Dar frescor a um clássico de Nikolai Gógol. É o que a companhia Os Betessetes fará a partir do dia 6 de setembro, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, quando entra em cartaz com ‘O Capote’, adaptação do conto homônimo de 1842. A montagem é uma criação colaborativa de 21 jovens atores que levanta questionamentos ainda presentes em nossa sociedade e coloca em xeque a exiguidade do ser humano diante da burocracia.

A trama é protagonizada por Akaki Akakiévitch Bashmachkin, copista de “um certo” departamento de São Petersburgo, alvo de chacota dos colegas de trabalho, que ganha uma quantia mínima por ano e se vê em uma situação complicada em meio ao frio impiedoso do inverno russo: conseguir juntar dinheiro para comprar um novo capote. A partir daí, a história dá reviravoltas e mostra, com doses de humor, uma Rússia burocrática, superficial e hipócrita.

Considerado uma das obras-primas da literatura russa, o conto marcou o desenvolvimento da arte no país a partir do século XIX por causa do cunho social. Dostoiévski definiu o texto como um dos pilares do realismo russo, indicando Nikolai Gógol (1809-1852) como criador de uma linhagem, quando afirmou “todos nós descendemos de ‘O Capote’”. Além de romancista e dramaturgo, Gógol escreveu para periódicos de São Petersburgo e chegou a ocupar cargos na burocracia czarista, vivência que impactou temas que se destacam em seus textos.

Resultado de uma pesquisa sobre o realismo fantástico, o espetáculo dirigido por Eduardo Vaccari mescla impressões visuais, líricas e musicais. Criada para marcar a formatura dos alunos da turma BT7 da Faculdade Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), a montagem foi apresentada pela primeira vez no Teatro Ipanema, e o sucesso deu ao grupo de atores a ideia de formar uma companhia e levar o trabalho para o circuito carioca. Para financiar a peça, os jovens começaram um empréstimo coletivo além de um financiamento via internet pela plataforma Catarse.

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