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Humor, drama e poesia

Amanhã, 05 de maio, a coprodução entre Itália e França chegará aos cinemas nacionais depois de algum tempo sendo adiado. “Maravilhoso Boccaccio”, exibido no Festival de Tribeca e no Festival do Rio, em 2015, traz várias histórias de amor no século XIV.

Poster-Maravilhoso-Boccaccio

A trama traz a Itália, mais especificamente Florença, no ano de 1348, onde a peste negra está atingindo brutalmente. Tentando fugir do clima de morte que ronda o lugar, um grupo de dez jovens, sendo sete mulheres e três homens, decide sair da cidade e ir para uma casa no campo, onde, para passar o tempo, eles contam diversas histórias envolvendo o amor. Entre algumas questões morais e as tarefas necessárias para sobreviver, eles aguardam a decisão comum de quando vão voltar para casa.

Roteirizado e dirigido pelos já famosos e experientes cineastas Vittorio e Paolo Taviani, os contos apresentados foram retirados da obra “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio, escrito entre os anos 1348 e 1353. Sendo até bem fieis a obra, se você espera um longa naturalista é hora de repensar se realente gostaria de assistir ao filme.

Tendendo à uma conduta de interpretação teatral, a direção agracia o espectador com a teatralização das emoções no cinema, o que nos automaticamente nos remete aos primeiros filmes produzidos da sétima arte. Propositalmente reconhece nas sequencias o minimalismo cênico com a apresentação de belíssimas paisagens interioranas e arquiteturas sóbrias enquanto dá-se a exacerbação dramática, ainda que em histórias cômicas.

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Mesmo tendo figurinos bem feitos, é possível sentir que não ouve uma preocupação estética na apresentação de texturas. Se fosse para nomear algo que realmente incomoda no filme, seria a os modelos, de boa execução, apresentando estampas e texturas que não eram fabricadas, em nenhum lugar do mundo, na época em que se passa a história. Observação essa que dificilmente será reconhecida por um “espectador comum”.

O filme nos entrega à relação social medieval, o resquício trovadorista, a contagem de histórias e até mesmo as paixões ideológicas, ainda que trágicas. Beirando a poesia e trazendo muito humor em alguns dos contos, “Maravilhoso Boccaccio” não é um exemplar cinematográfico para o grande público, mas é um ótimo filme.

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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