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O Retrato da Solidão.

Cada vez mais o mercado brasileiro vem importando filmes estrangeiros, em sua grande maioria bons longas franceses.“Fique Comigo”, que estreou na última quinta, 03 de março, é um novo exemplar que traz a solidão de 6 personagens como foco dramático.

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O filme nos apresenta a história de solitários personagens, em uma periferia de Paris, que acabam se encontrando e desenvolvendo relações interessantes. Em um prédio onde o elevador sempre dá problema um senhor, aspirante a fotógrafo, se interessa por uma enfermeira que gosta de fotografia e sempre quis ser retratada. Um jovem, que passa seus dias sozinho em casa, acaba se aproximando de sua vizinha, uma famosa atriz que acabou de se mudar. E uma senhora árabe, que vive sozinha por conta da prisão de seu único filho, dá abrigo à um astronauta americano que caiu do céu.

Escrito e dirigido por Samuel Benchetrit, o filme descreve, em seu total, a necessidade de se ter alguém com quem compartilhar a vida, trazendo solitários retratos do ser humano. As histórias que poderiam ser bem conectadas, por se passarem basicamente no mesmo ambiente, mas são contadas em paralelo, deixando quase inexistente as ligações entre elas. É como se cada uma das propostas pudesse ser diferentes curtas sobre o mesmo tema.

Entre elas, o humor é bem leve e sem muitas pretensões. O envolvimento da senhora com o astronauta serve de alivio cômico ao despretensioso “marasmo” das situações, enquanto o envolvimento do jovem com a vizinha atriz, só há um ponto verdadeiramente interessante que é quando ela precisa gravar um vídeo para um teste.

Trazendo a frieza das relações e a necessidade de afeto, “Fique Comigo (Asphalte)” é um tocante filme, com uma linguagem convencional, mas com maneirismos contemporâneos, que vale a pena ser visto.

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.