Hoje o termo “it-girl” é comumente usado para designar qualquer blogueira com mais de 10 mil seguidores. Mas sua definição original é um tanto quanto diferente da de “digital influencers”, que são as blogueiras fashion de hoje. A expressão “it-girl” nos anos 20  designava as garotas – atrizes, cantoras e posteriormente modelos e celebridades – que, querendo ou não, criam tendências tanto de comportamento, de pensamento ou de moda e beleza. It-girls são, na maioria das vezes, a inspiração fashion de toda uma geração. Algumas blogueiras podem sim ser consideradas it-girls, a própria definição restringe o número: it-girls são únicas.

A primeira vez que esse termo  foi usado no sentido de meninas influenciadoras foi em 1927. Foi usado para falar da atriz Clara Bow protagonista da comédia romântica “It”. O nome “it-girl” descreve perfeitamente Bow: ela era única, a personificação da melindrosa dos anos 20, nasceu no Brooklyn em Nova York em 1905, de acordo com seus biógrafos, viu a mais brutal pobreza que havia na época. Clara Bow seria mais uma operária fabril se não fosse o cinema e o seu próprio talento. A atriz era descrita sempre como cheia de vida e de espírito burlesco, mas o que mais chamava a atenção de seus fãs é que diferente de suas colegas da época, Clara não fingia ser uma aristocrata e nem escondia seu passado pobre. Única, autêntica, estilosa, uma verdadeira “it-girl”.

Contudo, o termo “it-girl” foi criado não pensando em Clara Bow, mesmo sendo ela a primeira “It-girl” de todos os tempos, e sim foi uma ideia de Elianor Glyn, escritora do romance que deu origem ao filme “it”. A autora do folheto que foi publicado na revista Cosmopolitan em 1927 disse em uma palestra que “ ‘it’ pode ser uma qualidade da mente ou um ‘sex-apeal’, é simplesmente ‘it’”.

O termo só veio se popularizar nos anos 1990, a própria Clara Bow dizia que não sabia ao certo o que ‘it’ queria dizer. Ainda assim, todas as décadasiram outras mulheres em seu vestuário e atitude. As principais it-girls das últimas décadas foram:

Anos 30

Greta Garbo:  A atriz de “A Dama das Camélias” tinha o estilo que todas as meninas da sua época queriam ter: era magra, bronzeada e esportiva. Ainda assim, traduzia em seu comportamento o contexto de um mundo pós crise de 29: misteriosa e solitária em sua vida pessoal.

Anos 40

– Rita Hayworth:  A protagonista de “Gilda” era uma das mulheres mais desejadas de sua época. O luxo e a elegância de Rita eram o espírito da década. Era também o símbolo de uma mulher independente: casou-se diversas vezes e não tinha medo de procurar a própria felicidade.

Anos 50

Marilyn Monroe: Uma das mais belas atrizes de todos os tempos, Marilyn misturava as duas tendências dos anos 50: a ingenuidade e a sensualidade. Não a toa foi a principal it-girl da época da feminilidade

Anos 60

– Twiggy: Difícil pensar em alguém que consiga resumir tão bem o espírito dos anos 60 como Twiggy. Musa de Andy Warhol, ela é considerada uma das primeiras Top Models do mundo. Excessivamente magra para a época, com cabelos curtíssimos e um visual quase andrógino, tudo que Twiggy usava virava tendência.

Anos 70

– Grace Jones: Se hoje falamos em Hari Nef, Liniker ou Pabllo Vittar é por causa de Grace Jones. Modelo, cantora e atriz, Grace Jones desconstruiu a ideia de gênero com seu estilo andrógino muito antes dessa nova onda de militância. Jamaicana, negra e gay, Grace Jones já foi modelo de marcas como Yves Saint Laurent e Kenzo.

Anos 80

– Madonna: Quando Madonna lançou seu primeiro álbum em 1983 parece que o mundo pop deu um giro de 180 graus. Cruz em todos os cantos, brincos pendurados, cabelos cacheados, preto misturado com cores fortes e principalmente uma rebeldia expressa na atitude: assim é Madonna e assim eram os anos 80.

Anos 90

– Kate Moss: Até Kate Moss as modelos eram altas, curvilíneas e boas moças. Kate é mais que uma modelo, um ícone pop, musa de muitos artistas contemporâneos e um símbolo da boemia.

Anos 00

– Paris Hilton: Começamos a era das socialites! Strass, glitter, rosa, jeans e festas. Paris Hilton simbolizou muito bem o estilo da geração que começava a descobrir a internet e adorava as garotas-problema.

Anos 2010 

Kim Kardashian: É difícil pensar em uma tendência de 2017 que não tenha sido criada ou incorporada por Kim. Esqueçam as magras, hoje todas querem ter as curvas de Kim. Rainha das selfies na geração das selfies, a Kardashian incorpora em si o espírito “over exposed” que parece imperar nas redes sociais.

É claro que essas não são as únicas it-girls dessas décadas. Só para dar alguns exemplos, nos anos de 1950 tivemos ainda Grace Kelly e Brigitte Bardot. Mas sem dúvida, essas foram algumas que inspiraram e inspiram a moda até hoje e por isso merecem ser chamadas de “it-girls”.