Planejar a viagem é uma das melhores partes. Pesquisar sobre o local, o que fazer, onde ir, qual restaurante comer; e por aí vai. Mas o melhor é quando a gente acha um lugar diferente, fora de uma rota turística comum. Isso pode acontecer em leituras pela internet ou já na própria viagem, perguntando moradores locais.

Pensando nisso, essa matéria é sobre um lugar muito especial, que muitos não conhecem. No entanto, deveriam. Basicamente todo mundo já ouviu falar ou visitou a famosa serra gaúcha, no Rio Grande de Sul. Entre os pontos turísticos dessa viagem estão como principais as cidades de Gramado e Canela. Todo aquele estilo colonial por parte da colonização alemã, muito chocolate e vinho para experimentar.

Época de inverno está começando no país e se você pensa em passar frio, colocar casacões e luvas, pode aprontar as malas para lá. Além de planejar todos os clichês turísticos desses locais e tipo de viagem, anota essa aí: o Templo Budista Khadro Ling. Pode se preparar, pois é um dos lugares mais bonitos que a Woo! Magazine já visitou.

Este é o vídeo explicativo, indicado a ser assistido logo que se entra no Templo. Ele faz um resumo sobre a história, o lugar e as práticas.

Pensem em um espaço muito colorido, com construções cheias de detalhes, uma paz gigantesca, silêncio da natureza, e isso tudo no alto de uma montanha. Você pode experimentar todas essas sensações nesse espaço religioso. O templo fica na cidade de Três Coroas (RS) e  a entrada de carros e motos de passeio é gratuita. Só não é aberto para visitações às Segundas e Terças. Qualquer dúvida é possível consultar o site para verificar os horários.

O Templo Budista Khadro Ling teve o início de suas construções em 1996, dois anos após Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche (nascido em 1930, no Tibet) mudar-se para o Brasil. Visitando as serras gaúchas encontrou este lugar, muito belo e alto, achando parecido com o Tibet. Escolheu então o terreno para ser a sede brasileira de uma rede internacional de centros budistas.

O Budismo faz referência aos ensinamentos transmitidos por Sidarta Gautama, o Buda Shakiamuni, no século VI a.C. Ele ensinou para as pessoas o caminho da sabedoria, como seria possível alcançar a completa liberdade, que é denominada Iluminação. A principal construção no Khadro Ling, conhecida como o Templo, possui a história de Buda contada com pinturas em suas paredes e folhas para ler sobre sua trajetória. Além de diversas estátuas sagradas.

Próximo a ele, há as Rodas de Oração, cilindros preenchidos por mantras. Ficam localizadas dentro de uma casa sendo giradas em sentido horário, constantemente. Esta ação significa como se as orações proclamadas espalhassem sua benção por todo o mundo. Outro monumento famoso é a estátua gigante do Guru Rinpoche. Foi o mestre responsável a levar o budismo da Índia para o Tibet no século VIII.

Por todo o local encontram-se penduradas bandeiras coloridas. São as conhecidas Bandeiras de Oração, que possuem mantras escritos. Acredita-se que com o bater do vento, suas palavras também sejam levadas, com intenções positivas e auspiciosas para diferentes direções e seres no planeta. Há também a prática do Riwo Sangchod (“Oferenda Queimada para Purificação na Encosta da Montanha”), que é feita todos os dias. Os praticantes creem em seu poder de repelir negatividade e obstáculos do caminho espiritual.

O ritual mais famoso do Templo é a Oferenda das Lamparinas. São acesas centenas diariamente, como uma forma de oferenda de luz. Há a crença que elas dispersam as barreiras da vida dos seres. É possível participar dessa oferenda, dedicando uma quantidade de lamparinas para qualquer indivíduo que esteja precisando de orações.

Há moradores no local que são praticantes do budismo. Eles fazem trabalhos voluntários, visando suas práticas espirituais. Buscam viver no mundo de uma forma mais positiva.

Não esqueçam de deixar um espaço no seu plano de viagem para esse lugar quase mágico. Vai valer muito a pena a visita, muitos dizem que o pouco tempo que passam lá já os faz sair transformados. Para fechar, uma frase de Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche:

“Isto que a vida é – só um momento, um encontro, uma passagem, e então se vai. Se você entende isso, não há tempo para luta. Não há tempo para discussão. Não há tempo para ferirem uns aos outros. Quer você pense em termos de humanidade, nações, comunidades ou indivíduos, não há tempo para nada menos do que verdadeiramente apreciar a breve interação que temos uns com os outros.”