Não faz muito tempo que fizemos um MixTape com músicas populares que falavam sobre a política brasileira. Representando diferentes momentos de sua história nos últimos 100 anos, veio o “PMMPPB: Partido MixTape de Música Política Popular Brasileira“. Feito para anteceder o 2º turno das eleições para prefeito e vereadores, essa edição não tinha só viés histórico como também uma possibilidade de reflexão.

Hoje, sexta-feita, 28 de abril de 2017, está ocorrendo a greve nacional e protestos contra a Reforma da Previdência. Uma maneira pacífica, que foi proposta para que o povo mostrasse ser contrário a tal ato. Sem entrar em méritos políticos, independente de ser de direita, esquerda ou centro – ironia sua linda – é preciso avaliar tudo muito bem. Estamos falando de direitos adquiridos com anos de luta dentro de uma sociedade construída numa colônia de exploração. Também intolerante, machista, sexista, racista, xenofóbica e homofóbica. Mas enfim, o foco aqui é nossa seleção musical.

Dentro de tal proposta, nossa lista vem com algumas ótimas músicas nacionais que não são mais lançamentos, mas têm letras atemporais. Mas nós sabemos bem que o povo brasileiro tem uma memória bem curta. Por infelicidade, hoje, nas rádios, escutamos muito sobre as dores de cornxs, pegações na balada e assim vai. Considerando isso, e o atual cenário politico-socioeconômico do país, reviramos o baú e selecionamos músicas para o deleite dos ouvidos da mente reflexiva.

Primeiro abrimos os trabalhos com o rap “Até Quando?“, de Gabriel O Pensador, que é uma imagem perfeita do tipo de pessoas que somos e/ou podemos ser. Deixando a questão: Até quando vai ficar levando porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Depois vamos para a geração oitentista com as bandas Ultraje a Rigor e Legião Urbana. O primeiro ironiza a precariedade social e o segundo a influência erronia da mídia sobre nossa cultura e comportamento. E depois vamos com um clássico da MPB, “Apesar de Você“, do Chico Buarque, que mostra que mesmo sofrendo, nós brasileiros, somos esperançosos e esperamos por dias melhores.

   

   

O Tempo Não Para” e nós sabemos disso, assim como o Cazuza. Porém, ninguém quer ter ratos em sua piscina, nem ter ideologias erradas se comparadas aos fatos históricos. E isso, infelizmente, vem acontecendo com muita frequência. Com Titãs e Capital Inicial, duas bandas também muito famosas nos anos 80, temos a mesma premissa: Político corrupto, nós estamos de olho e você vai e deve pagar pelos seus crimes. E para finalizar com muita ironia, poder e poesia temos a sábia composição da música “Podres Poderes“, do Caetano Veloso.

   

   

Depois desses socos e pontapés musicais para que possam refletir sobre você e o seu próprio país, nós vamos ficando por aqui. Vale lembrar que existem muitas outras músicas que seguem esse gênero político, que ficaram de fora dessa seleção, mas devem e ser ouvidas. Para concluir vamos de Ctrl C + Ctrl V de trechos da edição do PMMPPB.

“(…) É dia de ter consciência que o futuro do seu país, da sua cidade, está nas suas mãos e que a política é um reflexo da grande maioria da sociedade, se ela não está bem das pernas é porque a sociedade que a escolheu também não está. (…) Política é feita pelo povo para o povo, dando a mim, a vocês e muitos outros a liberdade de escolha. Escolha ter direitos, escolha não se esconder, nem se calar (…) Eu fico por aqui e dessa vez deixo abraços apertados cheios de esperança em tempos tão estranhos, beijos molhados de amor, porque amor nunca é demais. Até semana que vem…”