Nada a acrescentar

Lançado há 15 anos, Zoolander acaba de ganhar uma continuação tardia. O segundo longa chega aos cinemas no dia 03 de março, trazendo Bem Stiller não só como protagonista, como também diretor, coautor e produtor. E aqui fica nossa critica, tão rápida quanto a carreira de um modelo masculino qualquer.

O filme já começa com uma pequena cena de ação onde um astro pop é assassinado, mas antes de morrer tira uma “selfie”. Essa é propulsora para o desdobramento, uma vez que a agente da Interpol e ex-modelo de biquíni, Valentina Valencia (Penelope Cruz), acredita que existe uma ligação direta com o sumido modelo Derek Zoolander (Stiller). Depois de uma sequencia de recapitulações para explicar, mais ou menos, o que aconteceu nesse hiato, o filme começa. Zoolander e seu ex-concorrente Hansel (Owen Wilson) são convidados para fazer um desfile da Alexanya Atoz (Kristen Wiig), a atual Fashion Queen. E em um dos bastidores Valentina pede ajuda a dupla para investigar a morte de alguns famosos, descobrindo que Mugatu (Will Ferrell) é o responsável por toda confusão e que o filho de Zoolander corre perigo.

Começando pela demora a lançar uma sequência, o longa não consegue se estabelecer no mercado, uma vez que nos anos 2000 era muito comum o lançamento de comédias nonsense como uma crítica, enquanto hoje elas são apenas e exclusivamente nonsense. O roteiro escrito a 8 mãos (Ben Stiller, Justin Theroux, Nicholas Stoller, John Hamburg e outros) possui um monte de informações inacabadas e mal desenvolvidas, onde as piadas apresentadas começam interessantes e terminam como se não houvesse sentido algum por sua massificação. Comparando a grosso modo, é como se você pegasse uma laranja, espremesse muito para tirar o máximo de sumo e quando bebesse percebe que a fruta tá “passada”.

A direção de Stiller é coesa, sem muito que acrescentar. Porém, a melhor sequência se mostra quando o carro de seu personagem perde o controle e capota algumas muitas vezes por uma das ruas de Roma, onde a história se passa. Ele mais uma vez, apresenta um trabalho bem feito, sabendo exatamente o que deseja realizar e expor ao público.Ben, aos 50 anos, está fisicamente bem melhor que Wilson, três anos mais novo, sendo até crível, em certo ponto, um perfil de modelo aposentado. Ambos conseguiram resgatar seus personagens, mas o destaque do elenco fica para Kristen Wiig, sendo completamente desaproveitada em todo longa, e o caricato Mugatu, de Will Ferrell. Em paralelo, as inúmeras participações especiais em momentos são favoráveis e divertidas e em outros são apenas um aglomerado de figuras famosas.

Outro destaque do filme vai para o figurino de Leesa Evans que não só desenvolve o lado “sem noção” dos personagens, como valoriza a coloração do filme e apresenta texturas, estampas e formatos interessantes à narrativa visual do longa. A trilha chiclete também merece seu reconhecimento.

O filme não deve render muito, ainda que pudesse ser mais interessante que o primeiro. Já que 15 anos se passaram, era possível ter amadurecido a comédia “pastelão” sem que ela perdesse seu cunho. Quando se faz algo do tipo é preciso ter cuidado com o que se tem a apresentar, embora seja só para se divertir. “Zoolander 2” é um filme para passar o tempo, se você tiver tempo.

Crítica: Zoolander 2
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