Com o tremendo sucesso feito no mês de junho, o espetáculo “Encontro de Machado de Assis e Arthur Azevedo” continuará em cartaz no Solar do Jambeiro, em Niterói, no mês de julho, às sextas. Com apenas mais uma apresentação restante, no dia 28, não tem como perder tal performance.

Em sua sexta temporada no local, após criada em 1992, o fundador Leonardo Simões conta com um elenco modificado e pronto para, mais uma vez, introduzir a história de ambos escritores brasileiros, importantíssimos para a literatura nacional. Então, para os amantes dos livros machadianos, esse programa é o certo para você.

A apresentação de oitenta minutos trará os escritores brasileiros mencionados como os anfitriões dessa viagem pela linha do tempo do país, ocupando todos os cômodos do casarão, com suas peripécias a serem compartilhadas em formato de música, poesia, algumas referências históricas para que o espectador se localize temporalmente e, claro, muito humor.

Um dos prestigiados será, como já dito anteriormente, Machado de Assis, cujo nascimento se deu no ano de 1839, no estado do Rio de Janeiro. Participou, em sua época, de muitos eventos políticos e perambulou por todos os gêneros literários, indo desde poeta e romancista até jornalista e cronista. Seu nome está ao lado de outros, como Shakespeare e Dante, entre os principais gênios da literatura mundial. Com um escritor tão renomado, nada mais justo do que ser o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Quanto as suas obras mais famosas, estão “Memórias póstumas de Brás Cubas”, “ Dom Casmurro” – afinal, Capitu traiu ou não Bentinho? –, “Quincas Borbas”, entre outras, inclusive, “Helena” – obra muito recomendada em períodos escolares.

Sobre o segundo protagonista da noite, temos Arthur de Azevedo, nascido em São Luís em 1855. Foi um dos fundadores da importante Academia Brasileira de Letras, além de ter sido flexível assim como seu companheiro de cena, envolvendo-se com poesia, dramaturgia e o jornalismo. Conseguiu ser marcante na luta a favor da abolição da escravatura, assim como um crítico feroz de dezenas de obras culturais. Seu acervo principal conta com peças como “A joia”, “O Mambembe” e “ A Capital Federal”.

A encenação em si, além de poder relembrar e entender um pouco melhor sobre as obras de cada uma das estrelas homenageadas, envolverá a trajetória do carioca e do maranhense, durante a virada do século XIX para o XX, a famosa Belle Epóque. Dessa forma, é possível expor a importância de ambos para a construção de uma identidade nacional na literatura e em outras áreas também.Por mais que haja aquela divisão bem demarcada entre os que idolatram as obras de Machado e os que acham uma verdadeira baboseira e que existe uma superestimação quanto a elas, esse programa vai além dessas diferenças.

Pode parecer uma espécie de propaganda, mas, apesar de forçarem uma leitura obrigatória desses e até de outros “n” escritores brasileiros de épocas similares, é imprescindível que crianças, adolescentes e adultos arrumem tempo de ir visitar e aproveitar essa aula de história brasileira em formato de peça. Não se trata apenas de curtir ou não a escrita “chata” de Machado, é um aprendizado a mais. Serve para os que gostam de literatura e querem entendê-la um pouco mais, para os que desconhecem os trabalhos de Machado e Arthur e querem se aprofundar e serve para os curiosos, os sonhadores, os viajantes.

A parte mais técnica do evento, como figurino, fotografia e direção musical estão nas mãos, respectivamente, de Cátia Vianna, Elizabeth Penner e Victor Salzeda. Apesar dos textos originais serem, de fato, da dupla protagonista, há a adaptação do diretor e produtor Leonardo Simões. O início do espetáculo é às 20 horas, sendo 12 anos a classificação indicativa.