A Netflix concentra hoje uma variedade de produtos em seu serviço. São diversos filmes, séries e documentários que oferecem o melhor ao espectador por um custo mensal. Todo mês ocorre uma troca de catálogo e algumas propostas podem ser bem interessantes.

É claro que a ideia é proporcionar lazer sem precisar sair de casa. A plataforma é adaptável e existe a opção de baixar o episódio para assistir sem internet. Por outro lado, toda essa “facilidade” não serve apenas para entreter, mas também pode ser um objeto de reflexão.

O “carro chefe” do serviço é claramente o investimento em séries originais, que teve início em 2013 com “House of Cards”, protagonizada por Kevin Spacey. Na trama, Spacey é o ambicioso político Frank Underwood, que não mede esforços para conseguir o que quer. Sucesso de público e crítica, a série retorna para sua quinta temporada no fim do mês.

No mesmo ano, a Netflix investiu em “Orange Is The New Black”, que narra a história de Piper Chapman (Taylor Schilling) dentro do sistema carcerário feminino. Com ela, existem outras mulheres, cada uma com seus motivos para estarem presas e também com a sua luta pessoal.

Ficou claro para os fãs – e também para a Netflix – que uma história voltada para a protagonista não daria certo, justamente pelo estereótipo em que era apresentada. Dentre as outras personagens da trama, a história de Chapman era a que menos necessitaria de visibilidade, o que levou a uma mudança na quarta temporada. A série foi renovada para mais três temporadas, e tem data de estreia da quinta para o dia 9 de junho.

Com a recepção positiva dessa mudança vista em “Orange Is The New Black”, a Netflix parece ter investido cada vez mais em programas para refletir e sair da “zona de conforto” tradicional. “The Get Down”, “Chewing Gum” e a famosa “Dear White People” fizeram esse papel perfeitamente não só pela questão da visibilidade, como também pela crítica ao racismo.

Para continuar a falar de minorias, “Sense8” e “Eu, Tu e Ela”, ambas tramas com personagens LGBTs. A primeira possui uma crítica social mais forte, ao mostrar o preconceito com homossexuais e também com transexuais. A segunda, embora seja de comédia, não perde espaço ao quebrar com os padrões monogâmicos de relacionamento.

“Las Chicas del Cable” e “Jessica Jones” abrem espaço para falar de feminismo, tema muito atual e que vem ganhando espaço também na televisão aberta. Ambientada em 1929, “Las Chicas del Cable” é a primeira série espanhola da netflix e mostra mulheres lutando por independência e visibilidade num ambiente patriarcal.

“Jessica Jones” divide espaço com “Demolidor”, “Punho de Ferro” e “Luke Cage”, que se reunirão em “Os Defensores” em agosto desse ano. Ainda assim, Jones é referência para várias mulheres e a série aborda os abusos presentes nas relações pessoais, que costumam ser tratados como uma questão normal por parte da sociedade.

A série, que também é um documentário, “Hot Girls Wanted: Turned On”, busca dar voz e mostrar o outro lado da indústria pornográfica. Em grupos feministas essa questão é amplamente discutida, principalmente entre as vertentes “liberais” e “radicais”, que divergem sobre o papel da mulher na luta pelo direito a seu corpo.

A polêmica “13 Reasons Why”, que falou sobre bullying, depressão e suicídio na adolescência foi amplamente criticada, uma vez que socialmente ainda é um tabu falar sobre isso. A mesma coisa pode ser dita de “3%”, a primeira série brasileira do streaming, que chegou com uma crítica a meritocracia e hoje é um sucesso mundial, mesmo sendo massacrada pela imprensa brasileira.

Netflix: Hannah Baker - 13 Reasons Why

Engana-se quem pensa que não é necessário dar voz a essas discussões, uma vez que a internet já dispõe de um vasto acervo sobre esses assuntos, mas é notório que através das séries se alcança um público bem maior. Inclusive, uma identificação entre público e trama é essencial para conscientizar que a luta das minorias deve ser respeitada.

Essas abordagem não existe só nas séries, há uma categoria que é voltada exatamente para as questões sociais, que também possui filmes, alguns até bem conhecidos pelo público. Logo, não há mais desculpa para não olhar o audiovisual com outros olhos, toda forma de crítica é essencial na busca por visibilidade, algo que a Netflix faz muito bem e que a leva a continuar a ganhar assinantes por aí.