Literando - Faixa

Os mestres de nossa literatura.

Todos nós sabemos que lá fora o Brasil é conhecido como o país do carnaval e do futebol. Há quem pense que andamos no meio da floresta com macacos (Sim, isso é sério!), além de outras coisas que podemos considerar um pouco ofensivas. Mas mesmo que a imagem nacional possa não ser das melhores lá fora, os gringos adoram nossa Bossa Nova e nossa Literatura.

Pode parecer estranho, mas existem alguns autores brasileiros que são até mais lidos no exterior do que no próprio Brasil. Que nossa literatura é muito rica, nós sabemos, mas não a valorizamos infelizmente. Bom, pelo menos não a maior parte de nós.

Abaixo fizemos uma pequena lista sobre alguns dos autores brasileiros mais famosos no exterior para que, quem não conhece, passe a conhecer e para os devoradores de livros saibam quem são os grandes lá fora. Além do eterno Machado de Assis, temos Rubens Fonseca, Jorge Amado e a única mulher da lista, Clarisse Lispector. Paulo Coelho é o mais lidos lá fora, mas ficou fora da lista por motivos de: Não gosto dos livros dele. Reconheço suas qualidades, mas não o tenho em minha estante. Vamos aos nomes?

Chico Buarque

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Francisco Buarque de Holanda, conhecido como Chico Buarque, é um artista multifacetado. Cantor, compositor, dramaturgo e escritor, ele se destacou na música para mais tarde conquistar os teatros e livrarias brasileiras. Responsável por uma das maiores discografias nacionais, onde suas músicas vão do samba ao jazz, Chico teve seu primeiro livro publicado em 1966. Suas principais obras literárias são “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado”, sendo os dois últimos citados um sucesso absoluto dentro e fora do Brasil.

Jorge Amado

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Nascido em Salvador, no ano de 1912, Jorge Amado sempre foi um grande narrador da cultura nacional e principalmente baiana. Formado em direito, mas sem nunca ter exercido a profissão, ele também foi eleito deputado federal pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro), em 1945. Amado é um dos autores brasileiros mais premiados e reconhecidos pelo mundo. Suas obras foram traduzidas para 55 países, em 49 línguas diferentes e teve seus maiores sucessos adaptados para a tv e o cinema: “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Tenda dos Milagres”,” Tieta do Agreste”, “Gabriela, Cravo e Canela” e “Capitães da Areia”.

Rubens Fonseca

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Com o primeiro livro publicado em 1963, o mineiro de Juiz de Fora, Rubens Fonseca, se dedicou exclusivamente a literatura. Mesmo sendo formado em direito e já ter trabalhado na policia, Rubens é um dos autores mais admirados por sua literatura “Bruta”, marcada por narrativas de violência urbana, crimes, mistérios e sempre com a exclusão social como pano de fundo. Além de “Os Prisioneiros”, seu primeiro livro, as publicações mais famosas do autor são “Feliz Ano Novo”, “O Seminarista” e “O Caso Morel”.

Clarisse Lispector

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, Clarisse começou a escrever cedo e seu primeiro livro, “Perto do Coração Selvagem”, foi lançado quando tinha 23 anos e logo foi traduzido para o francês. Defendendo sempre seu ponto de vista de forma clara, a autora que dividia sua vida em escrever suas obras e o jornalismo, se tornou em pouco tempo uma das maiores escritoras do país. Mesmo após sua morte, aos 57 anos, causado por um câncer, as obras “A Hora da Estrela”, A Paixão Segundo G. H.”, “Laços de Família” e “A Descoberta do Mundo” lhe deram o privilégio de ser uma das autoras mais lidas no mundo, décadas atrás.

Guimarães Rosa

12633475_212905479056016_3940084542330631752_o

Foto: Divulgação

Também conhecido como João Guimarães Rosa, nascido em 1908, na cidade de Cordisburgo, Minas Gerais, ele foi auto didata e aos 7 anos começou a aprender francês sozinho, mais tarde continuou seus estudos com a ajuda do Frei Canísio Zoetmulder, que também o ajudou a aprender Holandês. Grande parte de suas obras são focadas em narrativas passadas no sertão, como as mais famosas “Grande Sertão: Veredas” e “Noites do Sertão”. Vale citar também, que ele foi o 3° ocupante da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras, em 1963, e que mesmo formado em medicina, largou a profissão, pois não aguentava ver o sofrimento da população carente por da falta de infraestrutura das cidades.

Milton Hatoum

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Hatoum nasceu em 1952 em Manaus. Tradutor, professor e escritor, ele deu aulas de literatura na Universidade Federal do Amazonas e na Universidade da Califórnia em Berkeley. Considerado um dos maiores escritores brasileiros vivos, sua obra mistura ficção com memorias autobiográficas, relatos orais de histórias da região onde cresceu, cercado pela dimensão da selva amazônica. Seus livros forma publicados em 14 países, traduzidos em 12 idiomas e já lhe rendeu o premio Jabuti, o maior premio da literatura brasileira. Seu primeiro romance, “Relato de Um Certo Oriente”, está sendo adaptado para o cinema, mas ainda não há previsão para o lançamento.

Machado de Assis

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

De origem humilde e sem acesso a educação, estudando como podia, Joaquim Maria Machado de Assis é um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e o primeiro ocupante da cadeira 23. Aos 15 anos publicou seu primeiro soneto: “À Ilma. Sra. D.P.J.A”, mas só quase 10 anos depois teve seu primeiro livro publicado. Dentre suas inúmeras e famosas obras, podemos citar: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, “A Mão e a Luva”, “Helena”, “A Cartomante”, “Contos Fluminenses” e muitos outras que foram traduzidas para mais de 15 línguas.

Outros nomes bem lidos fora do Brasil são Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Moacyr Scliar, Graciliano Ramos, Oswald de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Depois dessa lista, não me venha com a conversa fiada de que não existem bons autores brasileiros. Boa leitura!

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.