforza, para enfeitar o refeitório de um convento dominicano, Santa Maria delle Grazie. Estima-se que a obra foi realizada entre os anos de 1494 e 1498, alguns especialistas chegam a dizer que levou até 7 anos para sua realização, mas não se sabe ao certo esta informação.

O que sabemos é que, muitas histórias e lendas giram em torno desta grandiosa obra de arte, e muitas delas afirmam, através de estudos feitos em cima da produção e de escritos deixados por Da Vinci, que esta pintura, apesar de retratar um momento da religião católica, é um protesto exatamente contra a Igreja, um quadro de resistência. Os enigmas e histórias que este quadro traz vão desde afirmar que Maria Madalena era casada com Jesus, a dizer que o traidor retratado era Pedro, que representa o Papa e a Igreja.

E é por isto mesmo, que a Igreja, não querendo ficar atrás e perder seus fiéis e seguidores, também lançou uma lenda a respeito desta relíquia de Leonardo Da Vinci, narrativa esta que serve tanto para atrair para si mais seguidores, como também para demonstrar que o quadro sim, foi pensado para o cristianismo, e hoje é usada como forma de catequese, um ensino para os povos, o conto é bem propício para esta data, já que, além de falar sobre técnica de desenho, tem como personagens principais o próprio pintor e a figura de Judas e Jesus Cristo, e é esta história que vamos conhecer agora:

Reza a lenda que… Leonardo Da Vinci, demorou, na realidade, uns 7 anos para a conclusão do afresco, e conforme ia representando cada discípulo, cada figura humana, procurava por modelos vivos, que tivessem exatamente a fisionomia que ele desejava para a obra. Desta forma, ficaram por último a figura de Jesus e de Judas.

Uma bela tarde, Da Vinci passeava pelo mosteiro dominicano onde estava a trabalhar e ouviu a voz de um monge cantando a oração das Vésperas. Encantado foi verificar de quem se tratava. Qual não foi sua surpresa ao perceber um belo jovem de 20 e poucos anos que era o rosto ideal pra servir-lhe como modelo de Jesus. Ao fazer o convite, o moço não exitou em aceitar, e assim o rosto de Cristo foi representado no quadro.

Porém, a dificuldade em achar alguém que se assemelhasse a sua ideia de Judas foi tanta que se passaram 7 anos, e passado este tempo, ao caminhar pela cidade, encontrou um homem jogado no caminho, com feições horríveis e degradantes, um homem completamente desprovido de sua dignidade humana. Da Vinci o achou ideal para sua representação que tinha feições de um homem ruim e traidor, e, ao realizar o convite, o homem respondeu-lhe:

– Irá pintar-me novamente? Não está a me reconhecer? Sou o jovem que lhe serviu de modelo para pintar Jesus, porém, como me entreguei aos vícios, encontro-me neste estado, mas pode contar comigo novamente!

E assim, o gênio pintor concluiu sua obra!

É uma simples lenda, mas serve para reflexão e estudo, afinal de contas, até hoje não se sabe se tem um fundo de verdade ou não neste conto.

Fonte: A CATEQUESE ILUSTRADA PELA BIBLIA E EXEMPLOS – Pe. Miguel Méier S.J. – Edições A Nação – P. Alegre, RS – 1ª. edição, 1953, pp. 189 – 190