Retirando fatores como modelagem e variação de tamanhos, encontrar uma roupa que sirva em seu corpo não é uma tarefa impossível para a maioria das pessoas. Contudo, para quem tem alguma deficiência física ou até quem está com algum movimento prejudicado ainda que temporariamente, encontrar uma roupa com um bom caimento pode ser bem mais complicado. Ainda que encontre uma roupa que fique bem no seu corpo, o processo de se vestir pode ser bem mais complicado para quem tem limitação de movimentos. Saias, calças jeans e camisas de botão podem ser um desafio para quem ou não tem o movimento das pernas ou do corpo inteiro.

Pensando em incluir essa parcela da população que quase sempre é esquecida pelo mundo da moda, a grife americana Tommy Hilfiger anunciou o lançamento de uma coleção pensada nos deficientes físicos. Serão ao todo 71 itens, sendo 37 para homens e 34 para mulheres. Os produtos seguirão a identidade da marca, mas ainda não estão disponíveis para venda em seu site. A expectativa é que os modelos façam parte da coleção esportiva do verão de 2018 da grife.

Os produtos virão com fechos mais práticos e em materiais como velcro, zíper magnético e outros apetrechos que facilitarão os cadeirantes vestirem as roupas.

O próprio Tommy Hilfiger disse que o objetivo é a inclusão: “Inclusão e democratização da moda sempre fizeram parte do DNA de minha marca. Essa coleção tem o objetivo de empoderar adultos com deficiência e ajudá-los a se expressar por meio da moda”.

Essa não será a primeira vez que a Tommy cria uma coleção pensando nos deficientes. Em 2016, a marca fez uma parceria com a ONG “Runaway of Dreams” que produz roupas para deficientes. Na ocasião, a label ajudou a organização a criar uma coleção de roupas infantis adaptadas para crianças cadeirantes ou com algum outro tipo de deficiência física.

Contudo, a Tommy Hilfiger não é a primeira marca a criar roupas pensando no público deficiente. A canadense Izzy Camilleri está no mercado da moda há mais de 30 anos e dedica-se a roupas adaptáveis, isto é que sejam práticas e confortáveis para os deficientes físicos (peças que machucam e incomodam também são uma grande reclamação dos portadores de deficiências físicas ao comprarem roupas).

A estilista passou a desenhar roupas adaptáveis quando a repórter e ativista canadense Barbara Turnbull pediu uma capa de camurça que coubesse em sua cadeira de rodas. A capa foi um sucesso tendo posteriormente uma versão em cashmere e jeans. Izzy, que já vestiu nomes como David Bowie e até a Meryl Streep com Miranda Priestly em “O Diabo Veste Prada”, além de criar peças para os deficientes, doa 10% de todo o lucro da sua grife para instituições de ajuda aos deficientes físicos.

Aqui no Brasil, algumas grifes de designers estão começando a se especializar na moda adaptável. Denise Gonçalves teve um irmão cadeirante e durante 17 viu de perto todas as dificuldades que ele tinha para se vestir e para encontrar roupas. Pensando nisso, a designer que dirige o projeto sobre moda inclusiva “Inclua essa concepção”, criou 13 peças de roupa inclusivas.

As roupas têm inspiração na moda dos anos 80 e são pensadas para pessoas paraplégicas, tetraplégicas ou até mesmo com ostogênese (doença conhecida como ossos de vidro). Dentre as modelos (que são todas portadoras de alguma deficiência física) está a Heloísa Rocha, portatoda e ostogênese e dona do blog fashion “Moda em Rodas”.

Outras marcas brasileiras como a “Lado B Moda Inclusiva” e “Lira” também estão se dedicando a esse segmento. As labels que se dedicam à moda adaptável ainda são minoria e os deficientes ainda tem muita dificuldade de encontrar roupas, mas essas iniciativas já são um começo que deve ter continuidade.