Ontem tivemos uma edição especial extraordinária do nosso MixTape, mas hoje, como todo sábado, voltamos a nossa programação normal. E dessa vez chegamos com uma entrevista exclusiva com o carioca Mateus Simões. Para quem não o conhece, Mateus é diretor da OPES (Orquestra Petrobras Sinfônica), DJ e faz parte da banda de punk rock Phone Trio.

Na casa dos 30 e poucos, ele tem uma trajetória interessante dentro do universo musical, como nosso próprio título diz, ele vai do pop ao clássico. Com a sua banda ele prepara um EP, com quatro faixas, para ser lançado ainda esse ano, o “Bonanza”, e algumas outras surpresas que em breve ele vai contar pra todo mundo. Já como DJ, ele continua a agitar as baladas pelo país tocando um pouco de tudo, sem esquecer da música brasileira. O mais interessante de sua trajetória é como, cheio de influencias, se tornou o diretor da OPES.

Sua carreira na música clássica começou na Orquestra Sinfônica Brasileira e também passa pela Utah Symphony/Utah Opera. Na OSB foi assistente da direção de marketing. Na época, o seu primeiro contato foi arrebatador e, desde então, a relação com a música clássica só ficou mais forte.

“Acabei me apaixonando. Trabalhei lá por 1 ano e meio, mais ou menos, e saí da área. Dois anos depois, em 2009, a OPES me chamou para um freela, e acabou reacendendo a chama. O relacionamento foi se desenvolvendo, e hoje sou o Diretor Executivo. Desde o primeiro dia na OSB eu fiquei apaixonado pelo mundo da música clássica! Era o que precisava para voltar.”

Hoje, com mais de 10 anos de experiência com a música erudita, com a direção artística e regência titular do maestro Isaac Karabtchevsky, seu trabalho na OPES foi responsável por mudanças interessantes dentro do cenário musical. Os concertos ficaram mais cheios, novas e mais parcerias foram fechadas e a orquestra consegue viajar todo o país.

Nos últimos três anos, com sua gestão, a Orquestra realizou uma turnê que passou por todas as regiões brasileiras; produziu documentário que foi selecionado para o Festival do Rio e o Festival de Mimo de Música Instrumental, em Olinda; retornou com o concerto de Natal; desenvolveu o projeto “O Clássico é…”, uma parceria com a DeckDisc, que já recebeu elogios de diversos artistas.

Lançou o projeto Ventura Sinfônico, no qual a orquestra toca músicas do grupo “Los Hermanos” e que teve 1600 ingressos esgotados em 36 minutos. Também foi implantado o Projeto Espectro, que seleciona um fotógrafo diferente para cada concerto, que nunca tenha registrado, ou até visto uma orquestra ao vivo; e ainda, ganhou o Prêmio Profissionais da Música, com o projeto #ConcertoSecreto, em uma parceria inédita entre uma orquestra e uma cervejaria, a Jeffrey.

“O espírito punk é o Do It Yourself. Não espere os outros, arregace as mangas e faça você mesmo. Todo mundo tem que ajudar em tudo. Não é porque eu sou diretor executivo que não vou participar da produção, ou até mesmo ajudar a carregar estantes quando necessário. É aí que encontro a maior interseção. Temos que sempre ter novas ideias para atrair um público diferente! Isso tudo somado a excelência artística, que está a cargo do Maestro Isaac Karabtchevsky e dos ótimos músicos da OPES, a melhor combinação possível.”

Ufa! É muita coisa e sem dúvida vem fazendo uma boa diferença, mas se você acha que acabou por aí, se engana. Essas e outras iniciativas fez com que Mateus ganhasse o título de Comendador, por meio da Medalha do Mérito Cultural Carlos Gomes. Porém, agora, ele se prepara para novos desafios à frente da OPES. Está em preparação a turnê do projeto “Ventura Sinfônico”, levando a outras cidades o show com repertório do reverenciado álbum do Los Hermanos. E, para completar, um novo EP, intitulado “O Clássico É Samba”, com releituras da música popular brasileira para os serviços de música digital, com quatro versões de músicas do catálogo da Deck.

No meio da vida agitada, Mateus Simões encontrou um tempo para bater um papo e responder algumas perguntas para que nós possamos conhece-lo melhor. Abaixo deixamos nossa entrevista exclusiva para apreciação.

Paulo Olivera – Sendo um dos diretores mais novos da Orquestra Petrobras Sinfônica, como foi seu início? Sofreu algum tipo de preconceito pela idade e/ou influências?

Mateus Simões – Dentro da Orquestra Petrobras Sinfônica eu sempre encontrei apoio e confiança, e eu só tenho a agradecer por isso! Nunca tive nenhum problema com o meu perfil e idade, talvez um olho torto ou outro (risos), porém eu acredito que a resposta deva ser dada com resultados e muito trabalho. Orgulho-me demais de fazer parte dessa nova fase da OPES!

“Há exatos sete anos eu entrava no escritório da Orquestra Petrobras Sinfônica para o meu primeiro dia de trabalho. Impressionante como o tempo voa! Lembro de tremer muito, de estar assustado, pois já tinha trabalhado na Orquestra Sinfônica Brasileira e sabia os desafios que encontraria pela frente, mas hoje eu quero é agradecer. Obrigado OPES por todo seu carinho, por acreditar em mim e por estar sempre ao meu lado. Tenho certeza que ainda vamos construir muitas coisas juntos. Como eu amo essa orquestra <3” – Foto e Texto publicados pelo Mateus Simões em seu Facebook no dia 16 de outubro de 2016.

PO – Você também é DJ e faz parte de uma banda de punk rock, a Phone Trio. Como nasceu ou como reconheceu a vontade de trabalhar com música?

Foto: Arquivo Pessoal

MS – Na verdade venho de uma família apaixonada por cultura, meu avô era da Academia Brasileira de Letras, minha mãe trabalha na Biblioteca Nacional e meus irmãos trabalham com moda e cinema. Sempre foi algo muito forte dentro de mim envolver-me com cultura. A música veio através dos Beatles, banda favorita dos meus pais, e pelos meus amigos do skate. Uma misturada danada.

PO – Depois de sua entrada na OPES, ela ganhou uma nova vertente e o erudito virou pop, rock e muito mais. Como foi esse processo?

MS – Na verdade foi um processo demorado de todos os envolvidos, que foi iniciado em 2008 (em modo de segurança), porém realmente encontramos nossa nova identidade (que conversa com a criada pelo saudoso maestro e fundador da orquestra, Armando Prazeres, em 1972), ano passado. Nós queremos ser um grupo diferente, daqueles que você olha um projeto e já fala: “Tenho certeza que isso é coisa da Petrobras Sinfônica”. É uma história longa e não quero amolar todo mundo. Pra finalizar preciso dizer que nada poderia ter acontecido sem o apoio dos músicos, da Diretoria Artística, do Conselho Diretor e da equipe (águia) OPES. Foi o momento certo com o pessoal certo.

PO – O show dedicado ao álbum “Ventura”, do Los Hermanos, foi um sucesso absoluto de público. Existe planos para fazer um novo show dedicado à algum álbum e/ou artista nacional?

MS – Total! O Ventura abriu muitas portas, mais do que possa imaginar. E nós adoramos! Mais de dez artistas já nos contataram, mas precisamos ir no nosso ritmo, pois, além de tudo com orquestrar não é algo barato e temos muito carinho por cada projeto. É como um filho que precisa ser criado, educado e preparado para o mundo. Este ano teremos o Thriller Sinfônico (onde executaremos o álbum completo do Michael Jackson), Balão Mágico Sinfônico (versão orquestrada do sucesso dos anos 80), “O Clássico é Reggae” e mais dois projetos que estão quase prontos, mas não podemos divulgar.

PO – Já que estamos falando de novidades, a orquestra viajou o Brasil, fez novas parcerias, desenvolveu novos projetos e agora? O que podemos esperar?

MS – Estamos muito animados com tudo que tem acontecido, podem ter certeza que o trem não vai parar! Aguardem muitos projetos inusitados e também grandes espetáculos clássicos (não necessariamente nas casas de concerto que imaginam). Queremos nos reinventar mais a cada dia que passa, e contamos com vocês nessa nova fase da OPES.

PO – Música é uma paixão nacional e muitos artistas buscam o reconhecimento de seu trabalho, seja como cantor, compositor, instrumentista e assim vai. Qual o conselho daria para quem está começando?

MS – Nunca desista! No Brasil é o tal “caminho difícil”, mas é extremamente gratificante. A vida é uma só, faça o que ama e aproveite todos os dias.

Em nome de toda a equipe da Woo! Magazine e pelos nossos leitores, agradeço por ter disponibilizado seu tempo para realizar nossa entrevista e desejamos muito sucesso em suas diversas carreiras. Mas como estamos no MixTape, não podemos deixar de fazer o “MixTape by Mateus Simões“. Separei alguns temas para que pudesse escolher uma música e justificar a escolha e ele disse: “Vai ser difícil, mas adoro esses desafios! Vamos lá.”

Confira o as escolhidas abaixo e até semana que vem!

  • Não Canso de Ouvir

   

Essa música representa uma fase da minha vida incrível. Lembra-me da minha noiva, da minha família, do meu trabalho, dos meus amigos. É uma música que me faz agradecer o hoje. Recomendo ouvir com calma, em silêncio. É uma experiência incrível.

  • Toco Sempre Nas Festas

   

Olha, eu toco de tudo em festas, principalmente anos 90 e pop-punk 2000, mas Tim Maia anima qualquer pessoa e qualquer ambiente. Tiro certo!

  • Influência

Stranger than Fiction, do Bad Religion

BR é uma banda que me faz pensar sempre. As letras são incríveis, e ir a um show da banda é como uma catarse. Essa música sempre foi a minha favorita (do meu disco favorito), pois o jeito que o Greg Graffin canta, com ironia sobre o mundo estar entrando em colapso, mexe comigo, mas funciona como gasolina para trabalhar por algo que acredito e amo. E sim, “Sometimes Truth is Stranger than Fiction”.

  • Infância

   

Lembro perfeitamente de ouvir tudo de Beatles quando era muito novo, e o Rubber Soul desde o começo foi o meu disco favorito. Capa, fotos, melodias, arranjos, letras… esse pra mim é o disco perfeito. In my life é o equilíbrio entre uma letra sobre a vida e relacionamentos. Uma obra prima da dupla Lennon e McCartney.

  • A Melhor Versão

Suítes para Violoncelo Solo (Bach), por Yo-Yo Ma.

Nem tem muito o que falar, um dos maiores compositores da história interpretado pelo melhor violoncelista da atualidade. Para ouvir no repeat direto! Uma boa porta de entrada para novos ouvintes de música clássica.

  • Representa Meu Momento

   

Minha noiva está fazendo mestrado fora do país, e, finalmente, volta em junho. Essa música me faz companhia enquanto aguardo. Talvez a música com mais plays do meu Spotify.

  • Indico

   

Belíssima banda de Petrópolis, com letras incríveis e que só melhora. Som incrível para ouvir qualquer dia em qualquer momento.