A Quarta-feira não é de Cinzas por acaso. Depois de quatro dias pulando de bloco em bloco, todo mundo precisa de um bom descanso – de preferência, acompanhado de um serviço de streaming decente. Na lista abaixo, você confere algumas sugestões de minissérie para se recuperar da folia e ficar pronto para o restante de 2017.

A Young Doctor’s Notebook & Other Stories

(foto em destaque)

Inspirada na coletânea de contos homônima de Mikhail Bulgakov, a série acompanha as desventuras de médico recém-formado na Rússia pré-Revolução bolchevique. Longe de sua querida Moscou, preso num hospital rural de péssimas condições, o jovem doutor recebe duros choques de realidade de seus pacientes, colegas, e de sua versão mais velha. São duas temporadas, com quatro episódios de meia-hora cada. Embora consideravelmente gráfica, a série sabe equilibrar a morbidez com um humor irônico, sem deixar de ser tocante. De brinde, Daniel Radcliffe e Jon Hamm interpretam o protagonista nas duas diferentes fases.

Over the Garden Wall

Para aqueles que ainda acreditam que animação é um tipo de arte menor, existe o argumento definitivo: “Over the Garden Wall”. O criador da série, Patrick McHale, já tinha trabalhado em programas como “Hora de Aventura” e “As Trapalhadas de Flapjack” quando o Cartoon Network lhe deu a oportunidade de desenvolver um projeto próprio.

Em seus dez episódios, os irmãos Wirt e Greg viajam pelo curioso Desconhecido, ao lado de um pássaro falante chamado Beatrice. O caminho do trio é repleto de criaturas bizarras e até assustadoras, inseridas num universo a lá Americana, com um toque sobrenatural e belas canções. Vencedora de um Emmy, “Over The Garden Wall” é uma verdadeira pérola, que mesmo sendo desenvolvida para um canal infanto-juvenil, não subestima seu telespectador.

My Mad Fat Diary

Poucas séries tem ou tiveram a mesma sensibilidade que “My Mad Fat Diary” para falar da adolescência – e, principalmente, das cobranças feitas aos adolescentes – . Com apenas 16 anos, Rae passou quatro meses numa clínica psiquiátrica e agora só quer recomeçar e ter uma vida igual a dos outros jovens da sua idade. Cheia de inseguranças, ansiedade e com uma auto-estima extremamente instável, ela se sente constantemente rejeitada pelo mundo. À medida que amadurece, a jovem aprende a lidar com suas questões e encontrar força em si mesma.

O que diferencia essa de outras séries é honestidade brutal de sua protagonista e sua narrativa. Rae só quer ser amada do jeito que é – acima do peso, desbocada e irônica.  A TV britânica já recebeu muitos elogios ao representar a juventude transviada em programas como “Skins”. “My Mad Fat Diary”, porém, merece um lugar de destaque.

This is England (86, 88 e 90)

Mesmo despretensioso, o longa-metragem “This is England” foi bem recebido pelo público e pela crítica, além de ser premiado com o “Bafta” de Melhor Filme Independente no ano de seu lançamento. Seguindo uma velha tendência, a história do grupo de Skinheads na Inglaterra dos anos 80 teve sua continuação na televisão, na forma de três minisséries que se passavam em anos diferentes : “This is England 86”, “88” e “90”. o diretor Shane Meadows manteve o adolescente Shaun como figura de peso, mas transformou Lol na protagonista dos três programas. Embora um tanto apelativo, Meadows não tira a humanidade da heroína e seu grupo de desajustados, tão cômicos quanto dignos de pena. Com quatro episódios de cerca de uma hora, as três séries merecem ser vistas em sequência, sem pausar um minuto.

True Detective (primeira temporada)

A televisão aprendeu a pregar peças tão eficientes quanto às do cinema. E entre as mais recentes, a primeira temporada “True Detective” é uma das mais memoráveis. Enquanto se desenrolava a investigação dois policiais Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson) sobre um serial killer misógino, a série perdeu a máscara do noir e se mostrou como o verdadeiro conto de fadas moderno que realmente é.

Caóticos e íntegros ao seu próprio modo, a dupla de policiais discute o sentido da vida enquanto interrogam figuras sórdidas, cruzam o caminho de outras mais miseráveis e precisam enfrentar seus próprios demônios. Criada por Nic Pizzolatto, o primeiro ano da série teve a direção do cineasta Cary Joji Fukunaga, que transformou os pântanos da Louisiana em algo próximo a Floresta Negra alemã. “True Detective” contou com uma segunda temporada, mas que não teve nem de longe o mesmo sucesso de crítica e público. Mesmo que nunca ganhe novos episódios, a série já garantiu seu lugar de honra na televisão.