Encontros de som e amizade conquistam a cena musical do país

Segundo a numerologia, o número 3 traduz “comunicação”. É o número associado à expressão, expansão, criatividade. É o poder da unidade entre mente, corpo e espírito. O 3 representa o relacionamento com o mundo exterior e fez escola na cena musical brasileira nos últimos tempos. Um passeio nostálgico mês a mês e lá tivemos a estreia da Trinca de Ases, o retorno dos Tribalistas e O Grande Encontro itinerante nordestino.

A formação trio especificamente com uma mulher e dois homens como artistas centrais não é novidade na música brasileira. Uma rápida passada nos anos 60 e vamos encontrar Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sergio Dias transformando o rock nacional de uma geração. “Os Mutantes” romperam barreiras com psicodelismo e estripulias a três. Diante dessas evidências e com o respaldo emblemático da banda paulistana, é justo: precisamos falar sobre os trios!

Setembro de 2016: O Grande Encontro nordestino

Reapresentado ao público em setembro de 2016 e rodando estradas desde então, o show “O Grande Encontro” reúne Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo. A turnê comemora os 20 anos da formação de “O Grande Encontro“, que originalmente também contava com Zé Ramalho e rendeu ao quarteto três álbuns de sucesso nos anos 1990. O show de estreia do grupo foi gravado ao vivo no Canecão (RJ) em 1996 arrebatando público e crítica. Agora, com dois pernambucanos e uma paraibana no palco, ele é uma celebração da música nordestina. O trio aposta nos clássicos para compor um repertório que transforma todo e qualquer canto do Brasil em território nordestino.

Agosto de 2017: Trinca de Ases estreia em São Paulo

Trinca de Ases” é o tripé “soteropaulistano” de 2017! Depois de um insight ocorrido no pós show em homenagem ao centenário de Ulysses Guimarães, o trio estreou no dia 4 de agosto na cidade de São Paulo. Com os baianos Gal Costa e Gilberto Gil e o “paulistaníssimo” Nando Reis, a formação segue a toada dois homens e uma mulher. Dedicados a desconstruir e reconstruir interpretações marcadas na voz de cada um, a trinca apostou em releituras e em músicas inéditas para atrair e conquistar público. O nome “Trinca de Ases“, por exemplo, surgiu de uma composição homônima e inédita de Gil que integra o repertório e traduz a identidade do trio. Com carreiras solo formatadas, a união dos três celebra a amizade e a admiração mútuas. No palco e na musicalidade está também um intercâmbio de gerações.

Agosto de 2017: O retorno dos Tribalistas

Depois de 15 anos o tribalismo voltou a tomar conta do cenário da mpb e das rodas de bate papo musical. Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes retornaram ao público, à crítica e à mídia com um álbum inédito e uma atitude plenamente digital. Postagens no Instagram, live no Facebook, interação no Twitter, disponibilização de músicas inéditas nas plataformas digitais. O complexo aparato de internet e aplicativos orientou o retorno do trio tribalista ao público nostálgico. Na formação, os três cantores com três localidades nas respectivas certidões de nascimento. Marisa, carioca. Brown, baiano de Salvador. Arnaldo, paulistano. Aqui, o equilíbrio de trio é também equilíbrio geográfico. O álbum “Tribalistas” foi lançado nas plataformas digitais e em lojas físicas. Até um especial foi produzido pela Rede Globo acompanhado pelo lançamento de um DVD com detalhes e bastidores da produção.

O Grande EncontroTrinca de Ases e Tribalistas são três exemplos de trios que ganharam os palcos e o cenário da música brasileira nos últimos tempos. A numerologia conversa com a música e comprova: três é, definitivamente, um número digno de comunicação, expansão e criatividade. A história já nos apresentou três mosqueteiros, três patetas, três reis magos, três porquinhos, três espiãs. Agora, a música brasileira traz uma nova onda de trios. Alinhados em diferentes motivos, como formação inédita, retorno aos palcos e reencontro comemorativo, o combo moça e dois rapazes é sucesso.