Em cartaz até 17 de dezembro no Teatro da CAIXA Nelson Rodrigues, o espetáculo inédito “A Mulher Invisível” tem direção de Amir Haddad, texto de Maria Carmem Barbosa e dramaturgia de Érida Castelo Branco. Estrelado pela atriz Catarina Abdalla (conhecida como a “Dona Jô” do humorístico “Vai que Cola“), celebrando seus 36 anos de carreira.

A trama acompanha uma noite de trabalho de Eunice (Abdalla), faxineira de uma loja de artigos masculinos que abre seu sofrido coração para os manequins de plástico que expõem as roupas vendidas no local. Um monólogo existencialista com boas doses de humor, a peça traz à tona questões sensíveis como a invisibilidade dos que, de alguma maneira, são excluídos pela sociedade e a solidão que enfrentam no cotidiano.

A atriz conta que sua personagem é uma mulher do povo, muito sofrida, mas com o coração cheio de ideias românticas: “Eunice é uma mulher esquecida, que tenta conversar com o marido e as filhas, mas ninguém a escuta. A solidão é tanta que ela acaba confessando suas alegrias, indignações e tristezas com aqueles ‘moços bonitos’. É assim que ela chama os manequins da loja”, adianta a atriz. “Eunice trabalha fora a madrugada inteira e durante o dia ela faz os serviços de casa. Às vezes, ela encosta um pouco para cochilar e assim vai levando vida nesse lugar invisível. São esses invisíveis que constroem o mundo”, afirma.

A personagem é como milhares de mulheres comuns que vemos no dia a dia. “Tem muitas mulheres brasileiras que conheço que trabalham de manhã, de tarde e de noite e, frequentemente, têm um marido grosseiro e violento. Elas mantêm marido, filhos e casa. Quantas famílias vivem essa situação?”, questiona Amir Haddad, diretor da peça. “Eunice é uma heroína diária, que carrega peso. Não tem a visibilidade de uma senhora da Zona Sul, mas tem a representatividade de todas as mulheres brasileiras”, conclui.

A atriz Catarina Abdalla estreou na televisão como a clássica Cuca na série “Sítio do Picapau Amarelo”, caracterizando e dublando a personagem por cinco anos consecutivos. Sucesso nos anos 1980 com a divertida Ronalda Cristina de Armação Limitada, Catarina participou de telenovelas inesquecíveis como “Vereda Tropical”, “A Próxima Vítima”, “A Indomada”, “O Quinto dos Infernos”, “Agora é Que São Elas”, dentre outras. Atualmente, está no ar na quinta temporada de “Vai que Cola”, no Multishow; na novela “Senhora do Destino”, no Vale a Pena Ver de Novo, da Rede Globo; em “Armação Ilimitada”, no Viva! e no longa-metragem Quando o galo cantar pela terceira vezes renegarás tua mãe”, que estreou na mesma data que a peça.

Amir Haddad, diretor da peça, é considerado um dos maiores encenadores do Brasil e reconhecido internacionalmente ao criar o grupo Tá Na Rua, Amir rompeu a “quarta parede” para abrir um caminho em direção a um teatro vivo, transformando para quem o vive e o faz. Tornou-se referência por seus monólogos de grande sucesso de crítica e público: “As Meninas”, com Maitê Proença; “O Mercador de Veneza”, com Maria Padilha; “A Alma Imoral”, com Clarice Niskier; “Antígona”, com Andrea Beltrão; “O Auto Falante e Os Ignorantes”, com Pedro Cardoso. Recebeu diversos prêmios relevantes como Molière, Shell e Bravo.

Já o texto fica a cargo de Maria Carmem Barbosa, filha do humorista, jornalista e compositor Haroldo Barbosa. Começou a trabalhar no rádio em 1970 e iniciou a carreira na televisão com Chico Anysio, em “Chico City”, além de escrever programas como “Quarta Nobre” e “Tele-Tema”. Desenvolveu a série “Delegacia de mulheres”, que representou o Brasil na conferência sobre violência doméstica realizada em Washington, nos Estados Unidos, em 1997. Junto com Miguel Fallabela, criou os programas “Sai de Baixo” e “Toma Lá Dá Cá”. Nas novelas, se destacou como autora de “Salsa e Merengue” e “A Lua Me Disse”.

Sobre a equipe de “A Mulher Invisível” destacam-se o cenário de Fernando Mello da Costa e o figurino, idealizado por Pedro Sayad. A luz é assinada por Aurélio de Simoni e cria a atmosfera intimista, mas capaz de ressaltar a diversidade de momentos e climas propostos pela direção de Amir Haddad.

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