Você já teve a impressão que dormiu e ao acordar algo extraordinário aconteceu em poucas horas? Como o mundo não para, quando fechamos nossos olhos isso acontece o tempo todo. Uma tendência nasce (e muitas vezes morre) em um cochilo de 30 minutos.

Pesquisadores (ou estudiosos, ou gente com tempo livre pra fazer esse tipo de conclusão) dizem que algo fica viral porque cria algum tipo de empatia com outra pessoa. Pode ser uma empatia boa, como a que Susan Boyle criou em outras pessoas quando se apresentou a primeira vez em um show de talentos, surpreendendo e calando a boca de muita gente, ganhando milhões de visualizações no youtube e muitos seguidores. Ou, pode ser ruim, como a Mc Melody que insiste em fazer o que ela chama de falsete (mas, não existe Falsete feminino, então ela está errada), e que só serve para servir de chacota e fazer memes.

Claro que redes sociais e plataformas de streaming têm uma grande responsabilidade nesses casos. Uma mãe que filma os filhos gêmeos sofrendo, porque um matou inocentemente a formiguinha do outro, ou que mal conseguem ficar em pé, a ter uma conversa bastante profunda, sobre algo que nunca entenderemos. Uma família que se grava cantando até o menino zombar a própria música, arrancando uma reação estridente da irmã e deixando a sua mãe brava. São inúmeros os casos, e eles simplesmente brotam do dia para a noite.

Não é possível saber porque algo se torna viral. Claro, há coisas engraçadas que causam empatia, ou coisas ruins que causam antipatia, mas tem coisas que não são nem um desses casos e nem outro. Por exemplo, quando uma família fazia propaganda do apartamento em que viviam e o pai simplesmente disse: “Menos a Luiza, que está no Canadá”. Por algum motivo isso chamou atenção, e Luiza, que estava no Canadá, ganhou seus 15 minutos de fama, e, pra nossa sorte, não tentou estendê-los.

O viral é algo que independe da TV. Aliás, é até o contrário disso, as emissoras tentam acompanhar o ritmo de tudo que cai no gosto popular. O problema no caso, é tentar enquadrar em seus moldes engessados. O viral não é uma vídeo-cassetada, não é uma pegadinha, ele não tem que ser narrado. Por algum motivo, ele se torna, por pouco tempo, o espelho do que as pessoas querem mostrar. É um instante fugaz, mas, que se torna popular.

O problema de um viral, se é que há um problema, é que ele quase sempre não é algo que valha a pena. Ver alguém se superar é legal. Ver alguém surpreender outra pessoa é bacana, talvez, até seja legal ver a interação de crianças, ou algo singelo e engraçadinho quando estamos vivendo em um momento tão complicado, mas quebrar a cabeça pensando por que Luiza se tornou tão popular? O jornalista Carlos Nascimento disse na época que nós já fomos mais inteligentes. E talvez tenhamos sido.

E enquanto esse texto é escrito, ou você o lê, certamente tem alguém que propositalmente está gravando um vídeo tentando ser engraçado e tornar-se viral. Há também pessoas sendo filmadas sem saberem, e que se tornarão conhecidas por causa de poucos segundos. Porquê da mesma forma que o mundo não para quando fechamos os olhos, ele também está em constante movimento enquanto você lê esse texto aqui. E quando se der conta, pode ter perdido os primeiros segundos do que vai ser um novo viral que passará dias sendo mandado pra você por apps de telefone, Facebook, e-mail, youtube, até sumir do mesmo jeito que apareceu. E isso não vai fazer diferença nenhuma na sua vida.

Então, vamos nos acostumar porque no próximo viral poderemos até ser levados pela chuva em frente a um restaurante fino. Por que não?!