Com 75 obras, é a maior mostra do artista já feita no país

A mostra faz parte de um projeto anual do museu que conta Histórias da Sexualidade. Por isso, aborda o tema em uma série de trabalhos entre os quais Toulouse-Lautrec pinta cortesãs no bordel. O artista havia abandonado a vida regrada e controlada dos nobres para perambular pela marginalidade parisiense. O caminho sem volta noite adentro amparou suas obras plásticas e também refletiu seus vícios. Aleijado, com as pernas atrofiadas depois de um acidente de infância, virou um alcoólatra. Tinha uma obsessão por dançarinas, atrizes, prostitutas e pelos senhores indiscretos que frequentavam os bordeis. Suas imagens, então, são registros fotográficos de momentos e fragmentos das cenas noturnas.

O trabalho de Lautrec faz pensar no imaginário parisiense da belle époque. Seus traços sempre têm algo a dizer sobre o ser humano e sobre nós mesmos. Possui um olhar que capta aquilo que a gente faz de conta que não vê e, de repente, está escancarado. É um olhar melancólico com uma pitada de euforia. De quem já tomou umas doses de álcool e no fim da festa vai embora desacompanhado. Enfrentando toda a complexidade do comércio sexual, Lautrec traz reflexões sobre o sexo pago ou não. Assunto que se tornou uma das discussões mais recorrentes da modernidade. Foi um dos artistas europeus mais importantes na virada do século XIX para o XX. Era um momento decisivo para a arte moderna. Palco para as transformações políticas, econômicas e sociais que até hoje marcam a vida nas cidades.

Moulin de la Gallette (1889) – Tela de Tolouse-Lautrec

O pintor francês tinha 25 anos quando pintou a cena “Moulin de la Gallete”. Havia 10 anos que Henri de Toulouse-Lautrec decidira abandonar a pintura de paisagem. Passou a se dedicar à investigação da dor causada pela experiência existencial. O artista escolheu o retrato como meio de expressão. Nessa tela, o olhar de Lautrec dirige-se não para o baile, mas para as três mulheres entediadas e para o homem sentado atrás delas – que pode ser o cafetão. O balcão de madeira separa o quarteto da classe operária, que dança e se diverte ao fundo. Sendo uma das principais peças dentre as 75 selecionadas, “Moulin de la Gallete” traduz a crença interclassista de Toulouse-Lautrec. Nascido em uma família de aristocratas, preferindo abandonar a vida nobre em troca da convivência com prostitutas, bêbados e gigolôs.

O Divã (1893) – Tela de Toulouse-Lautrec

A peça-chave da exposição é “O Divã”. A pintura de 1893 retrata o bordel onde o pintor praticamente vivia. O bordel era uma extensão do seu ateliê, onde circulavam prostitutas, amantes e modelos. Algumas em plena ação, inclusive em cenas homoafetivas. A peça define a intenção do curador Adriano Pedrosa de enfatizar a relação de Lautrec com com o sexo. “O Divã” sintetiza a visão do pintor a um universo vermelho. Universo esse feito de paixão e desespero, de sexo e sangue. “O Divã” não é o primeiro quadro da história ocidental ou oriental a retratar o universo das prostituas. O japonês Utamaro, que o pintor francês adorava, foi um dos precursores na área. Mas, definitivamente, a tela de Lautrec é a que melhor traduz a expressão paciente das prostitutas à espera dos clientes na antessala do bordel.

A retrospectiva do pintor pós-impressionista francês foi divida em cinco núcleos. O primeiro deles é o mundo das “maison closes” (casas fechadas, em francês) e revela o carinho e a simpatia do pintor em relação às mulheres retratadas. O segundo núcleo reúne outras representações de mulheres. Algo a que Toulouse dedicou especial atenção, reunindo lavadeiras, modelos de ateliê, burguesas e nobres e assim questionando seu papel social. O terceiro núcleo da exposição é dedicados a retratos masculinos. Ao contrário do que ocorre nas representações femininas, conhecemos os nomes de todos os homens nas pinturas de Toulouse. Incluídas na exposição, um sintoma da discriminação entre homens e mulheres e do papel que cada um exerce na sociedade, na história e na cultura visual.

Finalmente, o quarto e o quinto núcleos trazem representações da vida noturna. Retrata os cabarés, bares e casas de espetáculo depois que Paris passou a ser iluminada pela luz elétrica.“Toulouse-Lautrec em vermelho” apresenta também uma seleção de 50 documentos. Cartas, bilhetes, telegramas e fotografias do artista e de seu círculo constituem uma memória viva daquela época.  É a maior exposição individual já feita sobre ele no Brasil. O pintor que fazia enquadramentos de imagens não tão óbvias, com obras criadas mentalmente pelo espectador, tem 75 obras expostas no museu. Entre pinturas, cartazes, desenhos e gravuras, que apresentam o principal assunto tratado em sua obra. A mostra está em cartaz até o dia 01 de outubro.

Saiba mais em nossa agenda:

Agenda