Montado originalmente na Broadway, o musical cult [title of show], que recebeu uma indicação ao Tony Award de Melhor Libreto de Musical em 2009, agora ganha versão brasileira e estreia dia 04 de Novembro no Teatro Solar de Botafogo.

A montagem brasileira, idealizada pelo ator e cineasta Caio Scot e pelo ator Junio Duarte, ganhou o nome de [nome do espetáculo], e após dois anos tentando captar recursos através da Lei Rouanet, sem sucesso, o espetáculo será lançado no Brasil no próximo mês sem incentivo privado. Os ensaios tiveram inicio no começo de setembro deste ano no Rio de Janeiro.

“Fazer um espetáculo impregnado de metalinguagem como o [nome do espetáculo] e com personagens tão próximos de nos mesmos, atores, nos põe em cena de uma maneira muito curiosa que eu ainda não havia experimentado. Somos o tempo todo nossas personagens mas vez ou outra quebramos pra comentar algo, como nós atores, e voltamos, e em momentos não sabemos se somos nós ou eles que tomam a frente. Acredito que sempre somos uma mistura de personagem e pessoa quando estamos em cena, mas nesse espetáculo essa divisão passeia bastante pelos dois extremos e o jogo de cena se torna mais complexo e mais divertido. A simplicidade aparente proposta pela dramaturgia é bastante complexa quando se está em jogo. A versão brasileira do texto e das músicas, feita por nós mesmos, também entra para somar nessa metalinguagem. O que parece um erro ou um palavra a mais adicionada no texto pra tornar tudo mais fluente nada mais é do que o texto que estamos seguindo.” relata Caio Scot ator e um dos idealizadores do espetáculo.

Elenco e direção em um momento de descontração durante os ensaios de [nome do espetáculo]

A direção artística é assinada pelo, também ator e dramaturgo, Tauã Delmiro, que recentemente esteve em cartaz em São  Paulo com o espetáculo “60! Década de Arromba”, com sucesso de público e críticas. Já a direção musical fica a cargo de Gustavo Tibi, integrante da banda Jamz, que ficou bastante conhecida pela participação na 1ª temporada do talent-show SuperStar da Rede Globo e recentemente recebeu indicação de melhor álbum pop contemporâneo em língua portuguesa no 18º Annual Latin Grammy Awards. O elenco é composto por Caio Scot no papel de Hunter (de The Book of Mormon Unirio), Carol Berres como Heidi (de A Ópera Pânica e Matilda do Ceftem), Ingrid Klug como Susan (De Meninos e Meninas e O Mambembe – Um Musical Brasileiro), Junio Duarte como Jeff (de The Book of Mormon Unirio) e Gustavo Tibi  como Larry (Banda Jamz).

“A temática da peça nos aproxima muito da realidade cultural do Rio de Janeiro e é interessante que isso seja debatido. Que fazer teatro pode partir de núcleos pequenos de pessoas com um interesse em comum, pois foi realmente assim que nós começamos. Abordar as dificuldades do artista carioca em cena é com certeza um desafio.” diz Carol Berres, uma das  atrizes do espetáculo.

O espetáculo conta a história real (ou quase real) de Jeff e Hunter. Para participar de um festival, os dois escritores, com a ajuda de Susan, Heidi e Larry, precisam criar um musical em apenas três semanas. Através da metalinguagem, o espetáculo aborda o próprio fazer artístico e todas as etapas de se produzir arte de maneira independente, tudo isso impregnado de referências da cultura pop.

“É um prazer falar sobre algo que está passando por um momento tão delicado. Ultimamente só de poder fazer arte sem ser censurado já é bom, né? Rs É importante poder falar da profissão sem destacar somente o glamour que está impregnado no imaginário popular. Poder mostrar de forma despretensiosa todo esse esforço criativo e as dificuldades para se fazer teatro é bem gostoso, confesso. Melhor ainda quando se está ao lado de pessoas que se tem admiração. A gente se diverte muito em cena. To amando o processo e super ansiosa pra estrear!” relata a atriz Ingrid Klug

Além de garantir muitas risadas e diversão, o espetáculo suscita reflexões importantes para o atual momento teatral brasileiro. Ele mostra que devemos confiar mais em nossos sonhos e que há a possibilidade sim de criar e investir em projetos próprios. [nome do espetáculo] é, acima de tudo, uma carta de amor para o teatro e você não pode perder.

Tivemos a oportunidade de conversar um pouco com esse coletivo e você confere esse bate papo aqui:

Adriana Dehoul – De tantos espetáculos on Broadway, porque a escolha desse em especial? E porque mesmo sem apoio de leis e incentivo, vocês decidiram continuar e como vem se dando esse processo?

Eu (Caio Scott) sempre escrevi e tinha vários projetos de espetáculos engavetados mas tinha uma dificuldade enorme de fazer acontecer e eu (Junio Duarte) sempre quis montar um espetáculo e queria fazer acontecer. Nosso encontro do que tem vários projetos na cabeça com o que faz acontecer fez com que o [nome do espetáculo] pudesse existir hoje.

Acho que nunca passou pela nossa cabeça montar um musical da Broadway. Até que passou pela nossa cabeça montar um musical da Broadway. A nossa vontade era montar um espetáculo que fizesse sentido pra gente. Na época, dois anos atrás, estávamos com outro projeto de um espetáculo e, por motivos mil, resolvemos não continuar com o projeto. Foi então que nos deparamos com o [title of show] e percebemos que nossa história era muito parecida com a dos personagens do espetáculo e quanto a gente achava importante compartilhar com o mundo tudo que eles falavam e que a gente estava sentindo na pele ao tentar produzir algo nosso.
O fato de ser um espetáculo pequeno, em termos de produção, também fez com que fosse uma escolha viável produzir [nome do espetáculo].

A gente nunca quis que o [nome do espetáculo] fosse um projeto em que as pessoas trabalhassem só “no amor”. Achamos lindo isso mas sabemos o quão difícil é se sustentar no Rio de Janeiro e o quão importante é ter seu trabalho valorizado. Decidimos que só faríamos o espetáculo se conseguíssemos um patrocínio, por menor que ele fosse, mesmo que a gente tivesse que fazer o espetáculo de maneira mais simples, mas que fosse suficiente pra pagar todo mundo bem. Na nossa cabeça de quem estava produzindo pela primeira vez isso iria acontecer em breve mas, dois anos depois, não aconteceu. Recebemos uma pressãozinha do escritório que toma conta dos direitos autorais do espetáculo. Nesse momento tivemos que tomar uma decisão. Revisamos toda a planilha de orçamento e organizamos tudo de maneira que pudéssemos investir dinheiro próprio pra fazer ele acontecer com um valor bem abaixo do inicial mas que todos os profissionais pudessem receber pelo seu trabalho. Estamos muito felizes por poder viabilizar esse projeto e por envolver tantas pessoas talentosas e generosas como são as da nossa equipe. [nome do espetáculo] também é isso, juntar amigos para fazer o que a gente ama e acredita.

AD – Como esta sendo para você dirigir a montagem desse espetáculo, ainda mais tendo que se desdobrar com as apresentações de “60 – Doc. Musical”?

Tauã Delmiro – Eu amo esse espetáculo e venho já a algum tempo estudando metateatro. Estamos debruçados no texto e nas canções já a algum tempo e isso fez com o trabalho ficasse bem fluido na sala de ensaio. O tempo de fato foi um grande desafio, no entanto quando a gente faz o que gosta e quando está se sentindo realizado nesse fazer, tudo fica mais fácil. É uma loucura fazer o “60!” e ensaiar o “[Nome do espetáculo]” ao mesmo tempo, mas eu não tenho realmente do que reclamar, sinto muita felicidade em estar nelas, assim o prazer vence o cansaço e a sensação final é de realização e felicidade. Amo demais estar nos dois projetos.

A. D.Como é para você estar assinando sua primeira direção musical em um espetáculo no qual você também participa como ator e músico?

Gustavo Tibi – Tá sendo um processo lindo!! Estou muito honrado em assinar a direção musical e de trabalhar com pessoas tão talentosas, dedicadas e queridas. Foi um grande desafio mas graças a entrega de todos, chegamos em um lugar muito especial.

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