Já não basta mais ser só bonita. Por mais contraditório que a frase possa parecer, beleza já não é tudo no mercado da moda e beleza. O ano de 2017 veio para comprovar uma tendência que crescia nos últimos anos: o de modelos fotográficas e de passarelas que são verdadeiras modelos para a vida de muitas meninas que assistem os seus desfiles ou que compram suas revistas.

Um ano marcado por denúncias ao machismo, pela celebração da diversidade de gênero, raça e opção sexual não poderia ser diferente: as modelos que mais se destacaram neste ano são justamente ativistas pelos direitos das mulheres, dos negros e ativistas contra o body-sahmming. Esqueçam as modelos irreais, as modelos que mais se destacaram em 2017 são mulheres reais e mulheres reais incríveis! Mulheres que inspiram outras mulheres, tem coisa melhor?

Adwoa Aboah 

A modelo que abre nossa lista das que mais se destacaram em 2017 é britânica e vem de uma família com tradição no mundo da moda. Mas bem longe das típicas inglesas brancas e loiras Adwoa é negra de cabelos ruivos e crespos. Só por conseguir inserir-se no mundo da moda e ter sido eleita a modelo do ano pelo Fashion Awards ela já seria uma referência. Mas a top foi muito além. Em 2016 ela criou o “Girls Talk”, uma plataforma online para promover a discussão entre mulheres sobre autoimagem, sexualidade e saúde mental. A ideia surgiu após 2015, quando Aboah sofreu depressão e tentou suicídio. Desde que se recuperou, a inglesa tem sido uma das principais vozes sobre transtornos mentais no mundo da moda.

Cameron Russel 

Se Hollywood virou de cabeça para baixo com as acusações de assédio sexual do produtor Harvey Weinstein, o mundo fashion virou de cabeça para baixo depois do movimento incitado pela modelo norte-americana Cameron Russel. Através de seu Instagram, a top que é conhecida por seu ativismo ambiental, convocou outros profissionais da moda para compartilharem casos de assédio e abuso que viveram em seu ambiente de trabalho. #MyJobShouldNotIncludeAbuse (Meu trabalho não deveria incluir abuso) trouxe à tona uma série de escândalos que passaram anos por de baixo dos panos.

Ashley Graham

Neste ano muito se discutiu sobre o body-shamming, que faz as mulheres terem vergonha do seu próprio corpo, o body positivity, que faz as mulheres amarem seu próprio corpo, e o body neutrality, que faz as mulheres terem um olhar neutro sobre o seu próprio corpo. Se houve uma modelo que abraçou esta causa e se tornou um símbolo da aceitação da autoimagem foi Ashley Granham. A americana foi a primeira manequim 46 a estampar a revista Sports Illustrated. Hoje ela tem sua própria marca de lingeries plus size, a Addition Elle, e é a 10ª modelo mais bem paga do mundo.

Hari Nef 

Hari Nef não é a primeira modelo transgênero, mas é a mais icônica de sua geração. Ela foi a primeira trans a desfilar pela Gucci e assinar com a IGM, agência de nomes como Gigi Hadid e Gisele Bündchen. Foi considerada pelo site models.com como a revelação do ano de 2016 e como a segunda modelo mais influente nas redes sociais. A modelo de 25 anos estreou nas passarelas em 2015, quando ainda estava em período de transição. Mas para além da modelo, Hari é atriz, formada pela universidade de Columbia e uma voz importante na luta dos direitos LGBTQ.

Duckie Thot 

Talvez você conheça a modelo pelo nome de “Barbie Negra”. Um dos destaques do calendário Pirelli de 2018 e da Fenty Beauty, a australiana e sudanesa posou para a marca de pneus como Alice do livro de Lewis Carroll. A modelo participou do Australia’s Next Top Model e por causa de sua semelhança com a boneca ela viralizou nas redes sociais sendo vice-campeã na categoria revelação do ano pelo models.com.

Teddy Quinlivan 

Teddy foi descoberta há dois anos pela Louis Viutton desde então já desfilou por grifes como Moschino, Carolina Herrera e Chanel. Mas foi neste ano que a modelo surpreendeu a todos e revelou, antes de subir nas passarelas de Marc Jacobs que era transgênero. A modelo disse à CNN durante a entrevista em que revelou ser trans que o momento político dos Estados Unidos está se tornando cada vez mais hostil aos transexuais, e sua revelação pôde torna-la uma voz poderosa na defesa dos direitos trans.

Slick Woods

Slick foge completamente aos padrões das modelos: negra, com os dentes generosamente separados, de cabelos raspados e várias tatuagens no corpo. Ela é quase uma anti-modelo, venceu todos os preconceitos e foi uma das  mais aclamadas de 2017. “Eu tenho uma cabeça raspada, sou preta e pequena, mas não tenho limites no que faço”, disse a modelo que só neste ano desfilou para a Moschino, Miu Miu, Fendi e Puma.

E aí, sua modelo favorita está na lista?