Não é fácil agradar a fanbase de Resident Evil. Não que seja fácil com fãs de qualquer franquia icônica dos videogames… Mas o lendário nome, que praticamente cunhou o que chamamos de Terror de Sobrevivência, teve em suas duas décadas de existência altos e baixos. E nos dois casos, sempre houve “quems” reclamasse. Não é a primeira vez que falamos sobre a franquia, mas com o lançamento da Edição Definitiva de “Resident Evil 7” a caminho, vamos rever esta e outras ideias da CAPCOM em relação aos jogos.

Muito superficialmente, podemos dividir os jogos principais de Resident Evil em 3 grandes fases: os clássicos, que incluem a trilogia original, que seriam “Resident Evil 1, 2″ e “Nemesis”, bem como “Code: Veronica” e até “Resident Evil Zero”. Foram nestes jogos que a franquia se consagrou, marcada por uma jogabilidade desafiadora (e que envelheceu mal, se você levar em consideração os gamers mais novos), momentos de terror e personagens carismáticos.

É claro que, a franquia que foi lançada nos anos 90, veria já nestes títulos uma rápida melhoria gráfica, que viria a afetar a mecânica de cada título, sem perderem, no entanto, a essência survival horror: era necessário escolher bem quando lutar ou fugir, com gerenciamento dos itens carregados e da limitada munição.

Antes de avançarmos para a próxima casa, volte dois parágrafos e lembre-se de que prometemos essa divisão baseada nos games principais de RE, então, se por acaso você sentiu falta de falarmos de pérolas como Resident Evil Gaiden para Gameboy Color… Não. Apenas: não. Continuemos.

A segunda “fase” dos jogos de RE, com 4, 5 e 6 seriam marcadas por mais ação e hordas de inimigos

O segundo momento viria com o lançamento de Resident Evil 4″ em 2005. Mudando a perspectiva do jogo para a visão em terceira pessoa, e com uma mecânica de movimentação bem diferente mais voltada para o combate, o jogo era bem diferente dos seus antecessores – o suficiente para causar um chiado nos fãs antigos. Mas RE4 foi um grande sucesso, sendo considerado por crítica um dos melhores títulos da série. O problema é o que viria a seguir…

Resident Evil 5 é onde a coisa ficou mais descontrolada que uma epidemia de T-Virus. Em RE5, a ação é frenética e o terror dá lugar à adrenalina ao enfrentar hordas gigantescas de inimigos. Vale ressaltar que, desde RE4, os adversários não eram mais os lentos zumbis, mas vítimas das plagas, uma nova forma de infectar e controlar humanos, que desta vez seriam capazes de se comunicar e usar armas de maneira inteligente.

Com o abandono descarado ao terror, foi aí que os fãs mais reclamaram. O que salva RE5, é que ele é um jogo de ação co-op divertido, progredindo a história de personagens clássicos. Ainda havia este argumento para dizer a alguém porque jogar toda aquela ação à la “Gears of War”. Mas o pior, ainda estaria por vir…

O pior Resident Evil da História?

“Resident Evil 6” foi aquele que fez a gente dizer “CAPCOM, amiga… assim não tem como te defender”. Enquanto ele tenta melhorar (com falhas) a mecânica dos jogos anteriores nesta “segunda fase” dos games de RE, tornando finalmente possível andar/correr e atirar ao mesmo tempo, não dá para ficarmos decepcionados apenas com a direção de ação. O problema ali era que o jogo tentava ser um pouco de tudo que vendia ao mesmo tempo. Segmentos importantes do jogo consistiam em pilotar veículos em QTE’s que competiam acirradamente para serem mais frustrantes ou irritantes (uma marca registrada desta segunda fase, na verdade) e na história de personagens novos que simplesmente davam sono.

A série que se consolidou no terror viraria uma série de jogos com AQUELA ação Hollywoodiana

RE6 dividia sua história em quatro grandes histórias (ou campanhas), cada qual protagonizada por personagens diferentes. Uma maneira da CAPCOM tentar… agradar aos fãs e experimentar foi usar uma delas com o perfil mais voltado para a suspense. Era a campanha do Leon, que de suspense e terror nem tinha tanta coisa assim, mas seria posteriormente aceita como a melhor (ou “menos pior”) das quatro.

Com tantas ambições quanto falhas, Resident 6 teve uma recepção de morna-pra-fria da crítica, sendo também negativamente percebido pelo público. Teve as vendas abaixo do esperado pela CAPCOM, sendo ainda assim um de seus títulos mais vendidos.

Mas também, a empresa não se consolidou com um dos nomes mais fortes da indústria game de graça. Finalmente, eles entenderiam a necessidade de ouvir os fãs e finalmente começaria a “fazer por onde”. Também, depois de anos xingando muito no twitter e afins…

Voltando aos trilhos

Em 2012, mesmo ano de lançamento do RE6, veríamos a série “Revelations. Embora sejam tecnicamente spin-offs, integram completamente a linha do tempo oficial, sendo seu primeiro título encaixado entre a história de RE4 e 5. Enquanto o jogo utilizava a mesma perspectiva de terceira pessoa dos últimos jogos da série principal, era uma movimentação mais travada, e similar aos primeiros jogos da série. A ação dava lugar a um clima mais sóbrio e sombrio, sem deixar de haver bastante combate contra criaturas grotescas (algo que, aliás, nunca faltou em nenhum jogo da série, seja ele bom ou ruim). 

“Revelations 2”, se passando entre Resident 5 e 6, desta vez, trouxe de volta personagens pedidos a anos pelos fãs da série, perdidos há anos na “geladeira da CAPCOM”, trazendo o mesmo esquema de seu antecessor: um clima mais similar aos primeiros jogos da série e grande atenção à história. Outra característica interessante da série spin-off-só-que-não é o lançamento dos jogos por episódios.

Para “Resident Evil 7”, a CAPCOM desenvolveu a RE Engine

Com tanto feedback recolhido ao longo dos últimos lançamentos, a CAPCOM finalmente ousaria. Sim, Revelations 1 e 2 têm um clima mais tenso, mas ele nunca chegaria de fato a tensão dos primeiros jogos. Resident Evil 7 daria as caras no começo de 2017, trazendo um jogo com a visão em primeira pessoa, claramente influenciado por hits do terror, como “Outlast” e o aclamado “P.T.” (o cancelado “Silent Hills”), de Hideo Kojima. É este último Resident Evil que, por sua total reinvenção, seria considerado a terceira grande “fase” da franquia.

Enquanto, nas demos iniciais, o jogo causaria de novo resistência entre os fãs, a versão final mostraria ao que veio: haveriam sim as armas e os combates que consagrariam a série, mas com a boa e velha escassez de munição e curas. A sensação de vulnerabilidade estaria de volta, até também porque “RE7” mostraria pouca (na verdade, quase nenhuma) ligação clara com os jogos anteriores.

Enquanto a falta de ligação a um universo tão extenso seja algo que incomoda, igualmente nos intriga, porque há uma sensação de familiaridade. Embora o protagonista seja pouco carismático, a família Baker, que prende você numa mansão rural velha, são definitivamente as estrelas do jogo. A história é bem contada, há sangue, tensão e estratégia. É basicamente a mesma sensação dos primeiros “Resident”, numa roupagem que encaixa com os jogos contemporâneos.

O Resident Evil mais recente ganhará dois DLC’s adicionais, “End of Mia” e o aguardado “Not a Hero” – que deverá explicar o confuso final do jogo principal. Há também um remake do querido “Resident Evil 2” a caminho, e, embora não haja nenhuma notícia ou rumor sobre tal, não ficaríamos surpresos se num futuro próximo ouvimos “Revelations 3”.