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Um game no cinema

No dia 05 de maio, mais uma animação chega aos cinemas nacionais para a alegria da criançada. O filme, baseado no game “Ratchet e Clank”, lançado em 2002 pela PlayStation, é uma aventura cinematográfica distribuída pela PlayArt.

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Ratchet é um ser alienígena, da raça Lombax, parecido com um tigre, que possui uma grande habilidade com armas e entende muito de mecânica porém, é um ser muito atrapalhado. Ele sonha em fazer parte da equipe que protege a galáxia Solana, e mesmo realizando um um teste, acaba não entrando para a equipe. No entanto, por forças maiores, ele é chamado para ajudar à salvar a galáxia das mãos do megalomaníaco Chairman Drek e seu aliado, Dr. Nefarious, que possui uma poderosa arma capaz de destruir todos os planetas. Ao lado do “defeituoso” robô, Clank, e do grupo de super-heróis, formado pelo Capitão Qwark, o brutamontes Brax Lextrus, a whatever Cora e a nerd Elaris, o Galactic Rangers, Ratchet terá que correr contra o tempo para que o seu e os demais planetas não sejam destruídos.

A adaptação do game para sétima arte teve nomes famosos cogitados para a sua direção, mas acabou ficando na mão da estreante Jericca Cleland e de Kevin Munroe (As Tartarugas Ninjas: O Retorno – 2007), que também assina o roteiro ao lado de TJ Fixman e Gerry Swallow. Se pararmos para analisar o filme é uma segregação de outros filmes, infantis e adultos, que já assistimos por aí, com uma pegada meio descarada de “Guardiões da Galáxia (2014)”, até bem desenvolvido, com a direção oscilando entre as cenas mais dramáticas com expressão televisiva e, em outros momentos, agregando a agilidade de filmes de ação live-action.

Foto: Divulgação.

Os personagens, ainda que rasos, podem cair na graça do publico infantil uma vez que eles já foram vistos, oniricamente falando, em outros filmes do gênero. Diga-se de passagem, o Capitão Qwark consegue ser um dos personagens mais chatos de inúmeros filmes infantis.

Na dublagem americana, nomes como Sylvester Stallone, John Goodman, Paul Giamatti e Rosario Dawson são responsáveis por dar voz à alguns dos personagens, enquanto na dublagem brasileira não há nenhum nome “famoso” no elenco. Contudo, a grande questão para a dublagem nacional é a agregação de frases populares em nosso país, aplicadas em momentos relativamente certos durante a trama. “Tá tranquilo, tá favorável”, fase que dá título ao funk do Mc Bin Laden, que caiu na “graça” popular, é um dos exemplos aplicados no filme.

A animação segue uma estética “emborrachada”, como as de muitos games dos anos 2000, e ainda assim consegue ser boa, com destaque para a forte coloração. Mesmo que, a grosso modo, possa vir a não convencer os mais criteriosos gamers, uma vez que o cinema é uma plataforma visual completamente diferente e precisa de mais riqueza em seus detalhes, “Heróis da Galáxia: Ratchet e Clank” pode e deve entreter muitas crianças nos cinemas.

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.