Contos de fada não são clássicos à toa. São histórias universais que nos inspiraram e continuam a nos inspirar. Centenas de anos já se passaram desde que foram escritos ou contados pela primeira vez e ainda assim continuam sendo obras pertinentes. É claro que são altamente irreais, mas, como dizia Ferreira Gullar, a arte existe porque a vida não basta. O que seria de nós se não pudéssemos sonhar?

Mas e se nossas crianças pudessem sonhar com o que podem tornar realidade? E se nossas meninas lessem sobre anti-princesas e heroínas do mundo real? Essa é uma ideia que vem se popularizando e se tornando real através de livros infanto-juvenis que contam a história de mulheres como Frida Khalo e Malala ou que simplesmente explicam em uma linguagem infantil, que as meninas podem ser o que elas quiserem.

  • Capitolina

A Capitolina começou como uma revista on-line feminista. Mas não uma pensada para meninas grandes que já sabem o que é feminismo, mas como uma revista para pré-adolescentes. Foi algo como uma resposta a revistas como Capricho e Atrevida, que perpetuavam o pensamento machista em reportagens ditando como as meninas deveriam se vestir e agir para agradar os meninos. Assim como em qualquer revista para meninas a que leva o nome da protagonista de Dom Casmurro tem seções de moda, culinária e comportamento. Mas tudo em uma perspectiva de empoderamento feminino. A revista cresceu tanto que se tornou um livro. Um não, dois. Tanto o “Capitolina Vol 1 – O poder é das Garotas” quanto “Capitolina Vol 2 – O mundo é das garotas” reúnem alguns dos melhores textos e reportagens do site e outros inéditos.

  • Histórias de ninar Garotas Rebeldes

Escrito pelas italianas Elena Favilli e Francesca Cavallo com a contribuição de 60 mulheres do mundo todo nas ilustrações, este livro chegou no Brasil em fevereiro deste ano e têm feito um relativo sucesso. Não era para menos, a ideia é ótima e a execução também. O livro conta a história de 100 mulheres que se destacaram em áreas como esporte, política, ciência e artes. Desde Cleópatra até Michelle Obama, as histórias das mulheres são narradas sucintamente em forma de fábulas para as meninas sonharem com mulheres reais.

  • Anti-princesas

Escrito pela argentina Nadia Fink, o “Anti-princesas” é uma coleção de livros infanto-juvenis para garotas. A ideia é fazer com que meninas conheçam a história de mulheres icônicas da história, oferecer uma alternativa às tradicionais histórias das princesas que são salvas pelos príncipes. Até agora já foi publicado a história da cantora chilena Violeta Parra e da artista mexicana Frida Khalo. Os livros não ocultam partes polêmicas da vida das biografadas como a poligamia de Frida ou a censura de Violeta, mas nada é dramatizado, mesmo as passagens mais intensas são narradas em uma linguagem infantil bem mais amena.

  • Malala, a menina que queria ir para a escola

Sem dúvidas a história do prêmio Nobel da Paz, Malala é uma das mais inspiradoras dos últimos tempos. Nada mais justo que fazer com que meninas do mundo todo conheçam a história da paquistanesa que tinha um belo sonho: ir para a escola. O livro, apesar de ser destinado a crianças e pré-adolescentes é uma reportagem muito bem feita. A história de uma menina muito corajosa, para fazer com que muitas outras também sejam.

Muitos desses livros foram pensados para meninas. Para que meninas se inspirem e acreditem que possam ser tudo o que quiserem. Para que meninas sonhem com heroínas reais e se espelhem em grandes mulheres. Mas vale lembrar que nada impede que os meninos também leiam, que também se inspirem e que também aprendam sobre as grandes mulheres da história do mundo.