A mostra “alô alô mundo! cinemas de invenção na geração 68” vai exibir uma seleção de filmes de cineastas brasileiros e espanhóis que, condicionados pela censura, inventaram novas formas de fazer cinema através de uma dimensão crítica e livre, onde a experiência do fato experimental é levada até as últimas consequências.

Através da exibição dos filmes, das mesas de debates, e oficinas, a mostra tem como objetivo estabelecer um diálogo com o presente através da apresentação das manifestações, dos discursos, das reivindicações e das lutas políticas presentes nas obras selecionadas pela curadoria.

Na programação, filmeis espanhóis e brasileiros (15 longas metragens e 28 curtas) que traçam um recorte cinematográfico de produções realizadas entre as décadas de 1960 e 1980, de vanguarda e militância política que trazem, em sua essência, práticas de ruptura e revolução. Os filmes Informe General I, de Pere Portabella ( filmado durante os meses posteriores à morte do General Franco), Hortensia/Beancé, de José Antonio Maenza, Hitler Terceiro Mundo de José Agrippino de Paula, Copacabana, Mon Amour, de Rogério Sganzerla;  A Pátria, de Jorge Mourão são alguns dos destaques da programação – abaixo lista completa.

De acordo com os curadores Marc Martinez e Paola Marugan, “Esta seleção é uma mostra do ativismo político, as questões de gênero e a sexualidade, o experimentalismo na prática cinematográfica, a relação com outras artes (performance, literatura, artes visuais) – aquilo do inter ou trans-disciplinar, a criação de um pensamento a partir desse experimentalismo… ”

“Esta seleção, que foi realizada durante as nossas experiências tanto no Brasil quanto na Espanha, visa descortinar as tensões, os contágios, os conflitos e as derivas de uma geração de artistas que desarticulou os modos estabelecidos de pensar a linguagem cinematográfica tradicional.

Este projeto é um convite para realizar um exercício de reflexão histórica, em que resgatarmos uma série de práticas artísticas desterrada pela história hegemônica e desvelar os dissensos e os compromissos desses cineastas no plano cultural e político.

O ciclo foi apresentado em três cidades espanholas (Madri, Barcelona e Valencia) em 2015. Além da mostra dos filmes nas cinematecas e centros de arte, apresentamos várias encontros com diferentes formatos em espaços autogeridos, em que tivemos a oportunidade de enriquecer o pensamento sobre estes cinemas e as experiências no âmbito político-artístico atual.

Enquanto o projeto surgiu da vontade de criar uma ponte entre os dois contextos, consideramos fundamental sua apresentação no Brasil, para continuar desenvolvendo o pensamento e compartilhando experiências, agora, do outro lado dessa ponte.”

A mostra também reservou um programa especial, classificada Sessão Resistências, ‘um programa de curtas “Resistências” pretende dar lugar à interpelação política dos diversos sujeitos históricos que estão hoje a filmar. Mulheres, quilombolas, índios, moradores de periferia, negros, jovens ativistas, estudantes e professores têm se valido de câmeras e computadores para enfrentar as urgências do presente em relação à vida e ao bem viver, contra as forças opressoras e conservadoras do Estado, do capital, do patriarcado, do racismo institucional, do congresso nacional.’ define sua curadora, Amaranta Cesar.

Para saber mais sobre os filmes, oficinas e mesas, acesse nossa agenda com a programação completa:

Agenda