Quando nos referimos a preparação de um atleta logo nos vêm a mente as preparações que envolvem treinos físicos, técnicos, táticos e a nutrição do atleta. É um saber comum, facilmente visto em reportagens de TV, atletas fazendo treinamento físico, não só na categoria esportiva em que atuam, mas também o treinos feito com aparelhos de musculação, a monitoração dos batimentos cardíacos e outras condições físicas que sejam aparentes nos treinos. Sabe-se também da rotina alimentar adaptada para os atletas, geralmente bem diferenciada de pessoas que não trabalham com o esporte e, mais presente ainda, está sempre posto pra nós o treinamento técnico e tático feito com os atletas. Mas o que sabemos sobre como o trabalho psicológico influencia o atleta de alta performance?

Primeiramente é importante salientar que a ciência da psicologia do esporte não só atravessa o contexto esportivo, mas também a prática de exercício físico. Isto é, trabalhar também o psicológico de praticantes de esporte que não necessariamente estejam inseridos no contexto de competição.

A psicologia no esporte tem como objetivo a avaliação dos fatores psicológicos do atleta e como esses fatores atravessam o desempenho físico durante a prática esportiva. Os principais fatores são as emoções, os sentimentos, além do bem-estar com a prática do esporte bem como aspectos da personalidade do atleta.

O trabalho do psicólogo no contexto esportivo é interdisciplinar. A psicologia jamais atuará isolada. Para um bom trabalho do psicólogo, para avaliação do atleta é necessário saber como são trabalhadas as questões físicas, que tipo de alimentação ele foi submetido.

Mas vamos entender aqui, qual seria a relevância disso tudo na prática do esporte, em campo, por exemplo?

Vamos refletir juntos. A pessoa que está inserida no contexto esportivo geralmente começa a prática em sua infância/adolescência, tendo que adequar a rotina de atleta com estudos. Haja visto que para uma boa performance do atleta, ele deve seguir uma alimentação adequada, bem como estar sempre em dia com os treinos e a preparação física. De que maneira isso afeta a esfera social desse atleta? Na adolescência vivenciamos uma fase de novas descobertas, a formação da personalidade, chegando a um outro nível de maturação, o grupo social em que está inserido e também o bom rendimento nas salas de aula. Essas exigências são atípicas em não atletas. Como um adolescente que busca continuar praticando o esporte na vida adulta lida com uma vida tão regrada?

No futebol, a entrada no clube se divide em categorias de acordo com a idade. Fraldinha, Dente de Leite, Pré-Mirim, Mirim, Infantil, Infanto-Juvenil, Juvenil e Júnior. Sendo seguido, ou não, alcançar o profissionalismo. Inclusive na mudança das categorias de base, os atletas já podem ser dispensados pelos clubes por insuficiência no rendimento e também ocorre da pessoa não conseguir conciliar outros seguimentos da vida com a formação de atleta. Para isso, se faz importante a interferência do psicólogo desde o começo. O psicólogo trabalha em cima das questões que atravessam o rendimento funcional do atleta. Ajustando-as de maneira adaptativa na prática. Ou seja, através de técnicas e ferramentas psicológicas, fortalece o psicológico do atleta para que ele lide com questões como as cobranças (dele mesmo, da família, do clube e da torcida). Nem sempre as cobranças estão adaptadas para com o atleta e com isso prejudicam o desempenho. Há que seja feito a regulação das emoções quando na prática do esporte. Conseguir lidar com as frustrações e outros fatores emocionais sem perder de vista as demandas técnicas quando em prática. O trabalho é realizado também em cima do estabelecimento de metas a longo e curto prazo na carreira do atleta.

Certa feita, o técnico Dunga questionou que importância faria um psicólogo na formação dos jogadores. Essa organização emocional feita pelo trabalho do psicólogo esportista é realizado em cima de anos de estudo e aprendizado sobre os fatores que surgem na prática. Assim como o técnico não fará a organização alimentar do atleta, trabalho feito por profissionais formados exclusivamente nessa área, ele também não terá o mesmo domínio de todas as técnicas necessárias para o fortalecimento emocional do atleta.

Nos Jogos Olímpicos de 2016, a psicologia esportiva teve maior visibilidade por parte do público através de atletas como Diego Hypólito (ginastica artística) e Rafaela Silva (judô) que pontuaram o quanto foi importante o trabalho dos psicólogos deles nas conquistas de medalhas nas olimpíadas.